“Ovo e uva boa”

feira2Não tinha como escrever sobre a feira sem lembrar-me do meu amado avô que, infelizmente, não tive a oportunidade de me despedir e a última vez que o vi já tem 15 anos.
O velho Edgar sempre brincava quando saíamos para supermercados ou feiras gritando o que ele mesmo teria escutado lá pelas bandas de Bezerros e Camaragibe: “ovo e uva boa”.
Piada repetida milhares de vezes e já refrão de música popular, não tenho ideia de como surgiu essa expressão, mas ao visitar o novo “velho” mercado do bairro Brasília, aqui em Altamira, pareci ouvir, longe, a voz do seu Edgar.
À medida que ia andando pelos amplos espaços onde transitavam feirantes, ambulantes, camelôs e consumidores, os cheiros, as cores e as conversas se misturavam em um turbilhão frenético de palavras, aromas e tonalidades bem em frente a mim.
O espaço democrático em que se reúnem centenas de pessoas, durante certo horário em determinado dia da semana, não tem uma data precisa de origem.
Essa incógnita é rapidamente esquecida quando vemos no olhar de cada feirante ou produtor rural as marcas do tempo, da esperteza e do suor para colocar no prato de tantos desconhecidos o alimento do dia a dia. Barracas colocadas uma ao lado da outra vendendo o mesmo produto com preço diferente, mas o sorriso ou a maneira com que lhe atendem faz a diferença.
Num amplo mercado competitivo, literalmente, muitos administradores ou proprietários de grandes lojas poderiam entender que um sorriso, um bom dia ou apenas um olhar afetivo faz diferença para nós, clientes.
Enquanto na feira você pode ser você e se desfazer do uniforme do trabalho, algumas lojas têm funcionários que parecem estar no tripalium¹, de tanto mau humor ou incapacidade de entender que é dali que sai seu sustento.
Uma funcionária pública me disse uma vez que não queria aprender outros serviços porque seria cobrada ainda mais. Já outra, eu ouvi agradecer ao patrão por não liberar um equipamento – com certeza, nada barato – para não ter que decorar códigos.
Na feira, felizmente, não vi ninguém reclamando disso. Pelo contrário, ao invés de lamentações, vi muita alegria e não tristeza.
Também não vi meu avô, porém, sinceramente lembrei-me dele lá. Algumas vezes, em Belém, andávamos e conversávamos muito. E quando ele via um ambulante com carrinho cheio de frutas, ele sempre dizia: “ovo e uva boa”.
Não é que era boa mesmo a danada da uva?

1: Técnica de sofrimento obtida com três paus fincados no chão, aos quais era afixado o condenado, quando não empalado num deles até morrer.

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Café com gosto de laranja (Karina Pinto – publicitária)

Começo a comer, a sensação é a melhor possível, até que uma das mocinhas resolve fazer um suco de laranja. Até ai tudo bem, não fosse o fato de elas insistirem em fazer o trabalho ao mesmo tempo que contam como foi a festa de ontem, a briga do casal, e o namorado que brigou com a vizinha por causa de traição. Resultado, uma chuva de laranja, duas pessoas molhadas, um café estragado, um olhar revoltado e uma mocinha com um pano de chão olhando como se nada tivesse acontecido: “Pega, limpa ai”.

Blog da Karina: Café com gosto de laranja.

É, Karina, nosso clima TROPICAL esquenta a mente das pessoas. Vale lembrar que já vivi (e quem não viveu?) situação semelhante ou pior em relação ao atendimento nos restaurantes, lanchonetes, bares e similares aqui em Altamira? Valha-nos quem?
Recentemente, passei por situação QUASE do mesmo tipo, mas que deixou uma péssima impressão de uma franquia de pizza que se instalou aqui na cidade. Quem não leu, segue link: Não acabou em pizza.

Não acabou em pizza

wallpaper-pizza-de-qualidade-2342Imaginem: você sai do trabalho, cansado, e não vê a hora de chegar em casa. Lá, combina com o cônjuge de buscar a sogra que está chegando de viagem para passar dois dias trabalhando aqui e depois sair para jantar. Pede para os filhos se arrumarem e saem todos para o aeroporto. A sogra chega de viagem de trabalho a Santarém. Ela vem junto com uma amiga do trabalho. No caminho, decidem comer pizza. Procuram uma famosa franquia que se instalou em Altamira. Dia de quarta, promoção: pedido em dobro (de pizza). A sogra pede um frango à catupiry. Os filhos querem pizza de frango com catupiry e você escolhe uma de camarão com jambu. A filha mais nova, de um ano e meio, irá comer o mesmo frango com a avó. O tempo passa. Você pede um refrigerante, o garçom diz que só tem de 600 ml. Ao olhar para a mesa ao lado, você descobre que tinha de um litro. Enquanto isso, a sogra pede cerveja. Vem para a mesa, duas. Quentes! O tempo passa.  Continue Lendo “Não acabou em pizza”