Como nossos pais?

Foto: ‏Reprodução/Twitter
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A imprudência de um irresponsável em segurar uma criança (próprio filho?) do lado de fora em uma praia paraense demonstra o nível de educação que temos e que está sendo difundido pela mídia, inclusive, pelos “novos cantores”.
Uma prova? “Quando ela bebe, ela fica louca (…) a gata endoidou e deu uma empinadinha em mim (…) arrocha nela, arrocha (…) 10% de ‘energético’, 10% de água de coco, 80% de whisky (…)”, são exemplos de o quanto está se valorizando educar com consciência. Os clipes musicais são de igual qualidade. Mulheres vestidas com roupas curtas, como biquínis; carros importados e bebidas alcoólicas. É a valorização da ostentação, que passa longe de milhares de jovens que repetem os refrãos que acabam grudando, como chiclete. Mais do que isso. Ninguém percebe a desvalorização da mulher, do homem e seu lepo-lepo. É rir de si próprio, do ser humano e de ser humano.
A violência que assola e adentra em escolas e residências é fruto de quê?

Fonte: www.fetems.org.br
Foto: http://www.fetems.org.br

Recentemente, eu vi um antigo aluno ser preso acusado de tráfico. Como é difícil a educação no nosso país. Aluno preso, escolas arrombadas, professores acuados, pais desesperados. Hoje, um garoto simplesmente pegou a lata de refrigerante que tomava e jogou no meio da rua. Sem cerimônia, sem preocupação com nada.
A imprensa televisiva ou impressa ou “virtual” nos ajuda a entender essa banalização da vida. Aquelas conversas de que “fulano matou por causa de R$ 0,10” já não nos assusta. O jovem universitário que foi morto ao reagir por causa do celular não nos assusta. Nos revolta, é bem verdade. Mas não nos mete mais nenhum tipo de pudor ou mudança de postura. Se bem que o “gigante” que acordou ano passado… Bem, deixa pra lá.
Mas não é só a banalização da vida. A vontade de algumas dezenas em cheirar, tocar ou ver a morte de perto é grande também. No caso da jovem que foi atropelada e que ganhou uma ghost bike foi deprimente ouvir e ver gente pedindo para que se levantasse o pano que cobria o imóvel e gélido corpo que aguardava remoção. Aprendemos a nos acostumar com tanta desgraça que não nos damos conta que isso ajuda a audiência e a publicidade venderem mais. É a banalização da morte.
Se a popozuda virou pensadora, me aproprio de outro pensador: “O que é a vida? É o princípio da morte. O que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue. O que é o sangue? É a razão da existência”.
Além da vida promíscua e repetida em letras de caráter e qualidade duvidosos, vemos os próprios pais “lavarem as mãos” em muitas situações, vide o monstro (me recuso a chamá-lo de cidadão) lá na praia. Capaz de estar ouvindo uma dessas músicas-chicletes que ajudam a (des)valorizar as pessoas.
A mesma que ouvíamos como nossos pais, quando os chamávamos de caretas? Eu sou careta.

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