Só nos restam canções de despedida

luta oficialUm universitário e uma criança.
No ônibus que o levaria para uma excursão, amigos o viram sucumbir diante de bandidos covardes que atiraram sem motivo aparente. O fisioterapeuta de amanhã, Lucas, teve a vida interrompida na madrugada.
Na festa de aniversário, coleguinhas viram criminosos trocarem tiros com um policial e a pequena Ana, de oito anos, sem culpa alguma, foi atingida e não resistiu. A incerteza profissional de uma menina ceifada durante uma comemoração.
Duas mortes e várias famílias abaladas.
O policiamento quando quer parece ser ostensivo, mas a segurança pública em Belém e no Estado parece viver de ostentação.
Já prenderam dois suspeitos do latrocínio do rapaz. Policiais ainda buscam os monstros que adentraram na comemoração infantil.
Esse é o futuro do país? Para quem cantamos parabéns?
O retrocesso animalesco do ser humano e o descaso das autoridades só nos permitem entoar canções de despedida e orar bastante à proteção divina. Só Ele para nos salvar e proteger.

Fonte: Vídeo teria flagrado invasão de bandidos a festa infantil no ParáEstudante de fisioterapia é morto durante assalto, em Belém

Anúncios

“Ovo e uva boa”

feira2Não tinha como escrever sobre a feira sem lembrar-me do meu amado avô que, infelizmente, não tive a oportunidade de me despedir e a última vez que o vi já tem 15 anos.
O velho Edgar sempre brincava quando saíamos para supermercados ou feiras gritando o que ele mesmo teria escutado lá pelas bandas de Bezerros e Camaragibe: “ovo e uva boa”.
Piada repetida milhares de vezes e já refrão de música popular, não tenho ideia de como surgiu essa expressão, mas ao visitar o novo “velho” mercado do bairro Brasília, aqui em Altamira, pareci ouvir, longe, a voz do seu Edgar.
À medida que ia andando pelos amplos espaços onde transitavam feirantes, ambulantes, camelôs e consumidores, os cheiros, as cores e as conversas se misturavam em um turbilhão frenético de palavras, aromas e tonalidades bem em frente a mim.
O espaço democrático em que se reúnem centenas de pessoas, durante certo horário em determinado dia da semana, não tem uma data precisa de origem.
Essa incógnita é rapidamente esquecida quando vemos no olhar de cada feirante ou produtor rural as marcas do tempo, da esperteza e do suor para colocar no prato de tantos desconhecidos o alimento do dia a dia. Barracas colocadas uma ao lado da outra vendendo o mesmo produto com preço diferente, mas o sorriso ou a maneira com que lhe atendem faz a diferença.
Num amplo mercado competitivo, literalmente, muitos administradores ou proprietários de grandes lojas poderiam entender que um sorriso, um bom dia ou apenas um olhar afetivo faz diferença para nós, clientes.
Enquanto na feira você pode ser você e se desfazer do uniforme do trabalho, algumas lojas têm funcionários que parecem estar no tripalium¹, de tanto mau humor ou incapacidade de entender que é dali que sai seu sustento.
Uma funcionária pública me disse uma vez que não queria aprender outros serviços porque seria cobrada ainda mais. Já outra, eu ouvi agradecer ao patrão por não liberar um equipamento – com certeza, nada barato – para não ter que decorar códigos.
Na feira, felizmente, não vi ninguém reclamando disso. Pelo contrário, ao invés de lamentações, vi muita alegria e não tristeza.
Também não vi meu avô, porém, sinceramente lembrei-me dele lá. Algumas vezes, em Belém, andávamos e conversávamos muito. E quando ele via um ambulante com carrinho cheio de frutas, ele sempre dizia: “ovo e uva boa”.
Não é que era boa mesmo a danada da uva?

1: Técnica de sofrimento obtida com três paus fincados no chão, aos quais era afixado o condenado, quando não empalado num deles até morrer.

Lágrimas para todos os lados

(Foto: Facebook/Jean Rodrigues)
(Foto: Facebook/Jean Rodrigues)

De um lado, agricultores. Do outro, um médico.
Lá, latrocínio. Aqui, tudo aponta para homicídios dolosos.
Na mídia nacional, só se fala na redução da maioridade penal, pois o suposto autor do assassinato de Jaime Gold tem 16 anos e 15 passagens pela polícia, a primeira com 12 anos de idade.
Na local, busca-se o motorista que atropelou e matou Leidilene Machado e Daniel Dias, além de deixar um adolescente, de 13 anos, machucado.
A repercussão e mobilização no Rio de Janeiro não tem menos importância que a dos manifestantes aqui no Pará, mais precisamente na região transamazônica.
Se um foi morto em um lindo cartão-postal, aqui o que se pode falar da rodovia BR-230?
A estrada, construída há décadas, ainda padece na região Norte de infraestrutura para o fluxo de veículos que transitam diariamente com cargas e pessoas.
O governo carioca culpa a justiça por soltar menores depois da apreensão deles.
E aqui? Quem é o responsável que será indiciado ou que assuma a culpa pelo descaso com que se trata agricultores, pescadores, índios, enfim, toda a população que vive no Xingu e ao longo da estrada, mais conhecida como “Transamargura”?
No Brasil inteiro, chora-se pelos médicos, agricultores, menores, trabalhadores etc.
Mas a lágrima, salgada, que sempre irá rolar e não é absorvida pelos que fazem as leis, somente lava o sangue que mancha o chão onde caem os corpos. Seja no ponto turístico ou em um longínquo ponto dos grandes centros?
Até quando?

Fontes: Carro fura bloqueio, atropela pessoas e deixa vítimas na TransamazônicaAdolescente suspeito de esfaquear e matar ciclista na Lagoa é apreendido

Professor educa ou apanha?

0357Há pouco menos de um mês, um cenário de confronto revoltou a sociedade brasileira. Professores de um lado e policiais, do outro. O choque entre duas categorias tão discriminadas deixou dezenas de educadores machucados, sendo pelo menos 15 em estado grave. As imagens da repreensão violenta correram o mundo.
Hoje, 14, outra imagem causa indignação. Uma professora que participava de manifestação em Medicilândia, no sudoeste do Pará, foi covardemente agredida por um vereador.
Em Parauapebas, outro nobre membro de uma câmara legislativa debocha de toda a população dizendo que o salário de pouco mais de 10 mil reais quase não dá para sobreviver.
Dois políticos eleitos pelo e para o povo. Uma vez, durante um protesto aqui em Altamira, alguém do meu lado falou que a cidade estava sem governo. Outra pessoa respondeu na hora que era mentira, afinal, o povo tinha o governo que escolheu.
O vídeo feito, no caso de Medicilândia, já começou a circular nas mídias sociais e, lógico, causa indignação. De um lado, uma mulher que educa e do outro, um político eleito e pago pelos munícipes.
A “cultura de agressão”, termo que encontrei na internet, parece banalizar cada vez mais a violência, seja contra professores, mulheres, crianças, jovens, idosos etc.
Ano passado, uma pesquisa mundial colocou o Brasil na primeira posição do ranking de violência em escolas, com um percentual de 12,5 dos professores entrevistados afirmarem que são vítimas de agressões verbais ou físicas. Na Coreia do Sul, na Malásia e na Romênia, o índice é zero.
Será que esse é uma estatística irreversível?
Enquanto se procura uma ou várias respostas, alunos jogam carteiras ou esfaqueiam e políticos e órgãos da segurança pública avançam contra professores.
Nota zero, expulsão e reprovação nas urnas seria uma solução. Ou não?

A precoce erotização de nossas crianças

xmenina-salto-300x200.png.pagespeed.ic.TOW-OBakaaO Ministério Público quer abrir inquérito porque uma linda menininha de oito anos canta letras de duplo sentido e dança com apelo sexual. Mais ainda, o pai da jovem prodígio, afirmou que “não obriga sua filha a fazer nada”. Uns dizem que as letras não são pornográficas, mas sim, adultas. Ponto.
Outros dizem que é implicância com funk, afinal, se fosse rock ou sertanejo, nada demais criança gritar (sim, tem umas que gritam) que nem uma dupla sertaneja ou tocar uma música do Metallica na guitarra. Se fosse pagode, que mal em ir “só no sapatinho”?
De todo jeito, parece ser dinheiro fácil para quem encontrou um nicho de mercado aberto e que, pelo teor do conteúdo, agrada e muito a milhares de pessoas pelo Brasil.
No mesmo dia, zapeando em sites de notícias, leio que uma mãe entregou o próprio filho à polícia, após saber que ele violentou e roubou uma mulher de 41 anos. Diz o texto que “embora seja menor de idade, DeShawn irá responder pelo caso como adulto. Ele confessou a autoria dos crimes”.
Em outro jornal, agora impresso, fico sabendo que um menino foi vítima de bala perdida. Em outro texto, criança foi encontrada enforcada e com indícios de violência sexual no interior do Pará. Até aí, sem sair de casa, rodei várias cidades do Brasil e até do exterior.
A discussão sobre a violência e sexualização infantil de um lado e, do outro, se é futilidade indagar se os pais estão errados em deixar os filhos fazerem o que bem entenderem me deixou preocupado.
Muito “fofo” ver a menina rebolar até o chão ou cantar “eu vou, eu vou…”. Como li por aí, “quem vê maldade nisso é que tem problemas” e não o pai dela ou de qualquer outra personalidade mirim. Ah, tá.
Vale lembrar que tempos atrás, nada demais em “descer até a boca da garrafa”. Quem não se lembra das roupas das loiras da TV ou suas assistentes?
A própria “rainha dos baixinhos” levava cada atração em seu “xou”.
Também é preciso dizer que não é só a menina da melodia erotizada. Tem alguns ‘MCs’ que cantam com palavras mais pesadas e, nem por isso, parecem ofender os ouvidos.
Aquele que se batizou com o nome de personagem de desenho canta “Estava na rua, fumando um baseado, chegou a novinha e pediu para dar um trago (…) Dá a b***** para mim, (dá) o c* e fuma”. Meninos podem e meninas, não? Galvão diria: “pode isso, Arnaldo?”.
Enfim, creio que há limites., mas como a César o que é de César…
Parece que se perdeu toda a preservação da moral e da infância em nossa nação.
Minha filha chega a nossa casa, direto da escola, cantando “tem uma casinha bem fechadinha (…)”. No dia que ouvi-la com essa palhaçada nada engraçada, podem me chamar de retrógrado ou careta ou qualquer outro adjetivo nesse contexto. É “peia”!

Leia também: Desde quando criança é criança?

Dia das Mães (II)

maternidadeMother, madre, mutter, الأم, mère, אמא, moeder, 母, mater, мать, mor. Reia, na mitologia grega e Cibele, na romana. Virgem Maria, para os cristãos. Não importa o idioma ou história, essa é a mesma mulher que adota, carrega, carregou ou criou um ou mais filhos.
A data celebrada no segundo domingo de maio no Brasil, parece ter ficado mais interessante que o próprio Natal. Isso para o empresariado que vê, na comemoração, aumento significativo nas vendas.
Há mães de todos os tipos: a que adotou, a que criou, a mãe-avó (essa é a melhor), a que cuida sem ser mãe.
Os filhos, só são filhos, por causa delas. E elas só são mães por causa deles. É óbvio, mas cabe uma reflexão: somos mais filhos por tê-las ou elas são mais mães por ter-nos? Os filhos, esses, parecem querer muito mais o bem da mãe nesse dia que nos demais 364 do ano. Ou é impressão?
Quantas vezes durante o dia você pensa nela?
No final da tarde, você já se encontrou ligando para ela só para saber como foi seu dia?
Quando ela chega em casa, agradece a Deus por tê-la protegido?
Quando ela sai para o trabalho, pede a benção para o seu dia de trabalho?
Quando ela esquece alguma coisa, você se aborrece por ter que lembrá-la mais uma vez?
Quando você esquece algo, ela te aborrece por ter que lembrá-lo?
Quando, ao dormir, você diz “boa noite”, lembra dela te acalentando ou dando de mamar?
Quando, ao acordar, você diz “bom dia”, sabe que você foi o melhor que aconteceu para ela?
Isso se você pede benção, se diz “bom dia” ou “boa noite”.
Uma ligação sua, se ela mora longe, te coloca no colo dela. Uma ligação dela, se você não teve tempo, te faz bem?
Uma amiga diz que mãe é que nem CPF. Só podemos ter uma.
Mas existe, como disse antes, a avó, mãe pela segunda vez. Tem a madrinha e a comadre, mãe no batismo para os afilhados pelo fato de ser amiga da mãe.
Se olharmos a primeira linha do texto, quase todas tem a sílaba inicial com som de “ma”. Daí viriam “mamar” ou “mama”? Falar em mama, lembrei da ama-de-leite, mãe na alimentação.
Tantas mães e tantos tontos que a ignoram, batem e, inclusive, matam. Covardes e fracos.
A vontade era homenagear a mãe de meus filhos pelos maiores presentes que me deram. Era uma homenagem também a minha mãe, que está longe.
Era para lembrar de minhas tias e comadres, longe também. Relembrar minha avó, que deu o apelido para o primeiro neto e, felizmente, conheceu meu filho, seu primeiro bisneto. Lembrar da culinária, dos puxões de orelhas.
Ah, mães, madres, mothers, mères… Não existe motivo maior ou presente que supere o que vocês nos deram. A oportunidade de chamá-las assim: meu amor. Verdadeiro e incondicional.
Com acertos e erros.
As ideias e as palavras fugiram, mas as recordações estão escondidas e trancadas eternamente em meu coração. Feliz dia das mães.

Dia das Mães (I)

lagrima1Um menino que sumiu sem deixar vestígios. Uma menina que morreu sem deixar culpados. Uma jovem que amou sem saber que ele seria a desculpa. Uma mulher que foi confundida sem chance de defesa. Em comum, além da violência na região, a figura materna que foi destroçada.
Em uma data mais comercial do que nunca, o Dia das Mães não será o mesmo para aquelas que perderam seus filhos, não só aqui, mas em todos os cantos.
Essa não é a ordem natural das coisas. Uma mãe (ou pai) não é quem deve enterrar suas crias e sim o contrário.
Enquanto isso, em um país vizinho, criança de 11 anos, vítima de estupro, não quer interromper a gravidez e gera polêmica. Lá, o aborto tem particularidades para ser autorizado. Aqui, não.
Mesmo assim, várias são as manchetes de casos em que pessoas do sexo feminino – me recuso a chamá-las de mulheres ou mães -, que optam por essa escolha ou, pior ainda, são coniventes ou assassinam aqueles que carregaram por 36 semanas.
Existem aquelas que, por outro lado, largam em sacos de lixo ou no meio da rua aquela criaturinha minúscula e tão desprotegida. Também podemos citar outras que, por dinheiro ou outro fator, sequestram bebês na maternidade.
De qualquer forma, atitudes condenáveis, pois esse não é amor de mãe.
Do parto ao primeiro dente que leva aos primeiros passos que segue às primeiras palavras que, de repente, sai de casa. É muito rápida a transformação. Tão rápido quanto nove meses que se passam carregando uma vida, dois corações que batem descompassadamente.
Como deve ser incrível ver o rosto do filho pela primeira vez e, depois de tantos enjoos, sentir o sal da lágrima que teima em cair ao ouvir aquele chorinho. Para nós, homens, a emoção com certeza é diferente, mas não inferior (bem, para quase todos os pais).
Amor de mãe é aquele que te faz acordar de madrugada, trocar a fralda suja, dar o leite, preparar o leite, levar à escola, aconselhar, proteger, brigar. É rir e chorar com a mesma intensidade.
Mais um dia das mães. Quando afirmei que o segundo domingo de maio é uma data mais comercial que as outras, é fato.
Dia das mães é todo dia.
Às mães que não terão motivos para comemorar por causa da dor da perda, lembrem que essa dor é que mantém os filhos vivos para sempre dentro dos corações e que dá coragem para continuar buscando justiça. Lembrem que essa dor só existe pelo amor aos filhos e que, com certeza, um dia terão a oportunidade de abraçá-los uma vez mais.

Filha eu entendo a sua dor | pois um filho um dia eu também perdi | lembranças de amor | é por ele que posso afirmar | que a vida minha filha, não termina aqui |||
Senhor muito obrigado, eu sei que estás comigo, | sarando minhas
Feridas, me dando novas forças | pra suportar o peso de tanta dor que
Atinge o meu peito |
Saudade dói demais, mas agora sinto paz | tenho
Forças, já consigo suportar | mas o peito ainda dói, falta um pedaço de
Mim | mas meu Deus está comigo a me ajudar | meu socorro bem presente é
Meu Deus, eu sigo em frente | sei que posso confiar e descansar | sei
Que Deus sabe o que faz, ele tem sempre o melhor | me consola
Link: http://www.vagalume.com.br/cristina-mel/lagrimas-de-mae.html#ixzz3ZgXW6V1q