Por que a gente é assim?

images.jpg“A capacidade de perdoar vai determinar a qualidade do resto da sua vida mais do que qualquer coisa”. Perdoo os que me fizeram mal. Na verdade, não me fizeram. Eu fiz a mim mesmo. Fica o registro.
“O fato é: cada um de nós é a soma dos momentos que já tivemos. E de todas as pessoas que já conhecemos. E são esses momentos que se tornam nossa história”. E a minha foi bem-vivida. E ainda é.
“Quando você pensa que conhece alguma coisa, você tem que olhar de outra forma. Mesmo que pareça bobo ou errado, você deve tentar.“
Seja erro de português (não que eu fale o português “bem-dizido”), seja futilidade (quase todas), seja por qualquer motivo…
Seja fotografia que eterniza um momento para quem a registrou ou foi registrado, seja letras de músicas que podem fazer sentido para alguns (para outros só uma melodia agradável), seja pela comida postada (ou nunca degustada)…
Hoje bateu uma sensação de que o Facebook é uma perda de tempo.
Narcisismo? Exibicionismo? Voyeurismo?
Não preciso de nenhum dos três.
Cansei.
“A coisa mais importante que você pode aprender é amar e ser amado em retribuição”. Amor fraterno, sem cobranças. Amor de amigos. Amor da família.
E se realmente for meu amigo (a), fica a frase: “Porque em cada pedaço de mim, sempre haverá um pedaço de você”.
“Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só”.
“Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto”.
“Se for pra chorar pelo leite derramado, que seja leite condensado!”
Boa parte das frases acima, são de filmes. Com essa colcha de retalhos pra mim já deu.
Se precisar saber de alguém, vou ter o contato dessa pessoa.
Se ela precisa saber de mim, ela terá o meu.
Se ainda não tem, só pedir em mensagem privada. Até sexta-feira, me despeço de vocês.
“Eu sei que tudo isso serão apenas histórias algum dia. E nossas fotos se tornarão velhas fotografias. E todos nós nos tornaremos mãe ou pai de alguém. Mas agora, exatamente agora, esses momentos não são histórias. Está acontecendo. Eu posso ver. E nesse momento, eu juro, nós somos infinitos.”
Mais uma dose? É claro que eu estou a fim. A noite nunca tem fim. Por que a gente é assim?
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Chocolate “quase” amargo

Willy Wonka morreu. Na verdade, o ator que o imortalizou (melhor que Johnny Deep), Gene Wilder, sofria e ninguém sabia, de Alzheimer.

Com um jeito de tio querido, Wilder encantou milhares de crianças, jovens e adultos no clássico A Fantástica Fábrica de Chocolates, em que o pequeno Charlie e outras quatro pequeninhos (nem tanto) vão conhecer a fábrica que dá nome ao livro.

“O que você ganha vendo muita TV? Uma dor de cabeça e um Q. I. de três anos. Por que você não tenta simplesmente ler um livro? E olhe só o que vai acontecer: Você não terá, você não terá, você não terá, você não terá, você não terá comerciais!”, é cantado pelos pequenos Woompa Loompas, ajudantes do excêntrico dono da fábrica.

Nada mais atual. Na tevê, no mesmo dia, o país inteiro presencia outro momento histórico (na verdade, poucas pessoas assistem).

O julgamento de uma presidente acusada de “pedaladas” fiscais e, depois de democraticamente eleita, sairá como o primeiro chefe do executivo federal a perder o cargo num processo de impeachment.

Discursos longos, frases de efeito, acusações de conspirata, palavras em defesa e, finalmente, o gran finale parece chegar. Dificilmente haverá um plot twist (reviravolta característica em roteiros cinematográficos ou não).

Por último, o famoso casal de apresentadores globais anunciou a separação depois de 26 anos de união. Em tempos em que a informação está célere, um tuíte foi o estopim para memes e comentários em praticamente todas as rodas de conversa.

Como dito pela primeira mulher no comando do Planalto em seu discurso no penúltimo capítulo desse seriado político da vida real, “se alguns rasgam o seu passado e negociam as benesses do presente, que respondam perante a sua consciência e perante a história pelos atos que praticam”.

De tantos sabores amargos vividos num dia 29 de agosto (cinema, política, televisão) para fãs, partidários e cinéfilos, só um me acalenta: a certeza que a fábrica de chocolates seria o local perfeito para reencontrar a amiga que se foi fisicamente.

Há 11 anos comemorou seu aniversário sem saber que o futuro lhe aguardava um desfecho muito rápido, mas o suficiente para fazer valer cada dia vivido ao lado de amigos e parentes.

Com a partida dela, a vida perdeu um pouco do doce aroma e sabor do chocolate.

O resto é história. E fofoca. Ou alguém tem um bilhete dourado por aí?

Belém 2016: como seria?

https://www.youtube.com/watch?v=tyhk7zPh4TM

DSCF9802 copiarHá quase sete anos, o Brasil celebrava o fato do Rio de Janeiro ser escolhida como sede para as Olimpíadas de 2016.
Agora com a data mais próxima, imaginemos muito hipoteticamente se tivesse sido Belém.
Agosto de 2016.
Inicia-se mais uma edição dos Jogos Olímpicos de Verão, popularmente Olimpíadas.
Estádio Olímpico Mangueirão. Uma imensa cuia de tacacá já estaria no gramado, devidamente coberto e forrado com bastante patchouli, que inebriaria milhares de pessoas ansiosas pelo espetáculo.
De repente, um grupo sairia correndo por um túnel. Devidamente vestidos com as cores dos dois maiores clubes do Norte. E ensaiariam um confronto bem coreografado. A polícia viria e eles voltariam para o túnel. No telão, a palavra: LUTE!
Depois, um ponto de ônibus seria rapidamente montado. Dois ônibus entrariam e passariam direto por quem aguardava por eles. Algumas pessoas correriam e pulariam obstáculos como poças d’água, vendedores ambulantes e outras coisas. No telão: ACREDITE!
Lindas caboclas marajoaras desfilariam com roupas típicas e, de repente, do meio da cuia, emergiria Pinduca e um grupo de carimbó.
Enquanto todos dançavam na pista de atletismo, macacos, jacarés e onças (sim, onças) feitas em E.V.A. seriam carregadas por voluntários de um lado para o outro. E lá na tela: VIVENCIE!
De repente, tudo ficaria escuro (nem tudo, afinal, muitos não teriam sofrido com um arrastão ali próximo e ainda estariam com os celulares ligados). Silêncio no Mangueirão.
Suspensa por um guindaste (ou descendo de tirolesa), Gaby Amarantos surgiria com plumas, paetês e muito brilho pelo corpo. No campo tirariam a cuia e no lugar ficariam vários carros tunados e com o volume ao máximo, com adesivos e nomes de alguns municípios de Salinas, Mosqueiro e Altamira.
A diva (como a chamam) cantaria o sucesso Xirley e todos fariam o “treme”. Na tela de LED agora se leria: CURTA!
Após mais um show pirotécnico (o quinto!), Lia Sophia viria pra dar outro clima na festa e cantaria Belém, Pará, Brasil, o clássico do Mosaico de Ravena, numa versão bem intimista.
Alguns perguntariam por Ximbinha e Joelma, mas eles não toparam dividir o palco. A palavra a ser exibida é: RESPEITO!
Painéis com fotos do Ver-o-Peso, Praça do Relógio, Museu Emilio Goeldi e a Casa das 11 Janelas (essa teria uma tarja preta) também seriam exibidas. Em letras garrafais no telão: INESQUECÍVEL!
Voltariam para o palco montado (agora uma réplica da Concha lá da Praça Santuário), ao lado de duas enormes mangueiras, Pinduca e Gaby para cantarem com a Lia, todos vestindo roupas roxas (representando o açaí), a música “Vós sois o lírio mimoso”.
Com todos os refletores apontando para um canto específico, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré carregada pelo Machida (que nem cobraria desta vez). No telão o público veria a palavra EMOCÃO!
Para a entrada dos atletas, tudo desfeito (afinal, são milhares). Em um dos lados do campo, outro palco e nele Nelsinho Rodrigues, que ninguém havia citado, puxa e embala o sonho dourado com a música Gererê.
Em seguida, quando todos estivessem devidamente enfileirados, o cidadão que atirou a flecha e acertou a senhora no ônibus, subiria num palanque e, tal qual em Barcelona, a pira olímpica seria acesa.
Para anunciar que os jogos já estariam abertos, o prefeito de Belém não estaria presente, pois ficou preso num engarrafamento monstro que começava em São Brás e iria até a Augusto Montenegro. O BRT não estaria funcionando.
A seguir, vamos imaginar como seriam os jogos. Vale nos lembrarmos dos carros com os adesivos. Belém seria a sede, mas algumas modalidades ocorreriam nas cidades citadas.
Sugestões?

Ligou ou não ligou?

waiting-room-best-practices-670x300.jpgCedo. Fila. Você com dor na coluna aguardando ser chamada.
_ Bom dia! – diz a atendente.
_ Bom dia. Gostaria de fazer esse exame.
_ Senhora, temos que pedir autorização ao convênio. Caso seja autorizado, ligaremos para a senhora. – informa.
Espera-se a manhã toda. Dezesseis horas da tarde e nada. Você retorna ao local.
_ Oi, boa tarde. Queria saber se já foi autorizado meu exame porque até agora ninguém daqui me ligou.

Silêncio. Corre-corre. Abre-se uma gaveta. Você aguardando uma resposta.
Em seguida, meio que desconcertada, outra atendente responde sem lhe olhar.
_ A outra moça não autorizou.
_ Como assim? Ela não ligou?
_ Não, não autorizou.
_ Quem? O convênio?
_ Não, a moça.
_ Do convênio? Ou a daqui não ligou – esbraveja a já impaciente.
Mais silêncio.
_ Ela ligou ou não ligou? – questiona mais uma vez, indignada.
_ Senhora, ela não autorizou porque não daria pra fazer hoje.
_ Então nem ligou?
_ Minuto que vou ligar pedindo autorização.
_ Então agora vai dar pra fazer?
Alguns minutos depois…
_ Foi autorizado.
_ E posso fazer hoje?
_ Sim. A senhora já vai ser chamada.
Exame feito e resultado para a próxima semana.
_ “A f.d.p. não ligou. Só pode” – pensa a agora totalmente irritada paciente.

A cena quase que de comédia aconteceu agora pouco com minha esposa num conhecido espaço de diagnóstico por imagem aqui em Altamira.
Sabe a sensação de que a primeira atendente não ligou por esquecimento? Pois é. Estamos com ela até agora.
Infelizmente, a vergonha de assumir que uma colega de trabalho falhou foi maior e, talvez por isso, o comportamento vexatório e as desculpas sem fundamento das atendentes.
Típico em vários locais aqui na cidade. Despreparo de atendentes ou má gestão dos administradores?

Olhai por nós, Senhor!

Fonte: Facebook/Wilson Soares
Fonte: Facebook/Wilson Soares

Desde novembro do ano passado não escrevo.
Às vezes, a vontade vem e vai com a mesma intensidade. Seja por cansaço físico ou fadiga mental. Preguiça, talvez.
Só que hoje eu não poderia deixar em branco algo que deixou a cidade, que escolhi para viver, mais cinzenta e vermelha e seus moradores de luto.
É fato que há muito esse pedaço de chão, vendido como um dos maiores municípios do mundo em extensão territorial, sempre é noticiado na mídia estadual ou nacional.
Abertura da Rodovia que prometia integrar para não entregar, usina hidrelétrica e meninos emasculados foram pautas do passado.
Agora, elas dão espaço a desaparecimento do pequeno Natan, a morte sem solução da angelical Evelin, milhares de trabalhadores em busca de oportunidades melhores em uma grande obra, indígenas passando facão no rosto de engenheiro e bloqueando estradas, chacina após a morte de policial e, hoje, uma família assassinada covardemente.
Enredo para vários e vários livros biográficos, policiais, históricos ou de ficção, essa “princesinha” deixou de lado as “espinhas de peixe” nos telhados para deixar atravessada nas almas dos seus moradores, marcas incuráveis e que acabam exibidas ou publicadas na imprensa.
O gigante até acordou e esboçou uma reação alguns anos, mas assim como ele, certos políticos (ou todos?) voltaram a dormir e deixam de acompanhar o que acontece em seus quintais.
Se fosse dentro das casas deles, seria diferente?
Um amigo disse que uma pesquisadora comentou que não adianta aumentar o número de policias nas ruas, pois a origem do problema seria outra.
Difícil será explicar para os filhos da empresária e seu esposo que, ao lado do outro filho, foram brutalmente mortos, dentro da própria residência.
Fala-se em caminhadas pedindo paz, justiça e intervenção. Filme parecido com esse eu já acompanhei vários. Aqui ou em outras cidades. Qual o resultado?
Reportagens que parecem não chegar aos governantes e aos que fazem as “leis”.
Aqueles que viajam com dinheiro pago pelo povo, desviam erário público e um monte de outras coisas que nem daria tempo para citar, dormem tranquilos, com certeza.
Só que para quem perde um parente, um amigo ou mesmo um desconhecido, o embalo do sonho é acompanhado por uma quimera.
Fazia tempo que não escrevo. Colocar no papel ajuda a refletir, mas não haveria papel, tinta ou alguém com paciência suficiente para ler o que gostaria de falar com palavras redigidas.
Só posso resumir tudo em quatro palavras: Olhai por nós, Senhor!

Meia-noite em Paris

4uah4p92u3ihnptzxsuqndumjHá um filme chamado Meia Noite em Paris em que o personagem principal admira e assume ser apaixonado pela década de 20. Lá, no passado, uma jovem de prenome Amanda e que seria uma das amantes de Picasso e outros pintores, afirma que admira e assume ser apaixonada pela virada do século, no período da Belle Époque. Ambos consideram cada uma dessas fases parisienses como a Era de Ouro do mundo.
A cidade-luz, que abriga romances, confusões, uma seleção de futebol que ficou engasgada para alguns brasileiros, Edith Piaf e tantos outros nomes, amanheceu em estado de emergência, choque, estática e extática.
O brilho da famosa torre que no Champ de Mars, na capital francesa, foi ofuscado pelos holofotes da mídia mundial sobre os atentados terroristas na noite da sexta-feira, 13.
A liberdade, igualdade e fraternidade foram perfuradas, explodidas, silenciadas e manchadas.
Por todo o globo, em várias cidades, monumentos foram iluminados como num gesto de apelo à paz, com as cores azul, branco e vermelho.
Como não se sensibilizar com a futilidade, covardia, “ultraje”, mesquinharia e sanguinária ação de oito frios assassinos em nome de um grupo maior?
Ernest Hemingway, que inclusive é retratado no filme de Woody Allen, escreveu em 1940, um romance chamado For whom the Bells tolls (Por quem os sinos dobram).
Em um trecho, que parece ter sido plagiado ainda ontem pelo presidente norte-americano Barack Obama, Hemingway diz que “quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade”.
Li reportagens e vi as cenas terríveis de tanta violência antes de ir ao encontro de um grupo de professores que iriam homenagear uma diretora escolar. Ao chegar, vi todos rindo, conversando. Católicos, evangélicos, partidos políticos diferentes, ideologias diferentes. Todos juntos. A intolerância, por mais que existisse ali, foi deixada de lado por um bem comum: a valorização da educação.
Que os valores ensinados nas escolas sejam diferentes das receitas ou instruções de como se armar ou atirar em alguém. Que sejam os mesmos dos ideais franceses e representados naquelas três cores.
Piaf, cantora francesa que ficou imortalizada com teu talento e voz inconfundível, e que, segundo um site cantava “claramente sua trágica história de vida”, gravou a música Ne me quitte pas (Não me deixes mais). Seria uma canção de separação escrita por um belga.
A letra, em uma das traduções, diz “Não me deixes mais. É necessário esquecer (…) Esquecer o tempo dos maus entendidos (…)”. E continua: “(…) Farei um reino onde o amor será rei, onde o amor será lei”.
Outra canção afirma que “mas é claro que o sol vai voltar amanhã”. Verdade. Afinal, passar a meia-noite em Paris, independente do ano, década ou período histórico, deve continuar tendo magia. Como no filme.

Só nos restam canções de despedida

luta oficialUm universitário e uma criança.
No ônibus que o levaria para uma excursão, amigos o viram sucumbir diante de bandidos covardes que atiraram sem motivo aparente. O fisioterapeuta de amanhã, Lucas, teve a vida interrompida na madrugada.
Na festa de aniversário, coleguinhas viram criminosos trocarem tiros com um policial e a pequena Ana, de oito anos, sem culpa alguma, foi atingida e não resistiu. A incerteza profissional de uma menina ceifada durante uma comemoração.
Duas mortes e várias famílias abaladas.
O policiamento quando quer parece ser ostensivo, mas a segurança pública em Belém e no Estado parece viver de ostentação.
Já prenderam dois suspeitos do latrocínio do rapaz. Policiais ainda buscam os monstros que adentraram na comemoração infantil.
Esse é o futuro do país? Para quem cantamos parabéns?
O retrocesso animalesco do ser humano e o descaso das autoridades só nos permitem entoar canções de despedida e orar bastante à proteção divina. Só Ele para nos salvar e proteger.

Fonte: Vídeo teria flagrado invasão de bandidos a festa infantil no ParáEstudante de fisioterapia é morto durante assalto, em Belém

“Ovo e uva boa”

feira2Não tinha como escrever sobre a feira sem lembrar-me do meu amado avô que, infelizmente, não tive a oportunidade de me despedir e a última vez que o vi já tem 15 anos.
O velho Edgar sempre brincava quando saíamos para supermercados ou feiras gritando o que ele mesmo teria escutado lá pelas bandas de Bezerros e Camaragibe: “ovo e uva boa”.
Piada repetida milhares de vezes e já refrão de música popular, não tenho ideia de como surgiu essa expressão, mas ao visitar o novo “velho” mercado do bairro Brasília, aqui em Altamira, pareci ouvir, longe, a voz do seu Edgar.
À medida que ia andando pelos amplos espaços onde transitavam feirantes, ambulantes, camelôs e consumidores, os cheiros, as cores e as conversas se misturavam em um turbilhão frenético de palavras, aromas e tonalidades bem em frente a mim.
O espaço democrático em que se reúnem centenas de pessoas, durante certo horário em determinado dia da semana, não tem uma data precisa de origem.
Essa incógnita é rapidamente esquecida quando vemos no olhar de cada feirante ou produtor rural as marcas do tempo, da esperteza e do suor para colocar no prato de tantos desconhecidos o alimento do dia a dia. Barracas colocadas uma ao lado da outra vendendo o mesmo produto com preço diferente, mas o sorriso ou a maneira com que lhe atendem faz a diferença.
Num amplo mercado competitivo, literalmente, muitos administradores ou proprietários de grandes lojas poderiam entender que um sorriso, um bom dia ou apenas um olhar afetivo faz diferença para nós, clientes.
Enquanto na feira você pode ser você e se desfazer do uniforme do trabalho, algumas lojas têm funcionários que parecem estar no tripalium¹, de tanto mau humor ou incapacidade de entender que é dali que sai seu sustento.
Uma funcionária pública me disse uma vez que não queria aprender outros serviços porque seria cobrada ainda mais. Já outra, eu ouvi agradecer ao patrão por não liberar um equipamento – com certeza, nada barato – para não ter que decorar códigos.
Na feira, felizmente, não vi ninguém reclamando disso. Pelo contrário, ao invés de lamentações, vi muita alegria e não tristeza.
Também não vi meu avô, porém, sinceramente lembrei-me dele lá. Algumas vezes, em Belém, andávamos e conversávamos muito. E quando ele via um ambulante com carrinho cheio de frutas, ele sempre dizia: “ovo e uva boa”.
Não é que era boa mesmo a danada da uva?

1: Técnica de sofrimento obtida com três paus fincados no chão, aos quais era afixado o condenado, quando não empalado num deles até morrer.

Dia das Mães (II)

maternidadeMother, madre, mutter, الأم, mère, אמא, moeder, 母, mater, мать, mor. Reia, na mitologia grega e Cibele, na romana. Virgem Maria, para os cristãos. Não importa o idioma ou história, essa é a mesma mulher que adota, carrega, carregou ou criou um ou mais filhos.
A data celebrada no segundo domingo de maio no Brasil, parece ter ficado mais interessante que o próprio Natal. Isso para o empresariado que vê, na comemoração, aumento significativo nas vendas.
Há mães de todos os tipos: a que adotou, a que criou, a mãe-avó (essa é a melhor), a que cuida sem ser mãe.
Os filhos, só são filhos, por causa delas. E elas só são mães por causa deles. É óbvio, mas cabe uma reflexão: somos mais filhos por tê-las ou elas são mais mães por ter-nos? Os filhos, esses, parecem querer muito mais o bem da mãe nesse dia que nos demais 364 do ano. Ou é impressão?
Quantas vezes durante o dia você pensa nela?
No final da tarde, você já se encontrou ligando para ela só para saber como foi seu dia?
Quando ela chega em casa, agradece a Deus por tê-la protegido?
Quando ela sai para o trabalho, pede a benção para o seu dia de trabalho?
Quando ela esquece alguma coisa, você se aborrece por ter que lembrá-la mais uma vez?
Quando você esquece algo, ela te aborrece por ter que lembrá-lo?
Quando, ao dormir, você diz “boa noite”, lembra dela te acalentando ou dando de mamar?
Quando, ao acordar, você diz “bom dia”, sabe que você foi o melhor que aconteceu para ela?
Isso se você pede benção, se diz “bom dia” ou “boa noite”.
Uma ligação sua, se ela mora longe, te coloca no colo dela. Uma ligação dela, se você não teve tempo, te faz bem?
Uma amiga diz que mãe é que nem CPF. Só podemos ter uma.
Mas existe, como disse antes, a avó, mãe pela segunda vez. Tem a madrinha e a comadre, mãe no batismo para os afilhados pelo fato de ser amiga da mãe.
Se olharmos a primeira linha do texto, quase todas tem a sílaba inicial com som de “ma”. Daí viriam “mamar” ou “mama”? Falar em mama, lembrei da ama-de-leite, mãe na alimentação.
Tantas mães e tantos tontos que a ignoram, batem e, inclusive, matam. Covardes e fracos.
A vontade era homenagear a mãe de meus filhos pelos maiores presentes que me deram. Era uma homenagem também a minha mãe, que está longe.
Era para lembrar de minhas tias e comadres, longe também. Relembrar minha avó, que deu o apelido para o primeiro neto e, felizmente, conheceu meu filho, seu primeiro bisneto. Lembrar da culinária, dos puxões de orelhas.
Ah, mães, madres, mothers, mères… Não existe motivo maior ou presente que supere o que vocês nos deram. A oportunidade de chamá-las assim: meu amor. Verdadeiro e incondicional.
Com acertos e erros.
As ideias e as palavras fugiram, mas as recordações estão escondidas e trancadas eternamente em meu coração. Feliz dia das mães.

Mais um ano…

Soa ridícula uma velha recomendação dos pais. “Meu filho, não beba”, pedem muitos. “Pai, o senhor sabe que não gosto disso”, respondem os jovens. Pura mentira e hipocrisia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool mata anualmente cerca de 320 mil jovens e é uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil.
Dados recentes demonstram que é por volta dos 12 anos de idade que se inicia o consumo de álcool e, muitas das vezes, dentro de casa. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que quase 35% dos consumidores tiveram o primeiro contato com a bebida alcoólica entre os 15 e os 17 anos.
Em uma festa que estive recentemente, pude constatar o que os índices apontaram: o jovem bebe. O que surpreendeu foi ver rapazes oferecendo copos com uísque ou cerveja para meninas de 14, 15 ou 16 anos. Mais espantoso ainda é que muitas é que pediam. “Não quero parecer a careta”, ouvi de uma. Modismo entre a turminha da escola? Os pais não recomendaram? Esses amigos são “os certos”?
Não pretendo discutir se do copo para cigarros ou pedras é um passo ou uma longa estrada. Por falar em estrada, quem nunca viu um rapaz ou moça sair de uma loja de conveniência com a latinha na mão e dirigir? A mesma pesquisa quantificou que 24,3% dos que consomem álcool já dirigiram sob o efeito dele. Preocupante? Alarmante!
Em agosto de 2014, após um show realizado em Belém (PA), uma motorista perdeu o controle do veículo, capotou várias vezes e bateu em outro automóvel estacionado. Três pessoas morreram. A cena se repete por tantas outras capitais e cidades do interior.
Se não é o condutor que morre, ele atropela e mata. Muitas das vezes, o irresponsável (homicida?) foge do local alegando “medo de ser linchado”. Seria isso ou a sensação de impunidade que tanto paira sobre o Brasil em todos os setores?
Infelizmente, em nosso país, tão rico em belezas naturais, a feiura se sobressai com o comportamento egoísta de jovens e adultos que parecem se esconder no manto do sobrenome familiar ou do cargo que exerce. É o famoso “sabe com quem está falando?”.
Basta vermos os escândalos que aparecem nos noticiários por aí e, como se comenta nas rodas de bar, “não vão dar em nada”.
O mais recente, a máfia das próteses, se mostra a cara do Brasil.
Parece que fomos um país que tentou se levantar, mas por ter ficado engessado tempo demais, se acamou novamente.
E assim se inicia mais um ano.

Muitos cometem o mesmo crime com resultado bem diferente: uns carregam uma cruz pelo crime; outros, uma coroa.
Décimo Júnio Juvenal, poeta romano