Para os amigos da imprensa regional

Para tirar zero em redação, muitos nem chegaram a escrever.
Tirar zero em redação não é algo que se consiga de um ano para outro. Isso é resultado de muitos anos de falta de leitura e falta curiosidade que aprimoram a ferramenta da comunicação, que é a língua, e o conteúdo dela, que é o conhecimento. Sem conteúdo, é o vazio. E com vazio não se faz um cidadão nem um país e muito menos uma redação. Quase 10% de nota zero e apenas 0,004% de nota máxima não são boas notícias.
Os empregadores no Brasil têm uma grande queixa: as pessoas não entendem as instruções e não conseguem se expressar com clareza. E a língua, que é uma das bases da nação tanto quanto o território, está virando um dialeto confuso em que dá bom dia a todos e todas. Chama a presidente de presidenta, com modismos horríveis como ‘vou estar fazendo’, ‘o governador ele disse’ e outras esquisitices.
Com falta de leitura, o vocabulário é limitado, e aí se usam palavras mais compridas para ter tempo de achar a palavra seguinte. Avião virou aeronave, fim de semana virou final de semana, vender é comercializar, oferecer virou disponibilizar, ver virou visualizar, crime é criminalidade, arma virou armamento.
E ainda se apoiam em muletas da língua: não se veste a camisa e não se calça o sapato, apenas se coloca. Passageiro, hóspede, paciente, frequentador, virou usuário. A nossa língua já é muito pouco conhecida no mundo, mas ser pouco conhecida no nosso próprio país isso nos emudece um pouco.
(Alexandre Garcia, jornalista)

Fonte: ‘Língua está virando um dialeto confuso’, comenta Alexandre Garcia

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Mea culpa*

Há tempos eu ouvi uma comparação que dizia que “na Alemanha de Hitler, tudo era proibido, inclusive o permitido. No EUA do Obama, tudo é permitido, exceto o proibido. No Brasil, tudo é permitido, inclusive o proibido”. Essa ‘piada’ parece cada vez mais ser o centro de tudo que a imprensa brasileira gosta, principalmente a televisiva. Mas não só ela.
Casos de crimes – e não criminalidade – tendem a aumentar na mesma proporção em que descobrimos os seus autores. Não é matemática simples, mas simplesmente uma arte de corromper.
O cidadão que busca na fila do banco querer uma senha para atendimento sem aguardar; a mulher que estaciona em fila dupla enquanto aguarda o filho sair da escola; o contribuinte que busca um amigo para diminuir o impacto de um imposto; o profissional que telefona para o médico atrás daquele atestado para faltar ao trabalho. Todos (os?) brasileiros. Todos personagens de uma mesma teia tecida há muitos anos. E quem irá dizer que não existe razão? Por onde vamos, sempre vemos ou sabemos ou ouvimos alguém falar que fez aquilo porque: 1 – não sabia que não podia; 2 – foi rapidinho; 3 – fulano fez; 4 – “sabe com quem tá falando?”. Quase sempre, a desculpa dá espaço a uma falsa argumentação e ela, por sua vez, parece cobrir as mesmas vestes de velhos políticos corriqueiros em se justificar tão rapidamente por saberem que a impunidade (ELA) os livrará.
Não existe ninguém perfeito além de Deus (para os que Nele creem). Não existe alguém que possa escapar de praticar atos falhos porque somos falhos. O importante não é pedir desculpas e sim, pelo contrário, reconhecer o erro. Seja da locação atrasada e dizer que foi culpa do trânsito para não pagar uma diária a mais; comprar o medicamento sem receita porque a esqueceu em casa; atender a ligação do celular enquanto dirige porque era importante.
Se cada indivíduo faz parte de um todo, o todo tende a cair quando um erra. Mas não podemos condenar a sociedade por completo, visto que somos ela mesma.
Para quem comete um erro, fica a dica que contraria o início do texto: “o proibido deve continuar proibido enquanto o permitido estiver valendo”. Não importa “com quem estou falando”.

*Expressão em Latim que significa “minha culpa”, popularizada através da oração católica do Confiteor, na Missa de Rito Latino, em que aquele que ora manifesta a sua culpa e o seu arrependimento de ter pecado. (Fonte: http://www.dicionarioinformal.com.br/mea-culpa/)

Caminhada de protesto contra violência a crianças e adolescentes em Altamira

caminhada3Professores, servidores, pais, alunos, grupo de desbravadores e membros da sociedade civil organizada realizaram na última quarta-feira (4), uma caminhada pelas ruas ao redor da escola municipal José Edson Burlamaqui de Miranda, em Altamira, no sudoeste paraense.
O movimento é parte da campanha que cobra das autoridades locais a diminuição dos índices de violência. Em parceria com o Conselho Tutelar da cidade, mais de 200 pessoas saíram às ruas. “Nós pedimos das autoridades e da sociedade uma resposta. A violência aumentou após o empreendimento da usina de Belo Monte. Estamos de mãos atadas sem saber por onde começar”, desabafou a conselheira tutelar, Maria Socorro.
A titular do Conselho, Francinete Malcher, citou outros crimes na região de Altamira. O município ficou bastante conhecido no início da década de 90. “Não é o primeiro caso de desaparecimento. Vale lembrar os episódios dos emasculados”, explicou.
Para a professora de língua portuguesa, Alice Pinheiro, a escola tem que trabalhar o assunto em sala de aula. “Nós sabemos que a violência aumentou na cidade. A escola, ao longo do ano, desenvolve em todas as disciplinas, um diálogo contra essa violência que se instalou em nossa cidade”, assegurou.
“Os nossos pais tem medo de irmos para a escola e acontecer alguma coisa”, comentou a estudante do nono ano, Israelly Ingrid. “A gente fala para eles terem esse cuidado”, completou a professora Alice.
Com o misterioso desaparecimento de Natan Moreira da Costa, no dia 25 de setembro do ano passado, Luzimar Moreira, mãe do garoto, participou da mobilização. “Não vamos descansar enquanto não tivermos notícias. A gente não pode se calar diante de tanta injustiça”, afirmou.
Fonte: EMEF José Edson Burlamaqui de Miranda