Triste sina americana

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/obama-viaja-neste-domingo-a-newtown

EUA. Nove massacres que repercutiram este ano. Brasil, ALGUÉM CONTOU ou sabe quantos foram até o mês passado?
Em 2011, no RJ, 13 crianças mortas em uma escola. A inoperância da fiscalização na entrada de cada instituição de ensino pode ser considerada motivo para tanto sangue derramado? Ou uma política (ou leis) que não restringe o acesso às armas poderia ser apontada como fator que desencadeia essas loucuras que, nem em cinema, se pode imaginar?
A verdade é que, por mais que queiramos, jamais encontraremos respostas. Também é certo que não teremos de volta essas criaturinhas que, com certeza, alegravam cada uma das famílias que, agora, choram piamente. Vinte pequenos anjos que moravam e estudavam em Newtown, Connecticut. Seis profissionais que morreram fazendo o que amavam.
Tenho certeza que, caso o monstro estivesse vivo, algumas entidades o defenderiam. Quanto aos pais e irmãos dos que tiveram sonhos e vidas interrompidas? Até quando essa triste sina americana?

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A bença! (José de Souza Martins – sociólogo)

“A bença, mãe! A bença, pai! A bença, vó!” E ia por aí a ladainha de saudação das crianças aos mais velhos no meu tempo de menino. Mesmo os adultos pediam a bênção aos pais, avós, padrinhos e madrinhas, que com sorridente alegria abençoavam os descendentes carnais e simbólicos. O pedido de bênção era o mais significativo ato litúrgico do que, então, apropriadamente, se chamava de laços de família. Já septuagenário, eu pedia a bênção à última pessoa de minha família a ter direito a esse tributo ritual: minha tia Sebastiana, quase centenária, quando a visitava no Pinhá, lá para os lados de Socorro. E isso fazia um bem enorme a ela e a mim. Dava-lhe, e dava-me, a certeza de que o abismo do tempo que nos separava – ela, quase do tempo da escravidão e do trabalho do eito, e eu, do tempo do computador – continuávamos unidos pelo mesmo afeto de quando eu era criança.

Foto extraída do blog: http://merlaniopoeta.blogspot.com.br/

Excelente texto publicado no portal do Estadão. José de Souza Martins é sociólogo, professor titular de sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Para continuar lendo, clique aqui.
Gostei porque até hoje eu sempre peço “a bença” aos meus pais, avós, tios e tias. Acredito que, antes de ser um ato de respeito é, como ele disse, um ato afetivo. Os tempos mudaram. Meus filhos adolescentes já quase não me pedem, mesmo assim, toda manhã eu repito: “Deus abençoe vocês”. A minha princesinha já entende bem (só tem um ano e dez meses). Eu ou a mãe dela falamos “cadê a bença?” e ela, rapidamente, estende a mão para que possamos beijá-la.
Espero que esse ato, simples e de puro amor, possa continuar, apesar dos “gadgets” que parecem influenciar mais a turma jovem que desejar ter um dia abençoado por quem realmente os ama.

No blog do Merlânio, achei esse lindo poema: A bença.

 

Telefone pra quê?

telefoneNão existe treco que mais perturba o ser humano que o tal do telefone. Você está no melhor do sono e o “são 6h, é hora de levantar” te incomoda. Vai tomar banho e justamente quando está todo ensaboado, lá está ele gritando novamente. O café é interrompido para atender a ligação de uma amiga que quer uma carona. Ao chegar ao trabalho, os ditos aparelhos parecem querer lhe enlouquecer. Pra completar, a secretária que repassa as ligações não informa quem é do outro lado da linha. Você, que já está estressado porque o início do mês – o 5º dia útil, na verdade – não chega e já tem cobrança do outro lado da linha. Resolve tomar uma água e mal consegue dar o primeiro gole. Retorna à mesa de trabalho, lê os e-mails enquanto um cliente liga de uma cidade com problemas na telefonia, a voz sai metalizada. Os filhos foram para a escola e na hora que saem ligam: “pai, vem me buscar”. É assim o dia todo. E foi assim que tudo acabou. Uma ligação e um sussurro: “aconteceu”. Não entendi no começo. Ou quis não entender. Continue Lendo “Telefone pra quê?”

In memoriam: À minha amiga Samantha (*29/08/1976 +06/12/2012)

Tento buscar quando foi que nos conhecemos. O local, eu recordo. O dia… Bem, aí é forçar demais, mas não preciso de tanto. Parece que nos conhecemos a vida inteira. Foi na mesma boate em que você disse “você me confundiu” e  “me ajuda, Ede”.
Nossas idas aos videokês, febre de uma época. “Negue” ou qualquer uma do Raça Negra. Também vivíamos na A Pororoca, Mormaço, Solamar, Veneza, Go!, Reduto, Pavan, Homobono e tantos outros locais. Só nós dois ou sempre com amigos.
Lembro das manhãs, parados no cruzamento ou então tomando café lá na “tia” da antiga Primeiro de Dezembro, em frente à garagem da Transbrasiliana. Ou então a “sorte” de perder a chave dentro d’água em Mosqueiro e você pisar bem em cima dela.
As ligações de madrugada só para um acordar ao outro: “’tá’ dormindo?”. “O que você acha às 3h da manhã?”.
O ombro amigo… Bem, esse sempre foi presente, independente do lugar, da hora, da companhia. Quantas vezes choramos e rimos juntos? Vou ficar me “sequelando”? Não! Agora sei que você viveu, amou, chorou, riu… intensamente. Te ver de “vaquinha”, como da última vez, me fez rir também. Me deu esperança e me acalentou.
A vida passou e nos afastamos. Vim embora. Você ficou. Agora eu fico e você está indo.
Na verdade, você só se adiantou. Egoísta! Como pode nos deixar assim? Não, você não é egoísta. Você está certa. A única certeza que devemos ter é que um dia partiremos. E nossas pessoas próximas também. Mas isso não é motivo para deixar de viver ou de gostar de alguém. A viagem que nos separa não é eterna. Deus tem planos para nós e para nosso reencontro.
Sabe do que todos gostavam em você?
O calor do teu toque, mesmo sem abraço. A alegria no teu sorriso, mesmo sem gargalhada. A paz na tua voz, mesmo no silêncio. Seu sorriso está em nossas lembranças e a saudade em nossos corações.
Enquanto irmã, excelente conselheira. Enquanto filha, nossa segunda mãe. Enquanto amante, a mais querida. Enquanto amiga, sincera amizade. Você marcou muito a vida daqueles que direta ou indiretamente faziam parte do seu círculo de amizades: filha amada, irmã querida, tia afável e amiga de todas as horas.
Você fez uma grande viagem deixando um enorme vazio no coração das pessoas que a amaram. Por um tempo, não te verei, te abraçarei, nem te beijarei. Mas eu te amo. E sei que vamos nos ver novamente. Sua moleca!