Gente inocente vai pro céu

Aqui em Altamira, a barbárie tomou conta tem um tempo.
Infelizmente, ainda tem gente que compartilha as fotos no intuito de alimentar a fome mórbida de pessoas que desconhecem que isso é falta de respeito à memória do morto e da família. Mesma situação quando se tem casos de suicídio.
Uns afirmam que se você não gosta, é só não ver as fotos. Engodo para aumento de audiência, compartilhamento, “curtidas”.
Ainda não sei se já estão circulando fotos do caso monstruoso e que não será esquecido jamais em Janaúba, em Minas Gerais. Mais que a população, os pais nunca irão encontrar razão para segurar as lágrimas quando lembrarem que perderam seus filhos.
O nome da creche resume tudo: gente inocente.
Crianças de quatro anos mortas. Segundo assessoria do hospital municipal, outras 14 com mais de 20% do corpinho queimado.
Vi a reportagem. Mochilas no chão.
Impossível segurar o nó que se forma na garganta e os olhos lacrimejantes, vertendo em pequenas lágrimas.
O vigia de gente inocente foi o responsável. Ninguém ainda sabe o motivo do ato insano.
De novo, não adianta buscar montar esse quebra-cabeça macabro e apontar culpados.
Isso me fez lembrar do menino Bernardo, da Isabella Nardoni, Raquel Genofre, Evelyn Nicole e do desaparecimento do Natan. Todos inocentes. Alguns ainda permanecem como crimes que não foram desvendados.
“Gente inocente morre e vai pro céu”, acreditam alguns religiosos.
Pra outros, nunca sairão de dentro d’alma e do coração.

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#PrayForAltamira

Sempre em casos de grande repercussão de violência, como o maior atentado “doméstico” em território norte-americano, se posta #PrayForOrlando, #PrayForParis ou #PrayForLasVegas, por exemplo.
Não é desprezando as mortes dos que foram vítimas de atos insanos, monstruosos e covardes, mas ao olharmos para nosso umbigo, nosso quintal, também vivemos em tempos de guerra em Altamira.
Ch(oram) as mães, (ch)oram os filhos, choram os amigos.
Questionar sobre políticas públicas, seja de qualquer esfera, não irá trazer ninguém de volta, mas pode reduzir drasticamente essa triste realidade que assola Altamira.
Aparelhar as forças de segurança pública sem uma justa remuneração tampouco.
Enquanto isso, famílias são destroçadas.
Dados já bastante divulgados afirmam que o município é a cidade mais violenta do país quando analisados os casos de homicídios em relação ao número de habitantes. Em 2015, a taxa era de 107 por 100 mil habitantes.
Os altamirenses viram em pouco mais de 48 horas, dez pessoas serem assassinadas.
No “hell de janeiro”, como foi ilustrado em uma revista, o Exército foi acionado.
Aqui, no nosso Pará, recentemente o Ministério da Justiça autorizou a atuação da Força Nacional de Segurança Pública, a pedido do governo estadual. Somente para verificar as situações de presídios, após megaoperação de varredura e monitoramento dos presídios.
De novo, não importa se existem ou não políticas públicas, dinheiro para viaturas, salários maiores, armamento pesado ou policiamento ostensivo.
Nada trará quem teve a vida ceifada. Seja a vítima, seja quem fica.
Reclamar, caminhar, protestar… Idem.
Nada parece sensibilizar os que estão lá “mais em cima”, na posição de determinar, cumprir, legislar. Só atendem aos próprios interesses ou defendem a si mesmos, seja de maneira transparente e cínica ou sordidamente às escondidas, em tramas palacianas.
Aqui só fica a curiosidade em saber quantas vezes apareceria nas timeslines das maiores redes sociais, como o Facebook e o Twitter, a hashtag #PrayForAltamira ou em bom português, #OremPorAltamira
#PrayForAltamira

Já usei essa citação em outro texto, mas não vejo perder sua atemporalidade…

Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme.
Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido um promontório, ou perdido o solar de um teu amigo, ou o teu próprio.
A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido;
por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.

(John Donne, 1624)

Crianças (I)

Dia das crianças. Quem são nossas crianças?
Mortas, vítimas. Agressivas, vítimas. Inocentadas, vítimas. Agredidas, vítimas.
Cada vez em que se veicula histórias envolvendo crianças ou adolescentes o tema sobre maioridade penal volta à cena.
Meninas espancam menina por causa de ex. Menino desaparece sem deixar vestígios. Outro é assassinado depois de uma vida de crimes.
Menina é jogada de edifício. Menina é estuprada. Menino rouba e PM é acusada de homicídio.
Tantas notícias e ninguém quase atenta para o fato do que elas trazem nas manchetes ou entrelinhas: crianças.
Quem é pai sabe o quanto vale viver uma vida pelos filhos. Quem é mãe sabe o quanto é dolorido ver o sofrimento de um filho.
Dias das crianças chegando. Problemas sociais, financeiros, psicológicos? Crianças.
Nossa Senhora de Nazaré, proteja nossas crianças. De novo. E sempre…

Nem consigo raciocinar direito… Estado de tristeza e pesar pelas famílias destroçadas.

A tal poluição sonora

poluição sonoraEm quatro dias, muitas homenagens e festas. Na última sexta-feira (12), o Brasil celebrou N. Sra. Aparecida e o Dia das Crianças. No domingo (14), os paraenses se uniram em uma só massa na procissão do Círio de Nazaré, o Natal dos paraenses. Ontem (15), lembramos os professores e suas virtudes, apesar do descaso de muitos governantes com a classe. Entretanto, o motivo de citar as datas comemorativas é para cobrar outro assunto: poluição sonora. Como assim? Ora, a ideia que se tem é que tanta comemoração seja acompanhada de muito barulho. Mas não estou reclamando do coro de milhões de pessoas, dos efeitos sonoros de centenas de brinquedos ou das vozes que parabenizam os professores e esses, agradecem. A poluição sonora a qual me refiro é aquela dos sons automotivos.  É aquele que incomoda a vizinhança, estremece as vidraças e – pasmem – atrapalhou até a missa da noite na igreja central da cidade.  Continue Lendo “A tal poluição sonora”