Mea culpa*

Há tempos eu ouvi uma comparação que dizia que “na Alemanha de Hitler, tudo era proibido, inclusive o permitido. No EUA do Obama, tudo é permitido, exceto o proibido. No Brasil, tudo é permitido, inclusive o proibido”. Essa ‘piada’ parece cada vez mais ser o centro de tudo que a imprensa brasileira gosta, principalmente a televisiva. Mas não só ela.
Casos de crimes – e não criminalidade – tendem a aumentar na mesma proporção em que descobrimos os seus autores. Não é matemática simples, mas simplesmente uma arte de corromper.
O cidadão que busca na fila do banco querer uma senha para atendimento sem aguardar; a mulher que estaciona em fila dupla enquanto aguarda o filho sair da escola; o contribuinte que busca um amigo para diminuir o impacto de um imposto; o profissional que telefona para o médico atrás daquele atestado para faltar ao trabalho. Todos (os?) brasileiros. Todos personagens de uma mesma teia tecida há muitos anos. E quem irá dizer que não existe razão? Por onde vamos, sempre vemos ou sabemos ou ouvimos alguém falar que fez aquilo porque: 1 – não sabia que não podia; 2 – foi rapidinho; 3 – fulano fez; 4 – “sabe com quem tá falando?”. Quase sempre, a desculpa dá espaço a uma falsa argumentação e ela, por sua vez, parece cobrir as mesmas vestes de velhos políticos corriqueiros em se justificar tão rapidamente por saberem que a impunidade (ELA) os livrará.
Não existe ninguém perfeito além de Deus (para os que Nele creem). Não existe alguém que possa escapar de praticar atos falhos porque somos falhos. O importante não é pedir desculpas e sim, pelo contrário, reconhecer o erro. Seja da locação atrasada e dizer que foi culpa do trânsito para não pagar uma diária a mais; comprar o medicamento sem receita porque a esqueceu em casa; atender a ligação do celular enquanto dirige porque era importante.
Se cada indivíduo faz parte de um todo, o todo tende a cair quando um erra. Mas não podemos condenar a sociedade por completo, visto que somos ela mesma.
Para quem comete um erro, fica a dica que contraria o início do texto: “o proibido deve continuar proibido enquanto o permitido estiver valendo”. Não importa “com quem estou falando”.

*Expressão em Latim que significa “minha culpa”, popularizada através da oração católica do Confiteor, na Missa de Rito Latino, em que aquele que ora manifesta a sua culpa e o seu arrependimento de ter pecado. (Fonte: http://www.dicionarioinformal.com.br/mea-culpa/)

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