Olhai por nós, Senhor!

Fonte: Facebook/Wilson Soares
Fonte: Facebook/Wilson Soares

Desde novembro do ano passado não escrevo.
Às vezes, a vontade vem e vai com a mesma intensidade. Seja por cansaço físico ou fadiga mental. Preguiça, talvez.
Só que hoje eu não poderia deixar em branco algo que deixou a cidade, que escolhi para viver, mais cinzenta e vermelha e seus moradores de luto.
É fato que há muito esse pedaço de chão, vendido como um dos maiores municípios do mundo em extensão territorial, sempre é noticiado na mídia estadual ou nacional.
Abertura da Rodovia que prometia integrar para não entregar, usina hidrelétrica e meninos emasculados foram pautas do passado.
Agora, elas dão espaço a desaparecimento do pequeno Natan, a morte sem solução da angelical Evelin, milhares de trabalhadores em busca de oportunidades melhores em uma grande obra, indígenas passando facão no rosto de engenheiro e bloqueando estradas, chacina após a morte de policial e, hoje, uma família assassinada covardemente.
Enredo para vários e vários livros biográficos, policiais, históricos ou de ficção, essa “princesinha” deixou de lado as “espinhas de peixe” nos telhados para deixar atravessada nas almas dos seus moradores, marcas incuráveis e que acabam exibidas ou publicadas na imprensa.
O gigante até acordou e esboçou uma reação alguns anos, mas assim como ele, certos políticos (ou todos?) voltaram a dormir e deixam de acompanhar o que acontece em seus quintais.
Se fosse dentro das casas deles, seria diferente?
Um amigo disse que uma pesquisadora comentou que não adianta aumentar o número de policias nas ruas, pois a origem do problema seria outra.
Difícil será explicar para os filhos da empresária e seu esposo que, ao lado do outro filho, foram brutalmente mortos, dentro da própria residência.
Fala-se em caminhadas pedindo paz, justiça e intervenção. Filme parecido com esse eu já acompanhei vários. Aqui ou em outras cidades. Qual o resultado?
Reportagens que parecem não chegar aos governantes e aos que fazem as “leis”.
Aqueles que viajam com dinheiro pago pelo povo, desviam erário público e um monte de outras coisas que nem daria tempo para citar, dormem tranquilos, com certeza.
Só que para quem perde um parente, um amigo ou mesmo um desconhecido, o embalo do sonho é acompanhado por uma quimera.
Fazia tempo que não escrevo. Colocar no papel ajuda a refletir, mas não haveria papel, tinta ou alguém com paciência suficiente para ler o que gostaria de falar com palavras redigidas.
Só posso resumir tudo em quatro palavras: Olhai por nós, Senhor!

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