Portal publica morte de bandido – “Menos um”

Sociedade x Imprensa: quem quer o mal OU Só nós queremos o fim da violência?

Somos só nós que desejamos o mal dos “que não tiveram chance”, dos que “são excluídos pela sociedade”, “vítimas de um Estado capitalista” ou a Rachel Sheherazade exagerou mesmo? Título em portal de notícias informa “menos um”. É o que todos pensariam ou somente o editor/repórter da matéria? De qualquer maneira, a atitude do policial foi corajosa e, por azar do destino, acabou tirando um pobre rapaz de uma vida repleta e plena de realizações.

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Que Pará é esse?

Prezado Sr. Nicias Ribeiro,
Li seus artigos publicados, no jornal que mostra os “avanços” que o BRT trouxe e as grandes obras do governo estadual, tanto de quarta-feira passada (19) como o de hoje (26). Realmente, com tanta riqueza em detalhes, fico maravilhado em conhecer nosso Estado-continente e toda sua belezura. Sem esquecer do quanto foi feito pelo (sud)oeste paraense, onde tudo está “bem”. Parado?

Belém
Belém

Sou de Belém, a terra que muitos chamam de “já teve”, mas para mim é a do “lá tem”. Tem o cheiro do patchouli e do tucupi e o travor do jambu e bacuri.

Batista Campos/Centro
Batista Campos/Centro

Também tem a formosura das lindas morenas enquanto dançam o carimbo e o “melody”. Pena que poucos falem disso.

Orla de Altamira
Orla de Altamira

Há sete anos, saí da capital e vim, de avião, para Altamira. De cara, me apaixonei pela cidade e pelo rio Xingu. Em 2008, depois de tanto ouvir falar mal da BR-230, a “Transamargura”, a encarei, com minha família, numa longa viagem de 14 horas até Belém. No verão. Na poeira. Sabia que se fosse na época do inverno, a viagem seria mais longa. E é nesse ponto que gostaria de tocar.
Para muitos, a rodovia possibilita, hoje, a esperança de melhoria na qualidade de vida, a chegada de empreendimentos comerciais e o rápido escoamento da produção agropecuária e rural. Mas como dizem nas redes sociais: “só que não”. Pelo menos durante o inverno.

Placa em Breu Branco-PA
Placa em Breu Branco-PA

A abertura da rodovia na década de 70 trouxe expectativas e famílias para a região transamazônica. Não se sabia que demoraria tanto e tanto tempo para se ver o asfalto em um trecho de pouco mais de 300 quilômetros. Não vou nem falar na outra BR, a 422 (70 quilômetros), que, com certeza, não verá asfalto nessa década. Quiçá na próxima. Mas voltando ao trecho Novo Repartimento/Altamira, que o senhor definiu como “estradas relativamente boas e em grande parte pavimentadas”. O senhor transitou por elas esses dias?

Trecho N. Repartimento/Maracajá (35 km)
Trecho N. Repartimento/Maracajá (35 km)
Ladeira da "velha"
Ladeira da “velha”

Da cidade de Novo Repartimento até Pacajá, temos sim, asfalto novo e, aparentemente de qualidade. E o restante, como na ladeira da velha? A mesma situação entre Pacajá e Anapu, com asfalto, mas… em trechos. De Anapu até a “princesinha do Xingu”, como é conhecida Altamira, aí sim, temos asfalto. Graças à Belo Monte ou viria de qualquer jeito, pois já estava na hora?
Voltando ao roteiro com a precisão parecida de um GPS, o senhor lembra como era o trecho Moju/Tailândia? O senhor sempre viajou de carro nesse trecho ou, ainda, até Altamira? Faço a pergunta, pois recentemente, foi exibido as condições da estrada que liga Medicilândia até Uruará, em pouco mais de 90 quilômetros. O senhor viu?

Atoleiro na BR-230 (Foto: Cristiane Prado)

A longa fila que se faz lá não é diferente da que se faz aqui pertinho, próximo a Anapu. Passageiros descendo de ônibus, motoqueiros caindo na lama, caminhões com mercadorias se estragando. Isso é o que nós vemos no período de chuvas. No verão, é uma maravilha, com a poeira e visibilidade quase zero. Mas isso está acabando, não? Graças ao nosso governador. “Só que não”.

Rio Xingu
Rio Xingu

O senhor falou também de locais que eu gostei de conhecer algum tempo atrás. Vitória do Xingu, Senador José Porfírio e Porto de Moz. A sinuosidade da estrada até Vitória já vitimou dezenas de pessoas, bem como a própria BR-230. O asfalto feito na gestão da ex-governadora não aguentou e precisou ser refeito.
Senador é lindo e mais bonito ainda, com o milagre dos quelônios no Tabuleiro do Embaubal. Tem uma estrada estadual (PA-167), mas só com “pá” e outros itens para se conseguir chegar. Porto de Moz? Lindas praias e povo acolhedor. Como todo o povo paraense, sabe bem o senhor.
Não estou criticando os textos. Poxa, quem não conhecer a cachoeira e a caverna aqui pertinho, no Brasil Novo, está perdendo um cenário lindíssimo. Quem não gostar de comer um tucunaré aqui em Altamira não sabe o que é saborear um peixe delicioso, como o caratinga, a “cara” de Souzel e Porto de Moz.
Medicilândia tem a fábrica de chocolate, mas o jornal em que o senhor escreve colocou uma nota dizendo que a primeira fábrica de chocolate do Norte será na bucólica ilha de Mosqueiro, em Belém. Chamamos isso de “barrigada”.
Voltando para nossa região transamazônica, queria ver o senhor, nosso governador e os assessores, fazendo o roteiro que o senhor tão bem descreveu. Com fotos e vídeos, por favor, pois em tempo de internet, muita imagem fraudulenta anda rolando na teia mundial.

Travessia do Rio Xingu (Belo Monte)
Travessia do Rio Xingu (Belo Monte)

Aproveite e coma um peixinho frito lá na comunidade Belo Monte, que nunca acerto se é do Pontal ou não.
Faça isso enquanto espera a balsa que demora incríveis 10 a 15 minutos de travessia, pois ponte não existe ali.
Fica o convite.

Mudar é preciso

ImagemDentre tantos conceitos encontrados na internet, para a palavra jornalista, alguns comparam o profissional ao abutre. Não que eu concorde, até porque já senti na pele o que é ser jornalista, mas na semana passada, o grasnado não veio de quem portava um microfone ou uma câmera. A presa foi um jornalista e toda a liberdade de imprensa. O predador crocitante foi uma minoria que, através de uma “tática de ação direta, de corte anarquista (…) mascarados e vestidos de preto, para protestar em manifestações de rua”, assistiu extática um rojão acertá-lo.
Manifestar não é agredir, atacar ou assassinar. Se desta vez foi um repórter cinematográfico o atacado, em outras a polícia também atacou. Como uma conhecida comentou, são dois pesos, logo, seriam duas medidas?
O motivo dos protestos, o aumento das passagens municipais, com esse homicídio tomou outra proporção. Qual dimensão poderia ter para que o país mudasse, as leis fossem alteradas e a sociedade pudesse ser mais justa e igualitária?
Utopia? Pode até ser. Mas para a filha do profissional da comunicação, o trecho da música que diz “eu tantas vezes vi meu pai chegar cansado, mas aquilo era sagrado, um por um ele afagava” será ouvido num tom marcado pela melancolia e saudade. Pelo menos, o assobio abafará o grito. No silêncio de um quarto de hospital, como a mesmo escreveu, eram somente os dois, pai e filha, na despedida mais linda que ela poderia ter.

Santa inocência perdida, Batman!

ImagemMenores presos em postes. Adolescentes envolvidos em crimes. Crianças sendo jogadas de veículos em movimentos. Isso foi ontem.
Agora, prefeito, cargo máximo na administração pública municipal, acusado de pedofilia. E mais recentemente, professora flagrada fazendo sexo oral em jovem de 13 anos. Como diria o Robin (personagem de HQ), “santa perda da inocência”.
No Amazonas, o político já está preso desde o último sábado (8), após se entregar. Contra ele, acusações de abusar sexualmente de meninas, fora outros – pelo menos 70 – processos. Pra variar, morosidade judicial ou benefícios pelo cargo?
Atravessando o país no sentido longitudinal, uma docente aparece em vídeo publicado na internet com um menor. O garoto e o pai já prestaram depoimento. O que pode ser negado se ela foi pega com a “boca no trombone”? Agora ela está preocupada com a repercussão do caso e também já se apresentou à polícia.
Duas situações em que crianças aparecem como vítimas.
A espetacularização da mídia em torno do sexo parece contribuir com um cenário que, pra mim, parece ser cada vez mais agravante. Menores iniciando na vida sexual muito mais cedo. Músicas com duplo sentido incentivando meninas e meninos à prática sexual. Programas em que o que conta é mostrar os seios, fazer sexo sob o edredom e bebida alcoólica à vontade.
Não se tem mais pudor ao se falar sobre um assunto que já foi tabu e, hoje, está escancarado nas conversas escolares, televisivas e publicado em jornais.
Podem até me chamar de “careta”, mas com o passar do tempo, parece que realmente, a “santa inocência” está com os dias contados.