A bença! (José de Souza Martins – sociólogo)

“A bença, mãe! A bença, pai! A bença, vó!” E ia por aí a ladainha de saudação das crianças aos mais velhos no meu tempo de menino. Mesmo os adultos pediam a bênção aos pais, avós, padrinhos e madrinhas, que com sorridente alegria abençoavam os descendentes carnais e simbólicos. O pedido de bênção era o mais significativo ato litúrgico do que, então, apropriadamente, se chamava de laços de família. Já septuagenário, eu pedia a bênção à última pessoa de minha família a ter direito a esse tributo ritual: minha tia Sebastiana, quase centenária, quando a visitava no Pinhá, lá para os lados de Socorro. E isso fazia um bem enorme a ela e a mim. Dava-lhe, e dava-me, a certeza de que o abismo do tempo que nos separava – ela, quase do tempo da escravidão e do trabalho do eito, e eu, do tempo do computador – continuávamos unidos pelo mesmo afeto de quando eu era criança.

Foto extraída do blog: http://merlaniopoeta.blogspot.com.br/

Excelente texto publicado no portal do Estadão. José de Souza Martins é sociólogo, professor titular de sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Para continuar lendo, clique aqui.
Gostei porque até hoje eu sempre peço “a bença” aos meus pais, avós, tios e tias. Acredito que, antes de ser um ato de respeito é, como ele disse, um ato afetivo. Os tempos mudaram. Meus filhos adolescentes já quase não me pedem, mesmo assim, toda manhã eu repito: “Deus abençoe vocês”. A minha princesinha já entende bem (só tem um ano e dez meses). Eu ou a mãe dela falamos “cadê a bença?” e ela, rapidamente, estende a mão para que possamos beijá-la.
Espero que esse ato, simples e de puro amor, possa continuar, apesar dos “gadgets” que parecem influenciar mais a turma jovem que desejar ter um dia abençoado por quem realmente os ama.

No blog do Merlânio, achei esse lindo poema: A bença.

 

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2 comentários

  1. Curiosamente eu acompanho a juventude desde que deixei de ser jovem – vejos as pérolas de comportamento, eles querem ter mais direitos que todas as outras gerações, querem tudo ao mesmo tempo agora. Acham que Deus é um “lance que não se deve pensar sobre isso”, querem reescrever a Biblia, os conceitos, a familia. Sempre com um discurso libertário e ousado, porém são os mais ortodoxos e sua liberdade. A minha filha ainda não tem idade pra entender “a bença”, vou tentar ensinar nem que seja um cumprimento de respeito com os pais e os mais velhos.

    Acho que isso vem se perdendo a cada geração, talvez seja reflexo da nossa exigencia como pais querendo “amigos” em vez de filhos, e eles de “parceiros de conversas” em vez de pais.Talvez acho que as “conversas” mesmo disfarçadas que se tem no SBT – sobre familia, sobre criança ser criança, …- vem pelo menos ao meu ver um bastião de resistência sobre a perda de valor que tem este clima de família na sociedade.

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