Doce, doce, doce…

O SER, verbo que vinha com várias virtudes para os homens de bem, já foi explicado por vários filósofos e tinha como base o conhecimento, os valores morais etc.
Daí, com o consumismo desenfreado alimentado pela propaganda, a essência de quem você era deu espaço para o TER. Quais itens você possui, quantos você possui e como você usufrui disso é o que contava. Os homens de bem se tornaram homens de bens.
Passada essa fase e, novamente a mídia, junto à sociedade concordaram que não adiantava só ser e ter se você não pudesse ostentar (ou tentar) para ou outros. Como exemplo, é só reparar no padrão de vestuário imposto por programas de TV ou a beleza física de (pseudo)celebridades. Agora, tinha-se que (A)PARECER.
E é daí que surgiu a vontade de opinar sobre um assunto bastante comentado em Altamira.
A violência cometida por justiceiros contra uma mulher que foi morta covardemente por apresentar semelhança com um “retrato falado” e divulgado nas redes sociais foi amplamente discutido na TV. Não se preocupou em saber quem ela ERA, mas o fato dela ter a aparência de alguém, selou o destino dela.
Aqui, a repercussão do acidente em que um rapaz vitimou dois ambulantes foi a tônica. Novamente, as pessoas foram juízes e, dessa vez, não carrascos, como lá em São Paulo.
Acontece que, assim como nas grandes cidades, a turma que gosta de ostentar o que foi conseguido, muitas das vezes (não digo que é o caso) de forma fácil, revolta os que não possuem o mesmo padrão social/financeiro. Mas isso não é por inveja. Pelo contrário, é por saber que se vive em um país onde a impunidade ainda está estampada em todos os lugares.
As críticas tecidas na rede mundial e nos smartphones deveriam ser dirigidas à postura e não aos laços familiares, por mais que esses contribuam para a formação do indivíduo, positiva ou negativamente. Entretanto, o SER por TER e APARECER causou indignação aos homens de bem, principalmente por não se tratar de ato isolado.
Você pode até discordar, mas há de convir que com o advento da internet, a velocidade com que os fatos (e fotos) derrubam fronteiras e chegam em todos os cantos é quase que instantânea. Não importa quem você seja, o que tenha ou o que aparenta. O mundo está te observando e julgando seu comportamento.
Se a vida era um “doce, doce, doce”, saber que pessoas inocentes foram machucadas, não a deixa mais amarga? Ou basta mudar de música?

Agradecimentos ao mestre Paulo Jorge, salvo engano, por ter tocado nesse assunto (ser, ter e aparecer) em uma das aulas.

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