Herrar é umano! Zerar também!

Mais de meio milhão de nota zero no Enem 2014
Mais de meio milhão de nota zero no Enem 2014

“Gezuis, derrepente mim deu vontade de fala sobre augo que já mi encomoda faiz tempo mais não sei se é só com migo estariao ozoutros errados?”.
Sim, amigo leitor, isso é possível, principalmente se você tiver um pouquinho de paciência para procurar em comentários pelas mídias sociais. Daí buscar a origem de erros como esse ou “homenage”, “almentar” ou da troca constante de “mas” por “mais” e vice-versa é mais complicado. Ainda se escreve “fala” no lugar do infinitivo “falar”.
Ortografia à parte, o início de mais um ano letivo pode transformar essa realidade para pior ou não. Com o alto índice de nota zero na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a perspectiva para os jovens conseguirem se expressar não é nada boa.
O reflexo para isso se resume na afirmação de um ilustre professor: “não se lê mais”. Tudo agora são abreviações ou modismos/muletas da língua. O verbo colocar, por exemplo, ganhou fama e ninguém mais veste, calça ou larga as coisas.
Sem leitura, sem escrita. Assim, de que forma então incentivar quem há anos perdeu esse hábito e vai encarar o ensino médio com sua literatura, filosofia ou sociologia? Mais ainda, em que condições esse jovem chegará ao mercado de trabalho se ele escreve como fala. “Nós vai” ficar perdidos.
Se a educação é a base para tudo, o berço para um amanhã promissor, ela teria que possuir investimentos não só dos governos, mas dentro de casa. Não que os pais tenham que sair comprando gramáticas por aí, mas até mesmo os de livros de ficção, desses que se dividem em três ou quatro edições, ajudariam na produção textual.
A língua materna, aquele primeiro idioma que se aprende, padece cada vez mais. Quando menos de 1% dos candidatos conseguem tirar a nota máxima em uma avaliação nacional, algo comprovadamente está torto. Fica “difício” acreditar.
Da mesma maneira não dá para aceitar a figura – não a língua – materna justificar o ingresso de uma filha no ensino superior por descobrir um erro no processo seletivo e, após ser questionada, disparar para todos os lados que outros pais já pediram documentos fraudulentos ou com essa “brecha”, assim, com “ch”.
É a validação da incompetência de alguns somada ao despreparo de anos de ensino de má qualidade ou do que era lido.
Como avaliou o jornalista Alexandre Garcia, a língua portuguesa pode virar um dialeto confuso. “Infelismente”, só podemos aguardar um futuro tenebroso se não mudarem os costumes.
Que os bons livros e professores nos ajudem!

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Mais um ano…

Soa ridícula uma velha recomendação dos pais. “Meu filho, não beba”, pedem muitos. “Pai, o senhor sabe que não gosto disso”, respondem os jovens. Pura mentira e hipocrisia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool mata anualmente cerca de 320 mil jovens e é uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil.
Dados recentes demonstram que é por volta dos 12 anos de idade que se inicia o consumo de álcool e, muitas das vezes, dentro de casa. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que quase 35% dos consumidores tiveram o primeiro contato com a bebida alcoólica entre os 15 e os 17 anos.
Em uma festa que estive recentemente, pude constatar o que os índices apontaram: o jovem bebe. O que surpreendeu foi ver rapazes oferecendo copos com uísque ou cerveja para meninas de 14, 15 ou 16 anos. Mais espantoso ainda é que muitas é que pediam. “Não quero parecer a careta”, ouvi de uma. Modismo entre a turminha da escola? Os pais não recomendaram? Esses amigos são “os certos”?
Não pretendo discutir se do copo para cigarros ou pedras é um passo ou uma longa estrada. Por falar em estrada, quem nunca viu um rapaz ou moça sair de uma loja de conveniência com a latinha na mão e dirigir? A mesma pesquisa quantificou que 24,3% dos que consomem álcool já dirigiram sob o efeito dele. Preocupante? Alarmante!
Em agosto de 2014, após um show realizado em Belém (PA), uma motorista perdeu o controle do veículo, capotou várias vezes e bateu em outro automóvel estacionado. Três pessoas morreram. A cena se repete por tantas outras capitais e cidades do interior.
Se não é o condutor que morre, ele atropela e mata. Muitas das vezes, o irresponsável (homicida?) foge do local alegando “medo de ser linchado”. Seria isso ou a sensação de impunidade que tanto paira sobre o Brasil em todos os setores?
Infelizmente, em nosso país, tão rico em belezas naturais, a feiura se sobressai com o comportamento egoísta de jovens e adultos que parecem se esconder no manto do sobrenome familiar ou do cargo que exerce. É o famoso “sabe com quem está falando?”.
Basta vermos os escândalos que aparecem nos noticiários por aí e, como se comenta nas rodas de bar, “não vão dar em nada”.
O mais recente, a máfia das próteses, se mostra a cara do Brasil.
Parece que fomos um país que tentou se levantar, mas por ter ficado engessado tempo demais, se acamou novamente.
E assim se inicia mais um ano.

Muitos cometem o mesmo crime com resultado bem diferente: uns carregam uma cruz pelo crime; outros, uma coroa.
Décimo Júnio Juvenal, poeta romano