O carnaval do Carnaval e o excesso do prazer

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Lembro-me do primeiro período do curso de Direito. Durante uma das aulas de… de… (ô memória!) Sociologia, tivemos contato com o livro O que faz o brasil, Brasil?, do antropólogo Roberto DaMatta. Perdoem-me os eruditos, mas não conhecia o livro nem o autor.
Nada mais adequado para comentar os próximos dias que um dos capítulos desse livro. DaMatta diz, em um dos trechos que, “o carnaval é definido como “liberdade” e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecado e deveres. Numa palavra, trata-se de um momento onde se pode deixar de viver a vida como fardo e castigo”.
Pronto. Simples e direto, apesar de discordar com a premissa de a vida ser um fardo e castigo.
Mas é nessa festividade momesca e momentânea que milhões de brasileiros (e turistas) caem na farra solta. Opa, é uma festa popular, conclamam os que apoiam o consumismo desenfreado de álcool e dos abadás. Está bem, pode ser exagero meu. “É, no fundo, a oportunidade de fazer tudo ao contrário”, afirma o antropólogo.Na avenida da folia não existem ricos e pobres, mas somente pipocas saltitantes que estouram ao som de marchas e músicas de conteúdo duvidoso. Homens e mulheres se travestem e se fantasiam de personalidades citadas em telejornais ou eternas figuras carimbadas de carnavais passados.
Brincam foliões sob a égide do Estado que, pasmem, destina milhares (se quiser, leia-se milhões) de reais do erário público para garantir a segurança, a saúde e a fanfarrice de autoridades e anônimos. Não que eu seja contrário à alegria que esses dias proporcionam, mas mobilizar policiamento e equipes médicas para alguns locais só para promover alforria de solteiros e casados?
DaMatta cita “excesso de prazer, de riqueza (…), de alegria e de riso; de prazer sensual que fica – finalmente – ao alcance de todos”. “Depois de nove meses você vê o resultado” é trecho de uma música de um grupo baiano. Acho que poderia constar do livro. É uma festa para os prazeres carnais.

Parei para reler o texto. Parece que sou completamente contrário ao carnaval. Não, não o sou. Prefiro somente ficar em casa e curtir minha família.

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