Somente aplausos

aplauso1ANIMADODezessete de junho. Nas ruas, o povo. Nas tevês, a massa. Nos debates, o protesto. Nas mentes, mudanças.
Dezessete de junho. Não importa a cidade. De São Paulo a Belém. Milhares de brasileiros, de todas as idades e todas as cores (somos uma só raça). Juntos, unidos, de dia, de noite, na chuva, no sol.
Uma data que reuniu mais de 150 mil pessoas espalhadas cobrando, reivindicando. Alguns usaram de violência. Desculpem, mas nada justificável.
Em um dia histórico para o país, com ou sem ufanismo, seja qual foi o motivo, todos juntos. Com cartazes e faixas. Com a própria voz. Unidos na principal avenida de acesso de Belém.
Na capital paraense, não importava se remista ou bicolor, se morador dar Terra Firme ou de Canudos, de Nazaré ou Batista Campos.
Vi(vi) algo que não esperava ver no país. Começou a revolução? Se sim, que ela sirva para a próxima eleição. Que a mentalidade de se exigir respeito aos nossos direitos, dinheiro, dignidade, vida seja respeitada.
Em um dezessete de junho. Uma segunda-feira que poderia ser como tantas outras, mas que cada um fez a diferença.
Um poeta inglês escreveu: “Nenhum homem é uma ilha; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.
Hoje, não foram ouvidos sinos. Para cada um de vocês, aplausos.

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A escalada da violência escolar

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altamirahoje.blogspot.com

A violência na escola parece não ter limites. Todos os dias são noticiados casos e mais casos. Em São Paulo, uma pesquisa revelou que 44% dos docentes já sofreram com essa violência. Recentemente, em Belém, um aluno quebrou uma pá ao agredir uma professora que o havia repreendido.
Algumas discussões apontam que isso é reflexo do aumento da criminalidade nas ruas. É indiferente se ocorre na escola municipal ou estadual, pública ou particular. O objetivo da educação parece ter se perdido. A educação que havia antes deu lugar ao medo, incerteza e frustração entre os profissionais que já não podem repreender ou dar notas baixas. Foi-se o tempo da palmatória – fosse hoje muitos professores já teriam morrido.
Talvez esteja certa a psicóloga que disse, em um telejornal, que essas agressões sejam fruto da má conduta dos pais em educar, dentro de casa, os filhos. Esses acreditam que quanto mais se tem, mais se pode. Esses abusos estão quase sempre vinculados à classe D e E. Não podemos esquecer que no meio da pirâmide social (ou no topo), existem os mais abastados que acham que podem tudo por causa de um sobrenome familiar ou o dinheiro guardado no banco. Quando um “menor” é filho de gente importante, se tem a impressão de que a poeira vai parar debaixo do tapete. O jovem não vai pagar pelo crime, debalde acusar os pais.
Seja qual for o objetivo da educação, parte-se da premissa que os filhos devem aprender com os pais como lidar com a frustração. Caso contrário, teremos professores e outros alunos que sofrerão com essa brutalidade absurda e idiota.
Coitado de mais um professor que quase paga com a própria vida a bestialidade de um aluno mimado. Ou não?

Matéria exibida em telejornal do Estado.

Trânsito caótico em Altamira

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http://expresso-da-noticia.blogspot.com.br

Já é notório. O fluxo de veículos em Altamira, no sudoeste do Pará, cresceu. Motocicletas rasgam o silêncio da madrugada (e do dia também) com suas descargas barulhentas. Sons automotivos vêm logo atrás. O grande número de ônibus que transportam trabalhadores parece levar gado para corte. Pedestre atravessa correndo, moto circulando na contramão: um verdadeiro Deus nos acuda. É um zum-zum e tuntz-tuntz sem fim.
Todos os dias, esse é o trânsito que vira notícia com pessoas acidentadas e desrespeito à legislação. Conversando com um amigo, ele disse que não aguenta mais ficar em alguns cruzamentos por longos CINCO ou DEZ minutos. Mesmo tempo que ele perde em São Paulo ou Belém?
Temos que lembrar ainda dos agentes do departamento estadual de trânsito que atuam junto aos do departamento municipal. Blitz na cidade ocorrem todos os dias. Não! Ou sim? Vamos começar de novo.
A polícia militar, civil, Detran, Demutran, Guarda Municipal e (pasmem) até um helicóptero são vistos em “patrulhões”. Esporádicos, verdade, mas que ajudam a coibir algumas dessas infrações como: veículo sem documentação ou condutor sem habilitação. Som automotivo – nada contra – continua por aí. Motos com as descargas do tipo “não vou citar a marca” também.
Falar na sinalização horizontal ou vertical, bem, aí é outra história. Em grandes centros não recordo de no mesmo cruzamento ter quatro placas com o nome do logradouro (nome bonito para rua, travessa etc). Tudo “bem orçado” pela gestão passada. Enquanto sobram placas (de ontem), faltam agentes de trânsito (pra hoje). Sim, boa parte preferiu mudar de área/função.
A culpa não é do novo prefeito. Nem do departamento ou de quem o dirige. Se cada condutor não fizer sua parte, nada adianta recursos ou fiscalizações.
Alguém tem que fazer algo sobre o assunto. Chega de zum-zum, tuntz-tuntz ou outras onomatopeias como “crash” e “bum”.

UFPa + Enem = ?

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http://www.portal.ufpa.br/

A Universidade Federal do Pará mudou o processo seletivo para este. Vai usar só a nota do Enem. Ótimo. Para os alunos de grandes centros, com certeza. Ou não? Sem me preocupar com o enredo/eu-lírico/gênero – pra quê, se não são mais obrigatórias -, lembrei de algumas obras recomendadas no último vestibular.
Somos uma região de grandes distâncias, com um sistema educacional que… não precisamos entrar nesse mérito. A alegação que o aluno é que faz a escola e não o inverso é “ chover no molhado”. A disparidade entre a educação ofertada no ensino médio, principalmente nos grandes centros com suas tradicionais escolas particulares, nos faz pensar: que chance tem o pequeno I-Juca-Pirama de uma unidade escolar “lá longe, sumano”?
Logo, conceda, ó Virgem Maria, que mudanças como essa somem e não sumam com nossa rica literatura e o prazer imensurável que nossos jovens têm em ler nossos autores. Se atingida tal graça, pagarei promessa junto ao Carro dos Milagres.
Apesar de não vivermos mais em Navio Negreiro, não podemos esperar A queda dum anjo para auxiliar milhares de estudantes que sonham ingressar no ensino superior. Que o esforço de horas de lições em sala e fora dela não se transforme em Desilusão. O último Recenseamento tem o percentual da população que está em uma sala de aula “federal”.
Dizem que a universidade não terá gastos com a “artilharia de provas, deslocamentos etc”. Quem sabe, assim, sobre recursos para algumas reformas físicas/estruturais nos campi espalhados pelo Estado ou se consiga melhor remuneração aos professores e funcionários. Ou é “chover no molhado” (de novo).
Na Próxima Manhã, espero ouvir os versos da marchinha “alô, papai, alô, mamãe, põe a vitrola pra tocar, podem soltar foguetes, que eu passei no vestibular”. Caso contrário, só nos restará chorar O Pranto de Maria Parda…
Ainda bem que alguns livros continuam obrigatórios. Quais?