#PrayForAltamira

Sempre em casos de grande repercussão de violência, como o maior atentado “doméstico” em território norte-americano, se posta #PrayForOrlando, #PrayForParis ou #PrayForLasVegas, por exemplo.
Não é desprezando as mortes dos que foram vítimas de atos insanos, monstruosos e covardes, mas ao olharmos para nosso umbigo, nosso quintal, também vivemos em tempos de guerra em Altamira.
Ch(oram) as mães, (ch)oram os filhos, choram os amigos.
Questionar sobre políticas públicas, seja de qualquer esfera, não irá trazer ninguém de volta, mas pode reduzir drasticamente essa triste realidade que assola Altamira.
Aparelhar as forças de segurança pública sem uma justa remuneração tampouco.
Enquanto isso, famílias são destroçadas.
Dados já bastante divulgados afirmam que o município é a cidade mais violenta do país quando analisados os casos de homicídios em relação ao número de habitantes. Em 2015, a taxa era de 107 por 100 mil habitantes.
Os altamirenses viram em pouco mais de 48 horas, dez pessoas serem assassinadas.
No “hell de janeiro”, como foi ilustrado em uma revista, o Exército foi acionado.
Aqui, no nosso Pará, recentemente o Ministério da Justiça autorizou a atuação da Força Nacional de Segurança Pública, a pedido do governo estadual. Somente para verificar as situações de presídios, após megaoperação de varredura e monitoramento dos presídios.
De novo, não importa se existem ou não políticas públicas, dinheiro para viaturas, salários maiores, armamento pesado ou policiamento ostensivo.
Nada trará quem teve a vida ceifada. Seja a vítima, seja quem fica.
Reclamar, caminhar, protestar… Idem.
Nada parece sensibilizar os que estão lá “mais em cima”, na posição de determinar, cumprir, legislar. Só atendem aos próprios interesses ou defendem a si mesmos, seja de maneira transparente e cínica ou sordidamente às escondidas, em tramas palacianas.
Aqui só fica a curiosidade em saber quantas vezes apareceria nas timeslines das maiores redes sociais, como o Facebook e o Twitter, a hashtag #PrayForAltamira ou em bom português, #OremPorAltamira
#PrayForAltamira

Já usei essa citação em outro texto, mas não vejo perder sua atemporalidade…

Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme.
Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido um promontório, ou perdido o solar de um teu amigo, ou o teu próprio.
A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido;
por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.

(John Donne, 1624)

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Recordação de tragédia anunciada

aylan2.jpgQuem recorda da foto de um menino sírio morto numa praia da Turquia?
A fotografia foi comentada, retuitada e apontada como representativa da gravidade da situação que assola aquela região e envolve questões políticas, econômicas e migratórias.
A tragédia do naufrágio no Rio Xingu, próximo ao município de Porto de Moz, no sudoeste do Estado, me fez lembrar aquela imagem.
Hoje, em um aplicativo de mensagens, recebi a foto de uma criança morta, carregada por um homem, dentro de um barco que ajudou no resgate dos corpos.
Outro anjo que nos permite questionar por quanto tempo mais teremos que aguentar, em silêncio, o descaso, a omissão, a falta de fiscalização de nossos rios.
Mais do que isso, o desrespeito por nossa região xinguana.
Não nasci aqui, mas fui acolhido há pouco mais de doze anos por “essas bandas”.
Apesar da dor e angústia de olhar aquele pequeninho no colo de alguém, busquemos fazer com que ele e, principalmente a sensação que a foto nos desperta, seja emblemática para cobrarmos melhorias.
Olhai por nós, governantes!
#XinguEmLuto

Crianças (I)

Dia das crianças. Quem são nossas crianças?
Mortas, vítimas. Agressivas, vítimas. Inocentadas, vítimas. Agredidas, vítimas.
Cada vez em que se veicula histórias envolvendo crianças ou adolescentes o tema sobre maioridade penal volta à cena.
Meninas espancam menina por causa de ex. Menino desaparece sem deixar vestígios. Outro é assassinado depois de uma vida de crimes.
Menina é jogada de edifício. Menina é estuprada. Menino rouba e PM é acusada de homicídio.
Tantas notícias e ninguém quase atenta para o fato do que elas trazem nas manchetes ou entrelinhas: crianças.
Quem é pai sabe o quanto vale viver uma vida pelos filhos. Quem é mãe sabe o quanto é dolorido ver o sofrimento de um filho.
Dias das crianças chegando. Problemas sociais, financeiros, psicológicos? Crianças.
Nossa Senhora de Nazaré, proteja nossas crianças. De novo. E sempre…

Nem consigo raciocinar direito… Estado de tristeza e pesar pelas famílias destroçadas.

Violência em todos os cantos

 

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Onde se lê “ultrapasse”, leia-se “passe”. (Foto encontrada na internet)

“Eu quero presentear
A minha linda donzela
Não é prata nem é ouro
É uma coisa bem singela
Vou comprar uma faixa amarela
Bordada com o nome dela
E vou mandar pendurar
Na entrada da favela”*

 

Não teve faixa amarela.
Teve a linha vermelha. Lavada com sangue. Mais uma vez. Perto de favelas.
A linda donzela, médica por paixão, andaria numa carruagem blindada. Não deu tempo.
Bordada com o nome do marido, amigos e parentes, a faixa, que virou coroa de flores, ficou na lápide.
Não muito longe, um segurança do prefeito do RJ morreu pela falta de segurança na mesma via. Via que vai e vem trazendo todos os dias milhares que buscam praias.
E na Olimpíada? Só os deuses do Olimpo para proteger os visitantes e, principalmente, os moradores cariocas?
Enquanto isso, em pouco menos de 30 dias, três mortos em ações policiais nas ruas paulistas. As vítimas? Duas crianças, sendo que uma estaria supostamente armada, e um trabalhador que temia blitz por conta de multas que não foram pagas.
Em Altamira, diferente do RJ e sua linha vermelha, no bairro Laranjeiras duas mulheres encontradas despidas e covardemente assassinadas. Como disse um militante altamirense, duas anônimas e sem “posses”. Poucos choram suas mortes.
A violência está por todo lado.
Em Belém, justiceiro mata bandido e fere outro, adolescente, na Cidade Velha.
Em Minas, um adolescente de 14 anos, que assaltou uma farmácia, foi cercado por populares e apedrejado. Está internado com traumatismo craniano.
Não é de hoje que chegamos ao fundo do poço da bárbarie e, mesmo assim, as notícias ainda espantam.
Como diz um dos trechos da música, vou comprar uma faixa amarela…
Melhor comprarmos uma caixa de lenços brancos para chorar nossos mortos e à fragilidade de nossas leis.

*Faixa Amarela (Zeca Pagodinho/Jessé Pai/Luiz Carlos/Beto Gago)

O vestido de festa

A professora chega à sala de aula. Na escola, festinha (atrasada) em homenagem às mães.
Triste, uma aluna fica encolhida e toda desconfiada no canto da sala, numa cadeirinha velha e a mesa não muito diferente.
_ O que você tem, meu anjo? – questiona a “tia”.
Nada. Nenhuma resposta. Só um fio de lágrima que começa a escorrer pelo rostinho da menina.
_ Meu Deus, Sofia*, que foi?
_ Todo mundo veio com roupa de festa e eu vim de uniforme – soluça a criança – Papai esqueceu de me arrumar com roupa de festa.
Nisso, ela observa as outras pequeninhas todas de vestidinhos.
_ Não ligue pra isso – pede a educadora.
_ É que eu não tenho nenhum vestido pra festa – lamenta.
_ Mas sua mãe vem, não vem? Ela vai ficar triste se ver você assim – lembra a encorajadora professora.
_ Ela não vem. Ela ‘tá’ trabalhando. Por isso que o papai me traz.
E o fio de lágrima daquele anjo vira uma cachoeira.

crianca-triste-fobia-escolar-59773Educação sem conforto, mãe ausente porque trabalha, pai esquecido ou a falta do vestido.
Não sei o que me dói mais. A soma de tudo isso ou o esforço de uma professora que ama sua profissão e ficou sensível à história.
Não fosse o abraço carinhoso e o colo aquecido para silenciar o choro de outras Sofias, eu também teria chorado.

* Nome fictício. O relato? Não.

Ligou ou não ligou?

waiting-room-best-practices-670x300.jpgCedo. Fila. Você com dor na coluna aguardando ser chamada.
_ Bom dia! – diz a atendente.
_ Bom dia. Gostaria de fazer esse exame.
_ Senhora, temos que pedir autorização ao convênio. Caso seja autorizado, ligaremos para a senhora. – informa.
Espera-se a manhã toda. Dezesseis horas da tarde e nada. Você retorna ao local.
_ Oi, boa tarde. Queria saber se já foi autorizado meu exame porque até agora ninguém daqui me ligou.

Silêncio. Corre-corre. Abre-se uma gaveta. Você aguardando uma resposta.
Em seguida, meio que desconcertada, outra atendente responde sem lhe olhar.
_ A outra moça não autorizou.
_ Como assim? Ela não ligou?
_ Não, não autorizou.
_ Quem? O convênio?
_ Não, a moça.
_ Do convênio? Ou a daqui não ligou – esbraveja a já impaciente.
Mais silêncio.
_ Ela ligou ou não ligou? – questiona mais uma vez, indignada.
_ Senhora, ela não autorizou porque não daria pra fazer hoje.
_ Então nem ligou?
_ Minuto que vou ligar pedindo autorização.
_ Então agora vai dar pra fazer?
Alguns minutos depois…
_ Foi autorizado.
_ E posso fazer hoje?
_ Sim. A senhora já vai ser chamada.
Exame feito e resultado para a próxima semana.
_ “A f.d.p. não ligou. Só pode” – pensa a agora totalmente irritada paciente.

A cena quase que de comédia aconteceu agora pouco com minha esposa num conhecido espaço de diagnóstico por imagem aqui em Altamira.
Sabe a sensação de que a primeira atendente não ligou por esquecimento? Pois é. Estamos com ela até agora.
Infelizmente, a vergonha de assumir que uma colega de trabalho falhou foi maior e, talvez por isso, o comportamento vexatório e as desculpas sem fundamento das atendentes.
Típico em vários locais aqui na cidade. Despreparo de atendentes ou má gestão dos administradores?

Agora vai? #BaixaAzul ou #VoltaGol

DSCF9799.jpgMPF aponta abusividade em aumento de preços de passagens aéreas entre Altamira e Belém
Aumento ocorreu imediatamente após a Gol se retirar da rota entre a cidade no Xingu e a capital paraense. Passagens saltaram de R$ 136 para R$ 1.129

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou nesta quarta-feira, 4 de maio, ação contra a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as empresas Azul e Map Linhas Aéreas pela prática de preços abusivos nas passagens entre Altamira e Belém. As passagens foram reajustadas em até 500% nesse trecho logo após que a Gol Linhas Aéreas se retirou da rota. Para o MPF, o reajuste representa aumento arbitrário de lucros, já que não há como alegar aumento de custos operacionais em tão pouco tempo.

“Resta evidente o abuso cometido pelas rés Azul e Map, consistente na arbitrariedade dos aumentos dos preços, pois como se justifica num mês (fevereiro) o trecho Altamira–Belém custar R$ 136,90 (tarifa promocional) e noutro mês (abril) o mesmo trecho sair por quase R$ 1.129,90 (tarifa promocional)”, relata a ação.

O MPF alega que o aumento significa, na prática, isolar a cidade de Altamira e destaca que “o aeroporto de Altamira ocupa uma posição importante no sistema de transporte regional, tendo em vista que liga não só o referido município, mas também diversas cidades vizinhas à capital do Estado e a outras cidades do Brasil. Some-se a isso as peculiaridades regionais no que se refere a péssima qualidade da malha rodoviária, principalmente durante o período de chuvas”.

Outra evidência do abuso é o fato de que um trecho quase da mesma distância, entre Belém e Marabá, no mesmo período, é vendido pela Azul por R$ 200. Saindo de Altamira, a viagem aérea que tem a mesma duração, de uma hora, é vendida pela Azul por R$ 500. O MPF sustenta que, por se tratar de atividade comercial com função social evidente e se constituir em serviço público federal, a aviação civil está sujeita a controle por parte da Justiça.

“O MPF entende que um aumento razoável é normal no mercado, mas o presente caso é abuso de direito”, afirma a procuradora da República autora da ação, Cynthia Arcoverde Ribeiro Pessoa.

Além dos dispositivos do Código de Defesa do Consumidor, a própria Constituição Federal determina repressão sobre o abuso de poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. Para o MPF,  ao fixar os preços das referidas passagens aéreas de maneira muito mais elevada após a saída da Gol de Altamira, as Azul e a Map “impõem condição excessivamente onerosa ao mercado de consumo, valendo-se de suas posições dominantes no município e região, o que caracteriza, certamente, abuso do poder econômico”.

O MPF pediu à Justiça que obrigue as companhias aéreas a limitar o reajuste de preços à média dos valores das passagens praticados para esse trecho em 2015, somada à variação da inflação no período e um adicional máximo de 20%. Os novos preços, indica o MPF, devem permanecer em vigor até que a Anac apresente estudos indicando critérios razoáveis para o reajuste de preços das passagens aéreas em Altamira.

A ação pede ainda que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) seja notificado sobre o processo para, se necessário, intervir na situação.

Processo nº 0000736-22.2016.4.01.3903 – Vara Única da Justiça Federal em Altamira (PA)
Íntegra da ação:
http://www.mpf.mp.br/pa/sala-de-imprensa/documentos/2016/acao-do-mpf-por-abuso-de-poder-economico-contra-as-empresas-azul-e-map-em-altamira-pa/
Acompanhamento processual:
http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=00007362220164013903&secao=ATM

Olhai por nós, Senhor!

Fonte: Facebook/Wilson Soares
Fonte: Facebook/Wilson Soares

Desde novembro do ano passado não escrevo.
Às vezes, a vontade vem e vai com a mesma intensidade. Seja por cansaço físico ou fadiga mental. Preguiça, talvez.
Só que hoje eu não poderia deixar em branco algo que deixou a cidade, que escolhi para viver, mais cinzenta e vermelha e seus moradores de luto.
É fato que há muito esse pedaço de chão, vendido como um dos maiores municípios do mundo em extensão territorial, sempre é noticiado na mídia estadual ou nacional.
Abertura da Rodovia que prometia integrar para não entregar, usina hidrelétrica e meninos emasculados foram pautas do passado.
Agora, elas dão espaço a desaparecimento do pequeno Natan, a morte sem solução da angelical Evelin, milhares de trabalhadores em busca de oportunidades melhores em uma grande obra, indígenas passando facão no rosto de engenheiro e bloqueando estradas, chacina após a morte de policial e, hoje, uma família assassinada covardemente.
Enredo para vários e vários livros biográficos, policiais, históricos ou de ficção, essa “princesinha” deixou de lado as “espinhas de peixe” nos telhados para deixar atravessada nas almas dos seus moradores, marcas incuráveis e que acabam exibidas ou publicadas na imprensa.
O gigante até acordou e esboçou uma reação alguns anos, mas assim como ele, certos políticos (ou todos?) voltaram a dormir e deixam de acompanhar o que acontece em seus quintais.
Se fosse dentro das casas deles, seria diferente?
Um amigo disse que uma pesquisadora comentou que não adianta aumentar o número de policias nas ruas, pois a origem do problema seria outra.
Difícil será explicar para os filhos da empresária e seu esposo que, ao lado do outro filho, foram brutalmente mortos, dentro da própria residência.
Fala-se em caminhadas pedindo paz, justiça e intervenção. Filme parecido com esse eu já acompanhei vários. Aqui ou em outras cidades. Qual o resultado?
Reportagens que parecem não chegar aos governantes e aos que fazem as “leis”.
Aqueles que viajam com dinheiro pago pelo povo, desviam erário público e um monte de outras coisas que nem daria tempo para citar, dormem tranquilos, com certeza.
Só que para quem perde um parente, um amigo ou mesmo um desconhecido, o embalo do sonho é acompanhado por uma quimera.
Fazia tempo que não escrevo. Colocar no papel ajuda a refletir, mas não haveria papel, tinta ou alguém com paciência suficiente para ler o que gostaria de falar com palavras redigidas.
Só posso resumir tudo em quatro palavras: Olhai por nós, Senhor!

Tráfego liberado na Ladeira da Velha

Fonte: br230pa
Fonte: br230pa.com.br

O Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) finaliza os trabalhos na Ladeira mais famosa da BR-230, a Ladeira da Velha. Após o desembargo judicial, os serviços foram retomados em janeiro deste ano acrescentando algumas atividades não contempladas no projeto inicial. A intervenção já foi concluída na Ladeira da Velha, Velhinha e no Cantineiro. “Liberamos o tráfego na Ladeira da Velha, Velhinha e Cantineiro sem a pavimentação. É importante ressaltar que o trabalho foi muito bem encaminhado, visto que trabalhamos mesmo com as intensas chuvas. Os atrasos aconteceram porque atacamos os três pontos ao mesmo tempo, ou seja, todo o complexo que envolve a Ladeira da Velha, a Velhinha e o Cantineiro, com ênfase maior nos dois primeiros pontos considerados mais críticos”, ressaltou o coordenador da Unidade Local/Altamira do DNIT, Jairo Rabelo.
Com a conclusão das obras, o trecho foi liberado e os usuários da rodovia já trafegam pelo local com mais segurança, eliminando os grandes atoleiros que se formavam no período chuvoso dificultando a trafegabilidade. Para quem não conhece, a Ladeira da Velha fica na rodovia Transamazônica, Km 267, município de Pacajá/PA. Há vários anos o local trazia transtornos aos usuários da rodovia por tratar-se de uma ladeira de difícil acesso devido à acentuada inclinação, dificultando a passagem de veículos principalmente no período chuvoso, conhecido como inverno amazônico. O DNIT, por meio da Gestão Ambiental da BR- 230/422/PA acompanha todos os serviços realizados, observando questões socioambientais, como o atendimento das demais condicionantes ambientais da licença de instalação emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), sempre procurando amenizar ao máximo os impactos.

Fonte: Tráfego liberado na Ladeira da Velha

“Ovo e uva boa”

feira2Não tinha como escrever sobre a feira sem lembrar-me do meu amado avô que, infelizmente, não tive a oportunidade de me despedir e a última vez que o vi já tem 15 anos.
O velho Edgar sempre brincava quando saíamos para supermercados ou feiras gritando o que ele mesmo teria escutado lá pelas bandas de Bezerros e Camaragibe: “ovo e uva boa”.
Piada repetida milhares de vezes e já refrão de música popular, não tenho ideia de como surgiu essa expressão, mas ao visitar o novo “velho” mercado do bairro Brasília, aqui em Altamira, pareci ouvir, longe, a voz do seu Edgar.
À medida que ia andando pelos amplos espaços onde transitavam feirantes, ambulantes, camelôs e consumidores, os cheiros, as cores e as conversas se misturavam em um turbilhão frenético de palavras, aromas e tonalidades bem em frente a mim.
O espaço democrático em que se reúnem centenas de pessoas, durante certo horário em determinado dia da semana, não tem uma data precisa de origem.
Essa incógnita é rapidamente esquecida quando vemos no olhar de cada feirante ou produtor rural as marcas do tempo, da esperteza e do suor para colocar no prato de tantos desconhecidos o alimento do dia a dia. Barracas colocadas uma ao lado da outra vendendo o mesmo produto com preço diferente, mas o sorriso ou a maneira com que lhe atendem faz a diferença.
Num amplo mercado competitivo, literalmente, muitos administradores ou proprietários de grandes lojas poderiam entender que um sorriso, um bom dia ou apenas um olhar afetivo faz diferença para nós, clientes.
Enquanto na feira você pode ser você e se desfazer do uniforme do trabalho, algumas lojas têm funcionários que parecem estar no tripalium¹, de tanto mau humor ou incapacidade de entender que é dali que sai seu sustento.
Uma funcionária pública me disse uma vez que não queria aprender outros serviços porque seria cobrada ainda mais. Já outra, eu ouvi agradecer ao patrão por não liberar um equipamento – com certeza, nada barato – para não ter que decorar códigos.
Na feira, felizmente, não vi ninguém reclamando disso. Pelo contrário, ao invés de lamentações, vi muita alegria e não tristeza.
Também não vi meu avô, porém, sinceramente lembrei-me dele lá. Algumas vezes, em Belém, andávamos e conversávamos muito. E quando ele via um ambulante com carrinho cheio de frutas, ele sempre dizia: “ovo e uva boa”.
Não é que era boa mesmo a danada da uva?

1: Técnica de sofrimento obtida com três paus fincados no chão, aos quais era afixado o condenado, quando não empalado num deles até morrer.