Mudar é preciso

ImagemDentre tantos conceitos encontrados na internet, para a palavra jornalista, alguns comparam o profissional ao abutre. Não que eu concorde, até porque já senti na pele o que é ser jornalista, mas na semana passada, o grasnado não veio de quem portava um microfone ou uma câmera. A presa foi um jornalista e toda a liberdade de imprensa. O predador crocitante foi uma minoria que, através de uma “tática de ação direta, de corte anarquista (…) mascarados e vestidos de preto, para protestar em manifestações de rua”, assistiu extática um rojão acertá-lo.
Manifestar não é agredir, atacar ou assassinar. Se desta vez foi um repórter cinematográfico o atacado, em outras a polícia também atacou. Como uma conhecida comentou, são dois pesos, logo, seriam duas medidas?
O motivo dos protestos, o aumento das passagens municipais, com esse homicídio tomou outra proporção. Qual dimensão poderia ter para que o país mudasse, as leis fossem alteradas e a sociedade pudesse ser mais justa e igualitária?
Utopia? Pode até ser. Mas para a filha do profissional da comunicação, o trecho da música que diz “eu tantas vezes vi meu pai chegar cansado, mas aquilo era sagrado, um por um ele afagava” será ouvido num tom marcado pela melancolia e saudade. Pelo menos, o assobio abafará o grito. No silêncio de um quarto de hospital, como a mesmo escreveu, eram somente os dois, pai e filha, na despedida mais linda que ela poderia ter.

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