Sabe de nada, inocente.

Ser “ordinária” é palavrão? É o quê?
Tanta coisa desrespeitando as mulheres. As músicas que milhares de jovens cantam diariamente, então, nem se fale. “Sobe o vestidinho”, “tá doida, é?”, “arrocha que ela gosta” e por aí vai, são exemplos, mas a palavra “ordinária”, não pode.
Exploração dos corpos femininos em programas de auditório ou reality show… ah, isso pode!
Enquanto a criatividade e o comércio online forem podadas desse jeito (afinal, são quatro produtos vendidos por minuto), tem gente que realmente não sabe de nada. Tudo inocente. Ordinários!
625_315_1401314903conar_tira_ar_comercial_compadre_washigtonMotivo do texto? Conar considerou o anúncio “desrespeitoso” para as mulheres, após a reclamação de cerca de 50 pessoas que se sentiram ofendidas com o bordão.
Para constar, o Houaiss possui as seguintes acepções:
 adjetivo
1 conforme ao costume, à ordem normal; comum
Ex.: fatos o.
2 que se repete regularmente, ou se faz presente a todo instante
Exs.: o médico fazia visitas o. aos pacientes
respondeu-me com seu o. mau humor
3 sem brilho, sem destaque; medíocre
Ex.: espírito o.
4 de pouca ou má qualidade; inferior
Ex.: tecido o.
5 Derivação: por metáfora.
de fraco valor moral ou intelectual; mesquinho, reles
Ex.: sentimentos o.
6 Derivação: por metáfora.
que tem ou denota má educação ou falta de caráter
Exs.: atitudes o.
aquele sujeito o. enganou-me anos a fio
7 Derivação: por metáfora.
indecente, obsceno

 substantivo masculino
8 o que é comum, frequente
9 indivíduo grosseiro, indecente, ou de má índole, mau-caráter
Ex.: aquele o. não ousará comparecer à festa
10 Rubrica: termo eclesiástico.
qualquer superior eclesiástico
11 Rubrica: música.
composição, em compasso binário simples, destinada à marcha regular das tropas

Ordinária
 substantivo feminino
1 tença, gratificação, esp. prestação ou pensão alimentícia, a que se compromete certa pessoa ou instituição com alguém, fornecida regularmente a cada mês, trimestre, semestre ou ano, podendo constar de certa importância ou determinada porção de gêneros
2 despesa, gasto periódico, diário, mensal ou anual

Realmente, o que é comum é ouvir trechos de músicas indecentes ou medíocres, como certos políticos ou artistas ordinários.

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Doce, doce, doce…

O SER, verbo que vinha com várias virtudes para os homens de bem, já foi explicado por vários filósofos e tinha como base o conhecimento, os valores morais etc.
Daí, com o consumismo desenfreado alimentado pela propaganda, a essência de quem você era deu espaço para o TER. Quais itens você possui, quantos você possui e como você usufrui disso é o que contava. Os homens de bem se tornaram homens de bens.
Passada essa fase e, novamente a mídia, junto à sociedade concordaram que não adiantava só ser e ter se você não pudesse ostentar (ou tentar) para ou outros. Como exemplo, é só reparar no padrão de vestuário imposto por programas de TV ou a beleza física de (pseudo)celebridades. Agora, tinha-se que (A)PARECER.
E é daí que surgiu a vontade de opinar sobre um assunto bastante comentado em Altamira.
A violência cometida por justiceiros contra uma mulher que foi morta covardemente por apresentar semelhança com um “retrato falado” e divulgado nas redes sociais foi amplamente discutido na TV. Não se preocupou em saber quem ela ERA, mas o fato dela ter a aparência de alguém, selou o destino dela.
Aqui, a repercussão do acidente em que um rapaz vitimou dois ambulantes foi a tônica. Novamente, as pessoas foram juízes e, dessa vez, não carrascos, como lá em São Paulo.
Acontece que, assim como nas grandes cidades, a turma que gosta de ostentar o que foi conseguido, muitas das vezes (não digo que é o caso) de forma fácil, revolta os que não possuem o mesmo padrão social/financeiro. Mas isso não é por inveja. Pelo contrário, é por saber que se vive em um país onde a impunidade ainda está estampada em todos os lugares.
As críticas tecidas na rede mundial e nos smartphones deveriam ser dirigidas à postura e não aos laços familiares, por mais que esses contribuam para a formação do indivíduo, positiva ou negativamente. Entretanto, o SER por TER e APARECER causou indignação aos homens de bem, principalmente por não se tratar de ato isolado.
Você pode até discordar, mas há de convir que com o advento da internet, a velocidade com que os fatos (e fotos) derrubam fronteiras e chegam em todos os cantos é quase que instantânea. Não importa quem você seja, o que tenha ou o que aparenta. O mundo está te observando e julgando seu comportamento.
Se a vida era um “doce, doce, doce”, saber que pessoas inocentes foram machucadas, não a deixa mais amarga? Ou basta mudar de música?

Agradecimentos ao mestre Paulo Jorge, salvo engano, por ter tocado nesse assunto (ser, ter e aparecer) em uma das aulas.

Um vazio…

vazioUm vazio. Talvez esse adjetivo demonstre o quanto não surpreendeu o baixo número de pessoas presentes na Câmara Municipal para ouvir e discutir um assunto tão comentado em toda a cidade. Na pauta da sessão extraordinária, os transtornos causados pelas obras que prometem um sistema de abastecimento de água e das redes de coleta de esgoto em Altamira.
Apesar da repercussão que o tema aparentemente merecia – além de ser uma novidade para a região -, os discursos pareciam estar bem ensaiados e, mesmo assim, os representantes das empresas convocadas, bem como da Companhia de Saneamento do Estado do Pará (Cosanpa), não chegavam a um consenso.
Pode-se pensar que a ausência de um número mais expressivo de moradores indignados com a atual situação em que as vias de Altamira se encontram ocorra por algum descrédito que as empresas e aquela casa de leis – não falo de vereadores – possuem junto à população.
Pressupõe-se também, pela qualidade do que se vê, um despreparo técnico ou muita precariedade no material utilizado nos serviços realizados depois que os trabalhos de escavação acontecem.
Não obstante a indignação de algumas pessoas não condizer com a proposta da sessão e que citaram, por exemplo, o reassentamento indígena, o barramento do rio e a construção da hidrelétrica, o intermediador dos debates parecia estar perdido e nem sequer lembrou-se de enfatizar que o assunto era a lama, o buraco, a poeira e o desconforto causado pelos fechamentos de ruas em praticamente todos os bairros.
A emaranhada teia de interesses políticos e financeiros de alguns parece sobressair-se ao dia-a-dia de milhares de altamirenses. A expressão que no “meio do buraco tem asfalto” comprova a inoperância do sistema viário municipal por causa desse “desenvolvimento”.
Enquanto uma meia dúzia de “representantes dos interesses coletivos” se divertem com o dinheiro para o financiamento de projetos que, na prática, não atendem a todos, a população fica com a mesma coisa que resta, quando não chove, dentro de um grande buraco. O vazio.
Também deve-se destacar a postura do Ministério Público Federal, presente na reunião e com sugestões plausíveis para uma possível remediação dessa problemática que parecia não ter fim.
Vale ressaltar que, no meio desse fogo cruzado de mentiras, existem cidadãos que buscam a verdade. O problema volta a ser onde encontrá-la. Nos noticiários locais? Nas respostas evasivas dos representantes das empresas dentro de seus escritórios “blindados”? Na revolta da oratória inflamada, mas flambada com dinheiro público e privado?
Infelizmente, a imprensa quase não tem acesso ao que ocorre nos bastidores onde os “de cima” se reúnem para planejarem como ficará a cidade. Esse município banhando por um lindo rio e de povo tão acolhedor, mas definitivamente passivo.
Um povo que padece, calado, com os preços inflacionados de vários itens de consumo. Preços que crescem à medida que aumentam o tamanho dos buracos e o ritmo das obras.
Ainda deve-se agradecer a atitude positiva de alguns vereadores que diuturnamente se colocam à disposição de quem precisa, não com assistencialismo, mas através de esclarecimentos sobre o que acontece no município. Pelo menos isso ficou, mas será que ficará algo mais?
Por enquanto, o que fica mesmo é, de novo, um vazio. Um enorme vazio. Que nem o da Câmara.

Viu o tal clipe oficial da #Copa2014? Um monte de peito, bundas e nossa! o Brasil só tem gente gostosa?

Como diria o antropólogo, “o que faz o brasil, Brasil?”.

Marli Gonçalves

Reclamam, mas deem uma olhada no tal filmete. Propaganda sexual, com as muié tudo com abajur de b… e mulatas rebolando e …
Pergunto:
– Quem é esse cara que parece o Paulo Gustavo?
– Que coisa mais ininteligível é essa?

– O que a Jennifer Lopez tem a ver com tudo isso?
Nossa, acho que detestei. Mas veja você mesmo.

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Mães

maeMães que geram, que criam, que cuidam, que choram, que riem, que amamentam, que balançam, que cantam, que ninam, que trocam, que acariciam, que acalentam, que amam.
Há mães meninas, mulheres, avós, sós. Há mãe(drastas).
Tem pai que é mãe. Tem mãe que é pai. Tem filhos das mães que erram e as magoam.
Tem mães sem filhos porque já foram. Tem filhos sem mães porque elas se foram.
Mães de todos os tipos. Tipos que podem ser encontrados em milhares de mães.
Há mães batalhadoras, trabalhadoras, cozinheiras, faxineiras, bancárias, médicas.
Há mães que só geraram, mas não deixam de ser mãe. Há mães que não geraram, mas se tornaram mães, de alguma forma.
Há mães que pecam, matam, somem, sufocam, se perdem por diversas razões. Seria m(á)ães?
Tantas mães. Tontos filhos. Embriagados de amor ou saudade que ficou.
Mães. Simplesmente…
Mães.

Pequena e singela homenagem para minhã mãe (casa da mãe Joana), para minha esposa Denise e todas as mães que conheço.

Como nossos pais?

Foto: ‏Reprodução/Twitter
Foto: ‏Reprodução/Twitter

A imprudência de um irresponsável em segurar uma criança (próprio filho?) do lado de fora em uma praia paraense demonstra o nível de educação que temos e que está sendo difundido pela mídia, inclusive, pelos “novos cantores”.
Uma prova? “Quando ela bebe, ela fica louca (…) a gata endoidou e deu uma empinadinha em mim (…) arrocha nela, arrocha (…) 10% de ‘energético’, 10% de água de coco, 80% de whisky (…)”, são exemplos de o quanto está se valorizando educar com consciência. Os clipes musicais são de igual qualidade. Mulheres vestidas com roupas curtas, como biquínis; carros importados e bebidas alcoólicas. É a valorização da ostentação, que passa longe de milhares de jovens que repetem os refrãos que acabam grudando, como chiclete. Mais do que isso. Ninguém percebe a desvalorização da mulher, do homem e seu lepo-lepo. É rir de si próprio, do ser humano e de ser humano.
A violência que assola e adentra em escolas e residências é fruto de quê?

Fonte: www.fetems.org.br
Foto: http://www.fetems.org.br

Recentemente, eu vi um antigo aluno ser preso acusado de tráfico. Como é difícil a educação no nosso país. Aluno preso, escolas arrombadas, professores acuados, pais desesperados. Hoje, um garoto simplesmente pegou a lata de refrigerante que tomava e jogou no meio da rua. Sem cerimônia, sem preocupação com nada.
A imprensa televisiva ou impressa ou “virtual” nos ajuda a entender essa banalização da vida. Aquelas conversas de que “fulano matou por causa de R$ 0,10” já não nos assusta. O jovem universitário que foi morto ao reagir por causa do celular não nos assusta. Nos revolta, é bem verdade. Mas não nos mete mais nenhum tipo de pudor ou mudança de postura. Se bem que o “gigante” que acordou ano passado… Bem, deixa pra lá.
Mas não é só a banalização da vida. A vontade de algumas dezenas em cheirar, tocar ou ver a morte de perto é grande também. No caso da jovem que foi atropelada e que ganhou uma ghost bike foi deprimente ouvir e ver gente pedindo para que se levantasse o pano que cobria o imóvel e gélido corpo que aguardava remoção. Aprendemos a nos acostumar com tanta desgraça que não nos damos conta que isso ajuda a audiência e a publicidade venderem mais. É a banalização da morte.
Se a popozuda virou pensadora, me aproprio de outro pensador: “O que é a vida? É o princípio da morte. O que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue. O que é o sangue? É a razão da existência”.
Além da vida promíscua e repetida em letras de caráter e qualidade duvidosos, vemos os próprios pais “lavarem as mãos” em muitas situações, vide o monstro (me recuso a chamá-lo de cidadão) lá na praia. Capaz de estar ouvindo uma dessas músicas-chicletes que ajudam a (des)valorizar as pessoas.
A mesma que ouvíamos como nossos pais, quando os chamávamos de caretas? Eu sou careta.