Unhas

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Fonte: Santta Tendência

As duas vinham tranquilamente conversando dentro do ônibus. As demais pessoas tentavam dormir. A longa viagem de quase 18 horas ainda estava pela metade, mas o bate-papo não teve como não chamar a atenção.
_ Então, menina, nem tinha reparado no tamanho das tuas unhas. Como tu consegue isso? – perguntou a morena.
_ Simples. Não faço nada em casa. Não lavo louças, não enxugo, não varro, não passo. Nem minhas calcinhas mesmo eu cuido. Quem cuida de tudo é minha mãe, claro. – disse, orgulhosamente, a loira platinada.
_ E como tu faz pra conseguir manter elas? São tão lindas. – indagou a outra.
_ Ah, quando eu quero dinheiro rápido vou na casa da minha avó. Faço qualquer coisa por lá e ela me dá. A mãe nem pode saber disso.
Ambas começaram a rir alto, acordando os que ainda tentavam dormir.
_ E o que tu faz da vida?
_ Sou dançarina de uma banda de melody. Os cantores vão de avião, mas eu e a equipe de produção temos que vir de busão mesmo. O pessoal não gostam, mas…
A conversa foi interrompida. A garota colocou o fone de ouvido e continuou a ouvir o seu batidão.

 

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6102 Mene? Enem 2016!

Ronco…
Foi dormir.
“Amanhã vai começar tudo de novo”, pensou.
Voltou, tomou um banho e escutou pela TV que o Instituto responsável pelo exame nega que houve vazamento das provas. Como todos anos sempre se propaga.
Chegou, deu um beijo na esposa e resolveu beber umas cervejas.
Esperou até os 45 minutos do segundo tempo para entregar a prova.
Sabia que não tinha ido muito bem, mas não custava nada acreditar.
Ronco…
No silêncio quase absoluto, não fosse o ventilador de teto, o ronco se sobressaiu e chamou a atenção dos demais candidatos.
Cansado, encostou a cabeça na parede. Não aguentou e cochilou.
Baixou novamente o rosto e lia sobre Hamlet, Pirro e sobre como a “compreensão etnocêntrica acerca das populações dos territórios conquistados” pelos europeus.
Em outras questões, o estereótipo de gênero e a modificação de costumes em relação às mulheres.
Na de Ciências da Natureza, uma questão o lembrou do dia em que sentiu os efeitos do spray de pimenta no rosto, após um protesto numa avenida da cidade em que mora.
Começou lendo os enunciados das questões, separando as mais fáceis – ou que ele julgava assim.
Era a frase que precisava transcrever.
“Amo em ti os outros rostos”. Quem teria escrito isso, pensou.
A fiscal avisou que tinham que aguardar até serem autorizados a começarem a prova.
Aguardou e aguardou.
Subiu e procurou a sala em que iria realizar a prova, a mais aguardada por ele e, também, pela família.
Mesmo no corredor, ainda ouviu gente suplicando para entrar.
Em frente à escola, dezenas de pais abraçavam os filhos, esposas beijavam os maridos, amigos desejavam boa sorte.
Faltavam cinco minutos e resolveu pagar o motorista e saiu em disparada. Era mais um que torcia pelo portão não ser fechado antes do tempo.
De dentro do carro, olhava para as pessoas no ônibus, parecendo sardinhas enlatadas. Ele mesmo tinha estado naquela situação.
O jeito foi acenar para um táxi.
Ainda procurou um mototaxista para a corrida mais “expressa”, mas não conseguiu.
Desceu porque achou que não fosse dar tempo.
Procurou chegar cedo, mas o trânsito em frente a diversas escolas congestionara o fluxo.
Na parada do transporte coletivo, a toda momento perguntava que horas eram.
Sabia que não podia se atrasar.
Avisou que estava de saída.
Pegou uma bela feijoada.
O almoço foi farto, ao contrário do que recomendam os especialistas: “só coisa leve”.
Ajudou nos afazeres domésticos, como a lavagem do quintal e a limpeza na área que um dia sonha em ter um automóvel.
Saiu do banho.
A mulher já estava de pé fazendo o café da manhã.
Eram quase sete horas quando acordou.
Ronco…

Crianças (I)

Dia das crianças. Quem são nossas crianças?
Mortas, vítimas. Agressivas, vítimas. Inocentadas, vítimas. Agredidas, vítimas.
Cada vez em que se veicula histórias envolvendo crianças ou adolescentes o tema sobre maioridade penal volta à cena.
Meninas espancam menina por causa de ex. Menino desaparece sem deixar vestígios. Outro é assassinado depois de uma vida de crimes.
Menina é jogada de edifício. Menina é estuprada. Menino rouba e PM é acusada de homicídio.
Tantas notícias e ninguém quase atenta para o fato do que elas trazem nas manchetes ou entrelinhas: crianças.
Quem é pai sabe o quanto vale viver uma vida pelos filhos. Quem é mãe sabe o quanto é dolorido ver o sofrimento de um filho.
Dias das crianças chegando. Problemas sociais, financeiros, psicológicos? Crianças.
Nossa Senhora de Nazaré, proteja nossas crianças. De novo. E sempre…

Nem consigo raciocinar direito… Estado de tristeza e pesar pelas famílias destroçadas.

5 coisas que eu gostaria de dizer às pessoas que pensam em suicídio – PapodeHomem

via 5 coisas que eu gostaria de dizer às pessoas que pensam em suicídio – PapodeHomem

setembro_amareloDe maneira simples, um tema polêmico. Gostei e resolvi compartilhar.

Por que a gente é assim?

images.jpg“A capacidade de perdoar vai determinar a qualidade do resto da sua vida mais do que qualquer coisa”. Perdoo os que me fizeram mal. Na verdade, não me fizeram. Eu fiz a mim mesmo. Fica o registro.
“O fato é: cada um de nós é a soma dos momentos que já tivemos. E de todas as pessoas que já conhecemos. E são esses momentos que se tornam nossa história”. E a minha foi bem-vivida. E ainda é.
“Quando você pensa que conhece alguma coisa, você tem que olhar de outra forma. Mesmo que pareça bobo ou errado, você deve tentar.“
Seja erro de português (não que eu fale o português “bem-dizido”), seja futilidade (quase todas), seja por qualquer motivo…
Seja fotografia que eterniza um momento para quem a registrou ou foi registrado, seja letras de músicas que podem fazer sentido para alguns (para outros só uma melodia agradável), seja pela comida postada (ou nunca degustada)…
Hoje bateu uma sensação de que o Facebook é uma perda de tempo.
Narcisismo? Exibicionismo? Voyeurismo?
Não preciso de nenhum dos três.
Cansei.
“A coisa mais importante que você pode aprender é amar e ser amado em retribuição”. Amor fraterno, sem cobranças. Amor de amigos. Amor da família.
E se realmente for meu amigo (a), fica a frase: “Porque em cada pedaço de mim, sempre haverá um pedaço de você”.
“Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só”.
“Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto”.
“Se for pra chorar pelo leite derramado, que seja leite condensado!”
Boa parte das frases acima, são de filmes. Com essa colcha de retalhos pra mim já deu.
Se precisar saber de alguém, vou ter o contato dessa pessoa.
Se ela precisa saber de mim, ela terá o meu.
Se ainda não tem, só pedir em mensagem privada. Até sexta-feira, me despeço de vocês.
“Eu sei que tudo isso serão apenas histórias algum dia. E nossas fotos se tornarão velhas fotografias. E todos nós nos tornaremos mãe ou pai de alguém. Mas agora, exatamente agora, esses momentos não são histórias. Está acontecendo. Eu posso ver. E nesse momento, eu juro, nós somos infinitos.”
Mais uma dose? É claro que eu estou a fim. A noite nunca tem fim. Por que a gente é assim?
Blog Perto Demais ou Whatsapp ou Twitter.

Força estranha

Eu vi um menino correndo, mas não vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino.
Atrás dele, outros garotos que buscavam ofendê-lo, agredi-lo, espanca-lo. Ou foi somente uma queda? Da dúvida, a certeza: morte.
Bullying surgiu como a palavra da vez, mas os assédios morais ou físicos sempre existiram. Culpa de uma mídia que impõe padrões de beleza ou comportamento, da falta de educação e respeito dentro de casa ou o quê?
São várias correntes para explicar a maldade e o prazer de humilhar ou “brincar”, como alguns insistem em justificar.
O fato é que ninguém está a salvo e, quase sempre, os culpados acham que a impunidade os protegerá. E parece isso mesmo.
Uma justiça que funciona com mandos e desmandos, leis obsoletas e legisladores preocupados com eles mesmos é que causam essa sensação.
Longe, na cidade olímpica e maravilhosa, outra queda. Dois irmãos mortos. A mãe foi morta esfaqueada e o pai também jogou o corpo da sacada. Tudo por conta, supostamente, da dificuldade financeira enfrentada.
Em outro canto, outro menino morre. Desta vez, ao tomar achocolatado envenenado. O responsável tentava se vingar de alguém que o roubara. Um será acusado de tentativa de homicídio, outro preso por furto. Furtaram mesmo foi a vida de uma criança.
Esse é o país que temos. Esse é o país que vivenciamos, pela segunda vez (ou terceira?), um presidente não terminar seu mandato e ser substituído pelo vice, em uma dita movimentação golpista.
Enquanto isso, a tal justiça decide suspender a Lei 13.290/2016, conhecida como Lei do Farol Baixo, que obrigava condutores de todo o país a acender o farol do veículo durante o dia em rodovias. Falam em pouca sinalização.
Se a própria justiça fica nesse vai e vem, o que dizer de acordos articulados nos bastidores políticos e, até parece, com aval do próprio judiciário?
Mais uma lei que com certeza pode evitar acidentes e que fica nesse jogo de “tira e põe”.
Pra completar a bagunça em que vivemos (ou estado de calamidade/caos instalado), a surpresa na caixa de e-mails: ex-deputado responderá por exigir porcentagem (5%) de remuneração de servidores comissionados para o partido dele.
Comprova-se que, com certeza, estamos lascados.
news.jpgEis um resumo desta semana: Brasil, de fato, o país do já teve, já foi, sabe quem sou?, piadas prontas.
Meninos, meninas, estupro, violência, crise, golpe, morte.
O que nos mantém?
Seria essa a força estranha do brasileiro?
Como a frase de um jogo recém-lançado: “ache esperança na desolação”.

Violência em todos os cantos

 

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Onde se lê “ultrapasse”, leia-se “passe”. (Foto encontrada na internet)

“Eu quero presentear
A minha linda donzela
Não é prata nem é ouro
É uma coisa bem singela
Vou comprar uma faixa amarela
Bordada com o nome dela
E vou mandar pendurar
Na entrada da favela”*

 

Não teve faixa amarela.
Teve a linha vermelha. Lavada com sangue. Mais uma vez. Perto de favelas.
A linda donzela, médica por paixão, andaria numa carruagem blindada. Não deu tempo.
Bordada com o nome do marido, amigos e parentes, a faixa, que virou coroa de flores, ficou na lápide.
Não muito longe, um segurança do prefeito do RJ morreu pela falta de segurança na mesma via. Via que vai e vem trazendo todos os dias milhares que buscam praias.
E na Olimpíada? Só os deuses do Olimpo para proteger os visitantes e, principalmente, os moradores cariocas?
Enquanto isso, em pouco menos de 30 dias, três mortos em ações policiais nas ruas paulistas. As vítimas? Duas crianças, sendo que uma estaria supostamente armada, e um trabalhador que temia blitz por conta de multas que não foram pagas.
Em Altamira, diferente do RJ e sua linha vermelha, no bairro Laranjeiras duas mulheres encontradas despidas e covardemente assassinadas. Como disse um militante altamirense, duas anônimas e sem “posses”. Poucos choram suas mortes.
A violência está por todo lado.
Em Belém, justiceiro mata bandido e fere outro, adolescente, na Cidade Velha.
Em Minas, um adolescente de 14 anos, que assaltou uma farmácia, foi cercado por populares e apedrejado. Está internado com traumatismo craniano.
Não é de hoje que chegamos ao fundo do poço da bárbarie e, mesmo assim, as notícias ainda espantam.
Como diz um dos trechos da música, vou comprar uma faixa amarela…
Melhor comprarmos uma caixa de lenços brancos para chorar nossos mortos e à fragilidade de nossas leis.

*Faixa Amarela (Zeca Pagodinho/Jessé Pai/Luiz Carlos/Beto Gago)

#PrayForOrlando

#PrayForOrlando
#PrayForOrlando

Imaginemos o seguinte diálogo.

_ Oi, Ron… Estou muito a fim de curtir esse fim de semana. Estou com meu namorado brasileiro e ele disse que neste domingo se celebra o Dia dos Namorados lá.
_ Legal, cara. Pô, se tiver a fim, vai uma turma pra uma boate muito boa. Topas?
_ Claro. Independente de qualquer coisa, hoje eu quero me divertir e amar – ele falou, sem saber que não voltaria pra casa.
A conversa, imaginária ou não, pode ter acontecido com qualquer um dos frequentadores de uma boate em Orlando, nos Estados Unidos.
_ Corre. Corre. Tem um louco atirando – gritava, mesmo com o som abafado pelos tiros, uma moça que tentava correr e segurava a mão da namorada.
Ela viu a hora que a companheira ficou pra trás e caiu. Era tarde. Mais uma vítima do ato covarde.
Também pode ter acontecido algo assim.
Diferentemente da tragédia do início do ano na casa de shows Bataclan, em Paris, provocada por terroristas ou do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), ocorrida por imprudência e irresponsabilidade, aparentemente o caso foi de total ódio, um caso explícito de homofobia.
Lá poderia ter, além de americanos, latinos, homossexuais, heterossexuais ou de qualquer outra orientação.
O acusado, morto pelos agentes policiais, teria ódio aos gays, segundo o pai dele.
Talvez um atentado do Estado Islâmico, ainda a ser confirmado pelas autoridades.
De concreto, pelo menos 50 mortos. Dezenas de famílias destroçadas.
Aqui, o dia foi destinado aos namorados, casais, ao amor…
Lá, uma data marcada com sangue e já registrada como um dos piores atentados na história norte-americana. O maior “doméstico”.
Primeiro ou terceiro mundo, sei lá, é importante se combater o discurso do ódio, do racismo, da intolerância religiosa, do fanatismo.
_ Será que um dia seremos aceitos? – ele questionou ao saber que vários amigos tinham morrido.
_ Não me importo com isso. Enquanto o pulso, pulsar, o que me importa é ser feliz.
Mais amor, menos ódio.
#PrayForOrlando

Infância roubada…

infancia roubada.jpgHá quase dois anos e meio postei o texto Virgem de Nazaré, projeta nossas crianças. Travava, entre outras coisas, sobre a morte do adolescente conhecido como “sombra do demônio”, que já passava a ser personagem de vários casos de furto e roubos em Altamira, no sudoeste do Pará.
Agora, em São Paulo, outro caso me surpreende – apesar de que muitos outros já aconteceram -, novamente envolvendo um garoto, mas de apenas dez anos de idade.
Segundo a Polícia Militar, o menino teria trocado tiros com os policiais durante uma fuga. A mãe reconheceu que o filho não estudava e vivia na rua. Ele já teria dois boletins de ocorrência registrando furtos anteriores, coisa que a genitora nega, mas por quê?
Ela também afirmou que o pai da criança estaria viajando, mas ele cumpriria pena por tráfico de drogas e, ela mesma, já foi presa por roubo e furto. Família desestruturada?
A criança morta estava acompanhada por um colega, de 11 anos. Crianças!
Entretanto, casos como esses só vêm à tona quando a mídia massifica a notícia em todos os meios possíveis, enquanto outros casos não ocorrem diariamente e ficam sob o prisma da regionalidade ou municipalidade em que foram consumados.
Não muito longe dali, uma menina, também de dez anos de idade, foi estuprada, morta e, com requinte de crueldade, teve o coração arrancado. Monstruosidade?
Novamente, o espetáculo midiático em explorar a crueldade humana se sobressai. É prato cheio para jornais sensacionalistas. Basta nos lembramos dos quase 40 segundos do vídeo do estupro coletivo no Rio de Janeiro.
Com a celeridade (nem tanto, na verdade) em que as postagens atravessam fronteiras e que tudo é compartilhado, li em um artigo que só quando o crime choca parece que nos importamos. Só quando o crime é exposto à exaustão é que algo pode ser mudado.
Pode? DEVE! PRECISA!
Para as famílias ou pessoas que vivem sob a redoma de uma falsa proteção e preceitos ditos morais/corretos, é o coração de cada um que é arrancado com tamanha violência.
É um tiro na testa de cada um de nós cada vez que crianças sofrem com a postura letárgica de um Estado e seu sistema socioeconômico em colapso?
O torpor do gigante que bradou recentemente precisa parar e, todos nós, sairmos às ruas não com camisas da seleção ou cor rubra, mas fazer valer o que prediz nossa chamada Carta Magna.
Ou, então, só nos resta, mais uma vez, pedir à nossa padroeira: Virgem de Nazaré, proteja nossas crianças. Orai por nós.

#EstuproNãoÉCulpaDaVítima

a_atriz_giselle_batista_em_seu_perfil_no_instagram.jpgPiauí. 2015. Quatro jovens abusadas sexualmente e jogadas de um penhasco de 10 metros de altura. Uma morreu.
Piauí. 2016. Adolescente de 17 anos é violentada por cinco covardes (me recuso a chama-los de homens), sendo quatro menores.
Rio de Janeiro. Vinte de maio de 2016. Trinta e três monstros e uma garota de 16 anos.
_ Fala, Zezão.
_ E aí, Martelo?
_ Cara, viu o vídeo do caso da menina ‘estrupada’?
_ Vi, meu. Doido, né? Os caras abusaram da mina na ‘maió’ cara de pau.
_ Ela vacilou, deve ‘tê’ dado mole.
Não importa. Índia, Brasil, Japão, Estados Unidos. Pará, Piauí, Rio de Janeiro.
Não existe local. Não existe fronteira. Não existe explicação. Não importa.
Não existe, no estupro, base para a vitimologia.
Trinta monstros de várias idades. Filhos da violência? Criaturas nascidas de chocadeiras porque não parecem gerados por uma mulher. Não devem ter mãe. Nunca tiveram.
Parecem ver a mulher como depósito e objeto de sua lascívia imoral e animalesca.
Em tempos de rápida divulgação, um colocou o vídeo e debochou da vítima. Outros seguem o mesmo comportamento idiota.
_ Caramba, Jão. Você viu o vídeo?
_ Da adolescente abusada sexualmente? Não e nem quero ver.
_ É. Poderia ter sido uma das nossas irmãs, mãe ou parente. Uma amiga que fosse.
_ A canalhice desses bandidos parece não ter limite. Filmaram, fizeram piadinha.
_ É. Cadeia neles. Pena que não, né? Nossa legislação…
Não importa. Um vídeo chocante de 40 segundos. Michel, que postou o vídeo, é só a ponta do iceberg. Muitos outros não enxergam o sexo oposto como seres que nem eles, com direitos e deveres.
_ Menina, tu vai sair com essa roupa?
_ Vou, prima. Tá legal?
_ Hum… Tá ‘provocativa’ demais. Tu vai arrasar.
_ E eu não sei?
Não importa a roupa. Não justifica. Elas não estão vestidas portando um cartaz: “abuse”.
Em Altamira, Evelyn só tinha nove anos e, mesmo assim, foi violentada e jogada em um terreno baldio.
Muitas outras não entram na estatística da segurança pública.
Segundo dados de 2014, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no país.
“Não foram 30 contra uma. Foram 30 contra todas”.
#EstuproNãoÉCulpaDaVítima