Um vazio…

vazioUm vazio. Talvez esse adjetivo demonstre o quanto não surpreendeu o baixo número de pessoas presentes na Câmara Municipal para ouvir e discutir um assunto tão comentado em toda a cidade. Na pauta da sessão extraordinária, os transtornos causados pelas obras que prometem um sistema de abastecimento de água e das redes de coleta de esgoto em Altamira.
Apesar da repercussão que o tema aparentemente merecia – além de ser uma novidade para a região -, os discursos pareciam estar bem ensaiados e, mesmo assim, os representantes das empresas convocadas, bem como da Companhia de Saneamento do Estado do Pará (Cosanpa), não chegavam a um consenso.
Pode-se pensar que a ausência de um número mais expressivo de moradores indignados com a atual situação em que as vias de Altamira se encontram ocorra por algum descrédito que as empresas e aquela casa de leis – não falo de vereadores – possuem junto à população.
Pressupõe-se também, pela qualidade do que se vê, um despreparo técnico ou muita precariedade no material utilizado nos serviços realizados depois que os trabalhos de escavação acontecem.
Não obstante a indignação de algumas pessoas não condizer com a proposta da sessão e que citaram, por exemplo, o reassentamento indígena, o barramento do rio e a construção da hidrelétrica, o intermediador dos debates parecia estar perdido e nem sequer lembrou-se de enfatizar que o assunto era a lama, o buraco, a poeira e o desconforto causado pelos fechamentos de ruas em praticamente todos os bairros.
A emaranhada teia de interesses políticos e financeiros de alguns parece sobressair-se ao dia-a-dia de milhares de altamirenses. A expressão que no “meio do buraco tem asfalto” comprova a inoperância do sistema viário municipal por causa desse “desenvolvimento”.
Enquanto uma meia dúzia de “representantes dos interesses coletivos” se divertem com o dinheiro para o financiamento de projetos que, na prática, não atendem a todos, a população fica com a mesma coisa que resta, quando não chove, dentro de um grande buraco. O vazio.
Também deve-se destacar a postura do Ministério Público Federal, presente na reunião e com sugestões plausíveis para uma possível remediação dessa problemática que parecia não ter fim.
Vale ressaltar que, no meio desse fogo cruzado de mentiras, existem cidadãos que buscam a verdade. O problema volta a ser onde encontrá-la. Nos noticiários locais? Nas respostas evasivas dos representantes das empresas dentro de seus escritórios “blindados”? Na revolta da oratória inflamada, mas flambada com dinheiro público e privado?
Infelizmente, a imprensa quase não tem acesso ao que ocorre nos bastidores onde os “de cima” se reúnem para planejarem como ficará a cidade. Esse município banhando por um lindo rio e de povo tão acolhedor, mas definitivamente passivo.
Um povo que padece, calado, com os preços inflacionados de vários itens de consumo. Preços que crescem à medida que aumentam o tamanho dos buracos e o ritmo das obras.
Ainda deve-se agradecer a atitude positiva de alguns vereadores que diuturnamente se colocam à disposição de quem precisa, não com assistencialismo, mas através de esclarecimentos sobre o que acontece no município. Pelo menos isso ficou, mas será que ficará algo mais?
Por enquanto, o que fica mesmo é, de novo, um vazio. Um enorme vazio. Que nem o da Câmara.

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