Por que a gente é assim?

images.jpg“A capacidade de perdoar vai determinar a qualidade do resto da sua vida mais do que qualquer coisa”. Perdoo os que me fizeram mal. Na verdade, não me fizeram. Eu fiz a mim mesmo. Fica o registro.
“O fato é: cada um de nós é a soma dos momentos que já tivemos. E de todas as pessoas que já conhecemos. E são esses momentos que se tornam nossa história”. E a minha foi bem-vivida. E ainda é.
“Quando você pensa que conhece alguma coisa, você tem que olhar de outra forma. Mesmo que pareça bobo ou errado, você deve tentar.“
Seja erro de português (não que eu fale o português “bem-dizido”), seja futilidade (quase todas), seja por qualquer motivo…
Seja fotografia que eterniza um momento para quem a registrou ou foi registrado, seja letras de músicas que podem fazer sentido para alguns (para outros só uma melodia agradável), seja pela comida postada (ou nunca degustada)…
Hoje bateu uma sensação de que o Facebook é uma perda de tempo.
Narcisismo? Exibicionismo? Voyeurismo?
Não preciso de nenhum dos três.
Cansei.
“A coisa mais importante que você pode aprender é amar e ser amado em retribuição”. Amor fraterno, sem cobranças. Amor de amigos. Amor da família.
E se realmente for meu amigo (a), fica a frase: “Porque em cada pedaço de mim, sempre haverá um pedaço de você”.
“Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só”.
“Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto”.
“Se for pra chorar pelo leite derramado, que seja leite condensado!”
Boa parte das frases acima, são de filmes. Com essa colcha de retalhos pra mim já deu.
Se precisar saber de alguém, vou ter o contato dessa pessoa.
Se ela precisa saber de mim, ela terá o meu.
Se ainda não tem, só pedir em mensagem privada. Até sexta-feira, me despeço de vocês.
“Eu sei que tudo isso serão apenas histórias algum dia. E nossas fotos se tornarão velhas fotografias. E todos nós nos tornaremos mãe ou pai de alguém. Mas agora, exatamente agora, esses momentos não são histórias. Está acontecendo. Eu posso ver. E nesse momento, eu juro, nós somos infinitos.”
Mais uma dose? É claro que eu estou a fim. A noite nunca tem fim. Por que a gente é assim?
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Meia-noite em Paris

4uah4p92u3ihnptzxsuqndumjHá um filme chamado Meia Noite em Paris em que o personagem principal admira e assume ser apaixonado pela década de 20. Lá, no passado, uma jovem de prenome Amanda e que seria uma das amantes de Picasso e outros pintores, afirma que admira e assume ser apaixonada pela virada do século, no período da Belle Époque. Ambos consideram cada uma dessas fases parisienses como a Era de Ouro do mundo.
A cidade-luz, que abriga romances, confusões, uma seleção de futebol que ficou engasgada para alguns brasileiros, Edith Piaf e tantos outros nomes, amanheceu em estado de emergência, choque, estática e extática.
O brilho da famosa torre que no Champ de Mars, na capital francesa, foi ofuscado pelos holofotes da mídia mundial sobre os atentados terroristas na noite da sexta-feira, 13.
A liberdade, igualdade e fraternidade foram perfuradas, explodidas, silenciadas e manchadas.
Por todo o globo, em várias cidades, monumentos foram iluminados como num gesto de apelo à paz, com as cores azul, branco e vermelho.
Como não se sensibilizar com a futilidade, covardia, “ultraje”, mesquinharia e sanguinária ação de oito frios assassinos em nome de um grupo maior?
Ernest Hemingway, que inclusive é retratado no filme de Woody Allen, escreveu em 1940, um romance chamado For whom the Bells tolls (Por quem os sinos dobram).
Em um trecho, que parece ter sido plagiado ainda ontem pelo presidente norte-americano Barack Obama, Hemingway diz que “quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade”.
Li reportagens e vi as cenas terríveis de tanta violência antes de ir ao encontro de um grupo de professores que iriam homenagear uma diretora escolar. Ao chegar, vi todos rindo, conversando. Católicos, evangélicos, partidos políticos diferentes, ideologias diferentes. Todos juntos. A intolerância, por mais que existisse ali, foi deixada de lado por um bem comum: a valorização da educação.
Que os valores ensinados nas escolas sejam diferentes das receitas ou instruções de como se armar ou atirar em alguém. Que sejam os mesmos dos ideais franceses e representados naquelas três cores.
Piaf, cantora francesa que ficou imortalizada com teu talento e voz inconfundível, e que, segundo um site cantava “claramente sua trágica história de vida”, gravou a música Ne me quitte pas (Não me deixes mais). Seria uma canção de separação escrita por um belga.
A letra, em uma das traduções, diz “Não me deixes mais. É necessário esquecer (…) Esquecer o tempo dos maus entendidos (…)”. E continua: “(…) Farei um reino onde o amor será rei, onde o amor será lei”.
Outra canção afirma que “mas é claro que o sol vai voltar amanhã”. Verdade. Afinal, passar a meia-noite em Paris, independente do ano, década ou período histórico, deve continuar tendo magia. Como no filme.

A morta fake e o Jornalismo digital

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Se confirmada, a trama a seguir é um dos casos mais bizarros da história do Jornalismo paraense, quiçá do Brasil. Rende algumas teses de doutorado para quem curte se debruçar em pós-pós-modernidade e redes sociais.

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O fato é que as pessoas estão completamente malucas. No dia 31 de julho, foi divulgado que uma moça de Belém, belíssima por sinal, foi morta em um assalto em São Paulo. A notícia foi divulgada no Diário Online (DOL) e até TV Record – no dia 1° de agosto a informação foi veiculada no Diário do Pará também. Óbvio que houve uma comoção nas redes sociais. Mas, estranhamente a notícia sumiu dos meios de comunicação.

No perfil da moça, não havia os tradicionais depoimentos com lamentos, orações e etc. O único vestígio da vida da vítima do terrível crime era um texto do namorado no próprio perfil dele, dizendo o quanto estava triste e que infelizmente…

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O céu continua em festa

idolosAnos 70, 80 e 90. Michael Jackson, Roberto Bolaños (Chaves), Ayrton Senna. Não necessariamente nessa ordem. Três estilos, três ídolos, várias gerações.
Michael revolucionou o videoclipe. Bolaños fez humor sem apelação. Senna encantou uma geração.
O legado de Thriller está perpetuado na música pop e seu estilo inovador. O sucesso do criador de Chaves estará para sempre nas lembranças de muitos adultos que riram das situações do menino que morava no barril (ou do herói atrapalhado). Ayrton continua, através da fundação que leva seu nome, fazendo campeões e resgatando a cidadania de crianças, jovens e adultos.
A música de Jackson chamada Man in the mirror tem um trecho que diz “Eu vejo as crianças nas ruas sem o suficiente para comer, quem sou eu para estar cego fingindo não perceber suas necessidades”. Essa criança poderia ser o “Chaves do oito”.
Uma tradução da música do seriado Chaves poderia ser trocada para “Lá vem o Senna, Senna, Senna. Todos atentos olhando pra TV”.
Michael foi o rei do pop. Senna, um ás das pistas. O primeiro foi querido no mundo inteiro. Senna, reconhecido mundo afora.
Bolaños, esse velho menino, talvez não tivesse a noção do que representou. Foi o rei do riso e o ás de várias sessões reprisadas.
Vi os três partirem. A mídia mostrou. O que ela não conseguirá jamais é mostrar que o céu continua em festa.
E em minha mente, a famosa trilha das vitórias de Senna toca agora por receber os personagens de Bolaños.

Uma ideia nunca morre

Resolvi esperar a decisão do terceiro lugar para terminar esse texto, começado depois da partida entre Brasil e Chile, decidida nos pênaltis.
Alguém me perguntou porque se chorava tanto naquela decisão, assim como milhares de brasileiros país afora. Eu fui piegas também e quase deixei as lágrimas escorrerem enquanto parecia ouvir “sou brasileiro, com muito orgulho”. Era um ato de amor à pátria. A mesma que fiz questão em não servir quando do serviço militar obrigatório.
Li recentemente um texto que me fez refletir bastante sobre esse assunto: patriotismo. Lógico que não vou discorrer sobre o mesmo tema e sob o mesmo prisma.
Ri bastante do que vi nas redes sociais, com postagens e montagens em relação à seleção brasileira de futebol. Compartilhei e até criei algumas também. Na mesma hora em que alguém chorava ou ria pela “humilhação histórica” da “canarinho”, tantos outros choravam de fome ou pela morte de alguém querido, seja pela violência desenfreada ou por doença. Outros riam em suas mansões embalados por músicas de letras estúpidas, embalados pelas bebidas alcoólicas e, quem sabe, outras drogas.
O futebol, como tantos outros espetáculos, visa a arrecadação, admiração, ostentação (ou não). A Copa do Mundo, desde quando foi anunciada que seria no país com uma “linda” história esportiva na categoria, foi criticada. Então, futebol também é crítica.
Em junho do ano passado, milhares de brasileiros foram às ruas cobrar mudanças políticas e sociais e não somente “tarifa” mais em conta no transporte urbano. Passados aqueles dias de turbulência pacífica e, também, vandalismos, chegou o grande dia.
De novo, mais reclamações. Abertura sem pompa e hospitais sem medicamentos ou médicos. Faltou animação assim como falta educação de qualidade em milhares de municípios. Mas as duas últimas observações não vemos com tanta veemência na internet. Nas ruas, só em casos esporádicos. Como a própria copa, realizada a cada quatro anos. Período que nos remete à mudança do poder executivo federal.
Procurar explicações sobre a atuação de 23 jogadores e uma comissão técnica é como procurar agulha em um palheiro. O trabalho continua de qualquer jeito. Para mim, para eles, para você. As vitórias passadas são esquecidas na mesma velocidade em que se ignora a existência de pessoas necessitadas, atropeladas, violentadas, ensanguentadas. Crianças, jovens, adultos, homens, mulheres, do Acre ao Rio Grande do Sul.
Ficamos em um amor ufanista tão embasbacado por uma camisa amarela que não sentimos o mesmo amor fraterno por quem sofre diariamente a dura realidade da vida de quem não é jogador de futebol ou outra celebridade.
Torci sim pelo Brasil, aquele em que algumas pessoas escolhem outras para representar toda uma nação em um torneio milionário, de obras faraônicas e superfaturadas. Não só aqui, mas também na África, Alemanha e por quê não, na Rússia?
Somos o quarto lugar de uma disputa em que 32 países escolheram seus representantes, quase que “guerreiros” que satisfazem a alma ou o orgulho de uma nação que, nem sempre, não olha para si mesmo.
A publicidade tentou imortalizar um jargão em que se pedia que os jogadores jogassem para as crianças, mas não lembra de que as crianças precisam mais que um título de futebol. A alegria momentânea da conquista do primeiro lugar é rapidamente substituída por um presente.
Fatores psicológicos e, de novo, socioeconômicos, resultam em frustração ou contentamento. Quando tivermos a sensibilidade – me disseram que ninguém conscientiza ninguém – de entender que a vida segue em frente, de que o saldo diminui ou aumenta proporcionalmente ao seu suor no trabalho ou comemorações festivas, de que cada um de nós somos campeões em nosso dia-a-dia, entenderemos que vale mais chorar por estar vivo, com todos os defeitos, imperfeições, falhas e erros. Que mais compensa saber que somos únicos, queridos por quem nos é próximo ou não, que somos todos responsáveis por nossos atos.
Creio que tudo isso coloca em xeque chorar por placares elásticos ou esperar por mais quatro anos. A hora é agora e não depois que a bola passar, alguém levantar um troféu ou as luzes se apagarem. Sem pieguice.
Se nos faltam melhorias na saúde e educação e sobra corrupção em tantos setores, vamos começar a olhar para dentro de si e não para dentro de quatro linhas.
Os verdadeiros campeões são aqueles que lutam pelo que acreditam e não pelo que recebem. Uma ideia, ouvi em um filme, nunca morre.
Bola pra frente, Brasil!

Mizaru Kikazaru Iwazaru

“Olha a banana; ovo e uva boa; mulher bonita não paga, mas também não leva”. Todas essas e muitas outras frases que todo mundo já ouviu ao frequentar uma feira deviam fazer parte da rotina do Luiz Silva, vereador. Em seu terceiro mandato legislativo, o vereador foi encontrado morto, envolto em mistério para a família.
Se na feira, uma verdadeira torre de Babel com tanta gente gritando e comprando e visitando ao mesmo tempo, as notícias se espalhavam rapidamente, não se é tão diferente nas transmissões radiofônicas.
Em Altamira, a segunda cidade no interior do Estado a ter uma transmissão televisiva, o rádio, até então, era a principal fonte de notícias para o município. Um dos principais nomes era o de João Matogrosso, que com o programa Na Beira da Mata, acordava centenas de pessoas com sua voz marcante e informações policiais, do pronto-socorro e outros assuntos. Morreu no local que mais amava ficar.
Aberta na década de 70, a Transamazônica (BR-230), atraiu muita gente de fora. Baianos, paranaenses e cearenses vieram tentar a vida na cidade que prometia ser o polo da região. Essa cidade, acolhedora, ajudou o empresário Raimundo Neto, dono de uma loja de confecções e bastante querido pelos familiares e amigos. Neto faleceu em acidente trágico de carro.
Na feira, não se ouvirá mais a voz do vereador. No rádio, não se terá mais o locutor. No comércio, não se verá mais o empreendedor.
homenagem1Três homens trabalhadores, três histórias dedicadas à cidade, três ausências sentidas, três dias seguidos.
Descansem em paz! Que Deus conforte os corações dos que ficam.

Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. (Jó 42,5)
Que possamos ver mais do que já ouvimos bastante.

Mudar é preciso

ImagemDentre tantos conceitos encontrados na internet, para a palavra jornalista, alguns comparam o profissional ao abutre. Não que eu concorde, até porque já senti na pele o que é ser jornalista, mas na semana passada, o grasnado não veio de quem portava um microfone ou uma câmera. A presa foi um jornalista e toda a liberdade de imprensa. O predador crocitante foi uma minoria que, através de uma “tática de ação direta, de corte anarquista (…) mascarados e vestidos de preto, para protestar em manifestações de rua”, assistiu extática um rojão acertá-lo.
Manifestar não é agredir, atacar ou assassinar. Se desta vez foi um repórter cinematográfico o atacado, em outras a polícia também atacou. Como uma conhecida comentou, são dois pesos, logo, seriam duas medidas?
O motivo dos protestos, o aumento das passagens municipais, com esse homicídio tomou outra proporção. Qual dimensão poderia ter para que o país mudasse, as leis fossem alteradas e a sociedade pudesse ser mais justa e igualitária?
Utopia? Pode até ser. Mas para a filha do profissional da comunicação, o trecho da música que diz “eu tantas vezes vi meu pai chegar cansado, mas aquilo era sagrado, um por um ele afagava” será ouvido num tom marcado pela melancolia e saudade. Pelo menos, o assobio abafará o grito. No silêncio de um quarto de hospital, como a mesmo escreveu, eram somente os dois, pai e filha, na despedida mais linda que ela poderia ter.

Telefone pra quê?

telefoneNão existe treco que mais perturba o ser humano que o tal do telefone. Você está no melhor do sono e o “são 6h, é hora de levantar” te incomoda. Vai tomar banho e justamente quando está todo ensaboado, lá está ele gritando novamente. O café é interrompido para atender a ligação de uma amiga que quer uma carona. Ao chegar ao trabalho, os ditos aparelhos parecem querer lhe enlouquecer. Pra completar, a secretária que repassa as ligações não informa quem é do outro lado da linha. Você, que já está estressado porque o início do mês – o 5º dia útil, na verdade – não chega e já tem cobrança do outro lado da linha. Resolve tomar uma água e mal consegue dar o primeiro gole. Retorna à mesa de trabalho, lê os e-mails enquanto um cliente liga de uma cidade com problemas na telefonia, a voz sai metalizada. Os filhos foram para a escola e na hora que saem ligam: “pai, vem me buscar”. É assim o dia todo. E foi assim que tudo acabou. Uma ligação e um sussurro: “aconteceu”. Não entendi no começo. Ou quis não entender. Continue Lendo “Telefone pra quê?”

O perigo de uma única história

Profissão? Repórter! Sim, repórter mesmo. O charme da profissão ainda existe? Sim, existe mesmo. Mas não é o mesmo de anos atrás. Ou é?
Vocês já viram a palestra, em vídeo, da escritora nigeriana Chimamanda Adichie? Ela trata de poder e estereótipos e, como o nome indica, sobre o perigo de uma única história. Não que seja mentira, mas elas se tornam incompletas.
Insistir somente em histórias negativas é superficializar e negligenciar outras. Aprendi que o jornalista tem que ouvir os dois lados, mas acredito em mais. Devemos tentar ouvir todos os lados.
O que vimos esta semana, naquela emissora que se acha dona da expertise em comunicação, foi o reflexo de não se atentar a duas premissas: repórter e os lados da matéria. Mostrar a linda Altamira – sim, linda! -, do jeito que foi exibido não foi totalmente correto e, principalmente, aceito por nós, moradores nascidos ou não aqui na cidade. Pontuar aspectos que causaram pânico (sim!) nos parentes de trabalhadores daqui não foi mostrar a realidade. Falar de coisas que existem, não só aqui, como se fosse “típico” dessa região, foi deprimente, triste. Continue Lendo “O perigo de uma única história”

E quando se está do lado negro da força? (Cayo Vinicius)

super_rpMuitos profissionais de Relações Públicas são contratados para assessorar uma empresa na construção de uma reputação sólida. Horas e horas de trabalho árduo estão envolvidas neste processo. Quase sempre é necessário fazer uma grande reforma na empresa: criar ou melhorar o canal de relacionamento com os públicos de interesse, estar sempre de olho na qualidade dos produtos ou serviços, buscar inovação e muitas outras características. E nada disso é garantia de sucesso, o mercado é extremamente competitivo e nem sempre é possível saber os passos do concorrente. Continue Lendo “E quando se está do lado negro da força? (Cayo Vinicius)”