O vestido de festa

A professora chega à sala de aula. Na escola, festinha (atrasada) em homenagem às mães.
Triste, uma aluna fica encolhida e toda desconfiada no canto da sala, numa cadeirinha velha e a mesa não muito diferente.
_ O que você tem, meu anjo? – questiona a “tia”.
Nada. Nenhuma resposta. Só um fio de lágrima que começa a escorrer pelo rostinho da menina.
_ Meu Deus, Sofia*, que foi?
_ Todo mundo veio com roupa de festa e eu vim de uniforme – soluça a criança – Papai esqueceu de me arrumar com roupa de festa.
Nisso, ela observa as outras pequeninhas todas de vestidinhos.
_ Não ligue pra isso – pede a educadora.
_ É que eu não tenho nenhum vestido pra festa – lamenta.
_ Mas sua mãe vem, não vem? Ela vai ficar triste se ver você assim – lembra a encorajadora professora.
_ Ela não vem. Ela ‘tá’ trabalhando. Por isso que o papai me traz.
E o fio de lágrima daquele anjo vira uma cachoeira.

crianca-triste-fobia-escolar-59773Educação sem conforto, mãe ausente porque trabalha, pai esquecido ou a falta do vestido.
Não sei o que me dói mais. A soma de tudo isso ou o esforço de uma professora que ama sua profissão e ficou sensível à história.
Não fosse o abraço carinhoso e o colo aquecido para silenciar o choro de outras Sofias, eu também teria chorado.

* Nome fictício. O relato? Não.

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“Ele me ama”.

Feminismo (2)“Ei, sua doida, nem te conto. Acredita que o Nando chegou na noite passada e me trouxe um buquê tão lindo, tão lindo. Foi a primeira vez nesses cinco meses que ele me surpreendeu. Ele me ama mesmo”.
“Menina, nem te conto. Tu esquecestes que dia foi ontem, sua lesa? Dia deles nos presentearem por causa do dia da mulher, nosso dia. E na TV tinha cada presente bonito. No comércio, ‘lá embaixo’, tudo na promoção”.
“Ah, é mesmo. Tava quase esquecendo. Também, desde a hora em que eu acordo, eu não paro. Primeiro, ele aproveita o tesão do mijo e a gente namora. Depois, vai tomar banho e já pergunta se vou levantar pra fazer o café. Enquanto ele se arruma, eu saio e vou comprar pão. Quando volto, acordo os meninos para tomarem banho e se arrumarem para a escola. Depois que todo mundo sai, vou cuidar de ir na feira, voltar, fazer almoço, limpar a merda do cocô da Pitchula, lavar a área e colocar roupa de molho. Aí, hora do almoço, chega todo mundo e eu sirvo a comida. Ele briga comigo por causa do feijão sem sal. Acho que ele vem tão estressado do trabalho que parece que ele vai ter um treco. Eu entendo ele. É muita pressão. E aí, já viu, né? Já corre pro trabalho de novo. E eu, bom, vou apressar os meninos pra voltarem pro segundo turno no colégio e fico lavando ou passando roupa. Quando o Nando chega de noite, os meninos já estão prontos pra dormir e ele vai assistir o futebol dele. Nem pergunto nada porque não entendo mesmo e se eu falar besteira ele vem com ignorância de sempre. Isso quando ele não chega de madrugada ‘bebinho da silva’ e passa direto pro banheiro vomitar ou se joga na cama. Mas ontem… Ontem ele me deu rosas. Ele me ama”.
“Verdade. Ele parou de te xingar do que não presta?”
“Sim, já tem uns dois dias. Nem bater essa semana ele bateu. E poxa, ontem me dar rosas… É muito amor mesmo”.

“Cara, tu acreditas que se não fosse a empresa distribuir buquês pros funcionários levarem pra casa eu nem lembrava que dia era hoje? Vou dá pra patroa lá e vê se ela prepara uma ‘panelada’ pra mim”.

“Amor, que rosas lindas… Nem esperava isso. Te amo”.
“Eu também, Maria. Agora cala a boca que vai passar o Timão na TV. Agora dá um pulo lá no ‘gordo’ e traz uma caixinha de cerveja”.
FIM.
Fim?

Para muitos, isso é o 8 de março. E muitas se conformam.

Não é só em 8 de março que deve-se oferecer presentes, abraços ou cheiros.

Hoje foi ontem e será amanhã. Todos os dias devem ser dedicados a elas.

Leiam: A história do Dia Mundial da Mulher (Vito Giannotti)

Dia das Mães (II)

maternidadeMother, madre, mutter, الأم, mère, אמא, moeder, 母, mater, мать, mor. Reia, na mitologia grega e Cibele, na romana. Virgem Maria, para os cristãos. Não importa o idioma ou história, essa é a mesma mulher que adota, carrega, carregou ou criou um ou mais filhos.
A data celebrada no segundo domingo de maio no Brasil, parece ter ficado mais interessante que o próprio Natal. Isso para o empresariado que vê, na comemoração, aumento significativo nas vendas.
Há mães de todos os tipos: a que adotou, a que criou, a mãe-avó (essa é a melhor), a que cuida sem ser mãe.
Os filhos, só são filhos, por causa delas. E elas só são mães por causa deles. É óbvio, mas cabe uma reflexão: somos mais filhos por tê-las ou elas são mais mães por ter-nos? Os filhos, esses, parecem querer muito mais o bem da mãe nesse dia que nos demais 364 do ano. Ou é impressão?
Quantas vezes durante o dia você pensa nela?
No final da tarde, você já se encontrou ligando para ela só para saber como foi seu dia?
Quando ela chega em casa, agradece a Deus por tê-la protegido?
Quando ela sai para o trabalho, pede a benção para o seu dia de trabalho?
Quando ela esquece alguma coisa, você se aborrece por ter que lembrá-la mais uma vez?
Quando você esquece algo, ela te aborrece por ter que lembrá-lo?
Quando, ao dormir, você diz “boa noite”, lembra dela te acalentando ou dando de mamar?
Quando, ao acordar, você diz “bom dia”, sabe que você foi o melhor que aconteceu para ela?
Isso se você pede benção, se diz “bom dia” ou “boa noite”.
Uma ligação sua, se ela mora longe, te coloca no colo dela. Uma ligação dela, se você não teve tempo, te faz bem?
Uma amiga diz que mãe é que nem CPF. Só podemos ter uma.
Mas existe, como disse antes, a avó, mãe pela segunda vez. Tem a madrinha e a comadre, mãe no batismo para os afilhados pelo fato de ser amiga da mãe.
Se olharmos a primeira linha do texto, quase todas tem a sílaba inicial com som de “ma”. Daí viriam “mamar” ou “mama”? Falar em mama, lembrei da ama-de-leite, mãe na alimentação.
Tantas mães e tantos tontos que a ignoram, batem e, inclusive, matam. Covardes e fracos.
A vontade era homenagear a mãe de meus filhos pelos maiores presentes que me deram. Era uma homenagem também a minha mãe, que está longe.
Era para lembrar de minhas tias e comadres, longe também. Relembrar minha avó, que deu o apelido para o primeiro neto e, felizmente, conheceu meu filho, seu primeiro bisneto. Lembrar da culinária, dos puxões de orelhas.
Ah, mães, madres, mothers, mères… Não existe motivo maior ou presente que supere o que vocês nos deram. A oportunidade de chamá-las assim: meu amor. Verdadeiro e incondicional.
Com acertos e erros.
As ideias e as palavras fugiram, mas as recordações estão escondidas e trancadas eternamente em meu coração. Feliz dia das mães.

Dia das Mães (I)

lagrima1Um menino que sumiu sem deixar vestígios. Uma menina que morreu sem deixar culpados. Uma jovem que amou sem saber que ele seria a desculpa. Uma mulher que foi confundida sem chance de defesa. Em comum, além da violência na região, a figura materna que foi destroçada.
Em uma data mais comercial do que nunca, o Dia das Mães não será o mesmo para aquelas que perderam seus filhos, não só aqui, mas em todos os cantos.
Essa não é a ordem natural das coisas. Uma mãe (ou pai) não é quem deve enterrar suas crias e sim o contrário.
Enquanto isso, em um país vizinho, criança de 11 anos, vítima de estupro, não quer interromper a gravidez e gera polêmica. Lá, o aborto tem particularidades para ser autorizado. Aqui, não.
Mesmo assim, várias são as manchetes de casos em que pessoas do sexo feminino – me recuso a chamá-las de mulheres ou mães -, que optam por essa escolha ou, pior ainda, são coniventes ou assassinam aqueles que carregaram por 36 semanas.
Existem aquelas que, por outro lado, largam em sacos de lixo ou no meio da rua aquela criaturinha minúscula e tão desprotegida. Também podemos citar outras que, por dinheiro ou outro fator, sequestram bebês na maternidade.
De qualquer forma, atitudes condenáveis, pois esse não é amor de mãe.
Do parto ao primeiro dente que leva aos primeiros passos que segue às primeiras palavras que, de repente, sai de casa. É muito rápida a transformação. Tão rápido quanto nove meses que se passam carregando uma vida, dois corações que batem descompassadamente.
Como deve ser incrível ver o rosto do filho pela primeira vez e, depois de tantos enjoos, sentir o sal da lágrima que teima em cair ao ouvir aquele chorinho. Para nós, homens, a emoção com certeza é diferente, mas não inferior (bem, para quase todos os pais).
Amor de mãe é aquele que te faz acordar de madrugada, trocar a fralda suja, dar o leite, preparar o leite, levar à escola, aconselhar, proteger, brigar. É rir e chorar com a mesma intensidade.
Mais um dia das mães. Quando afirmei que o segundo domingo de maio é uma data mais comercial que as outras, é fato.
Dia das mães é todo dia.
Às mães que não terão motivos para comemorar por causa da dor da perda, lembrem que essa dor é que mantém os filhos vivos para sempre dentro dos corações e que dá coragem para continuar buscando justiça. Lembrem que essa dor só existe pelo amor aos filhos e que, com certeza, um dia terão a oportunidade de abraçá-los uma vez mais.

Filha eu entendo a sua dor | pois um filho um dia eu também perdi | lembranças de amor | é por ele que posso afirmar | que a vida minha filha, não termina aqui |||
Senhor muito obrigado, eu sei que estás comigo, | sarando minhas
Feridas, me dando novas forças | pra suportar o peso de tanta dor que
Atinge o meu peito |
Saudade dói demais, mas agora sinto paz | tenho
Forças, já consigo suportar | mas o peito ainda dói, falta um pedaço de
Mim | mas meu Deus está comigo a me ajudar | meu socorro bem presente é
Meu Deus, eu sigo em frente | sei que posso confiar e descansar | sei
Que Deus sabe o que faz, ele tem sempre o melhor | me consola
Link: http://www.vagalume.com.br/cristina-mel/lagrimas-de-mae.html#ixzz3ZgXW6V1q

Mães

maeMães que geram, que criam, que cuidam, que choram, que riem, que amamentam, que balançam, que cantam, que ninam, que trocam, que acariciam, que acalentam, que amam.
Há mães meninas, mulheres, avós, sós. Há mãe(drastas).
Tem pai que é mãe. Tem mãe que é pai. Tem filhos das mães que erram e as magoam.
Tem mães sem filhos porque já foram. Tem filhos sem mães porque elas se foram.
Mães de todos os tipos. Tipos que podem ser encontrados em milhares de mães.
Há mães batalhadoras, trabalhadoras, cozinheiras, faxineiras, bancárias, médicas.
Há mães que só geraram, mas não deixam de ser mãe. Há mães que não geraram, mas se tornaram mães, de alguma forma.
Há mães que pecam, matam, somem, sufocam, se perdem por diversas razões. Seria m(á)ães?
Tantas mães. Tontos filhos. Embriagados de amor ou saudade que ficou.
Mães. Simplesmente…
Mães.

Pequena e singela homenagem para minhã mãe (casa da mãe Joana), para minha esposa Denise e todas as mães que conheço.

Feliz “velho” ano novo

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jaimesouzza.wordpress.com

Presentes abertos, barriga cheia, finanças comprometidas. Promessas feitas para o início do ano, como a dieta nunca iniciada. Todo fim de ano é assim. Natal e ano novo. Famílias se reúnem e lojistas comemoram. Mas se fizermos uma grande reflexão, na festa cristã que celebra o nascimento de Jesus, figura central do Cristianismo, o que temos a comemorar? “Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo”, encontramos na Bíblia. Boas novas? Sim. Existem.
E quanto aos moradores de rua ou centenas de famílias que passam o Natal como mais um dia comum do ano? Para as pessoas que precisam de água, alimento e colchões nas cidades que foram atingidas por fortes chuvas? Ruas viraram rios na região em que “esse rio é minha rua”. O que espera uma criança que viu a casa onde mora ser tomada pelas águas? O período do inverno amazônico começou. Água da chuva que transborda os canais. Água nos olhos são lágrimas de quem vê o prejuízo e que turva a visão de ver quem ficou.
Ah, Natal é tempo de alegria. Vamos comemorar. Comemorar o quê? A chegada do ano novo? Sim, “esse ano quero paz no meu coração”, mas também gostaria de ver políticos sem compromisso com o cargo serem cassados.
Vamos celebrar o nascimento de mais um ano? Como, ao vermos crianças mortas pelos pais, pais assassinados, queimados pelos filhos? Que amor fraterno é esse que todos os dias “pipocam” nas emissoras? Não, não estou sendo pessimista.
Ano novo? Com as mesmas histórias de sempre?
Fomos entregar um presente da campanha “cartinha para o Papai Noel”. A história do nosso Natal esse ano foi diferente de todos os outros. Acho que podemos fazer diferente. Então vou pedir que o ano novo seja, de fato, novo. Sei que não é pedir muito. Cada dia é um dia. Vamos deixar dias sombrios para trás, apesar de sabermos que outros virão. Cada dia é um dia. Podemos lembrar muito dos 365 dias que se passaram…
Não, não quero citar incêndio na boate, visita do novo papa, mensalão, Brasil campeão, meninas do handebol , menino Joaquim, adolescentes infratores, policiais assassinados, enchentes, mulheres agredidas. Tampouco vou comentar sobre violência no trânsito. Isso fica para as retrospectivas televisivas.
Façamos a nossa própria retrospectiva relembrando onde erramos, onde acertamos, o que fizemos ou o que falamos. Preservar nossa saúde e de nossos entes queridos. Vivermos ao lado de quem amamos como se fosse o último dia.
Feliz último dia do ano. Feliz primeiro dia do próximo. Feliz 2014.

Virgem de Nazaré, proteja nossas crianças

http://ministeriodeevangelismoinfantil.blogspot.com.br/Em Altamira, no sudoeste paraense, mataram mais um adolescente, mas velho conhecido na cidade e das autoridades policiais. O “sombra do demônio”, apelido que ganhou por praticar furtos e roubos à noite, foi alvejado com três tiros. Vingança de alguém que ele furtou? Rixa entre bandidos? Falta de oportunidades na vida? Família desestruturada? Ausência do Poder Judiciário? Omissão do conselho tutelar? A droga o consumiu e, por causa dela, morreu? São várias perguntas para o início e meio, porém, uma verdade prevalece: outros “sombras” já existem e hão de existir, emergindo das sombras de dia ou de noite. Nas redes sociais, alguns vibravam. Muitos falaram que é “menos um” para assustar mulheres e crianças na cidade. Outros questionavam o que cada um tem feito para mudar a triste realidade das crianças e adolescentes que vivem à margem dos bons valores sociais. Enquanto isso, a mídia continua a expor a fragilidade do “sistema”. Dias atrás, adolescentes fizeram reféns doze pessoas na capital do Estado. Em outro assalto, um com 14 anos e outro de 16 tentaram roubar uma loja de calçados, em Marituba. Seja na região metropolitana de Belém ou no interior, questionamos: até quando? A proximidade de três datas comemorativas parece cada vez mais ter ligação entre elas: Dia das Crianças (infância), Dia do Professor (educação) e, para os paraenses católicos, o Círio de Nazaré (religião). Assuntos exaustivamente discutidos em fóruns, artigos e veículos de comunicação. O ECA, a LDB e a Bíblia possuem algumas respostas, mas nem sempre são consultados. Alunos vivendo em clima de guerra e professores sendo desrespeitados. Cadê a figura do “mestre querido”? Com os dias 12, 13 e 15 se aproximando, o que nós temos feito? O que podemos esperar? Ó, Virgem, olhai por nós e atendei nossas preces. Que Nossa Senhora de Nazaré abençoe todos os professores e proteja nossas crianças. Amém.

Todo dia é dia do dia de ser dia de algo, por Marli Gonçalves

“Os dias têm de tudo. É onde tudo pode acontecer, inclusive ser o dia das coisas mais estapafúrdias que você possa imaginar, se é que a nossa vã imaginação pode alcançar tantas datas criadas para alguém, de alguma forma, lucrar, nem que seja ganhando uma oração ou uma citação daquelas edificantes e bem chatas nas redes sociais. A esta altura você já perdeu algumas datas, mas só agora em outubro há previsão de 174 festejos, entre eles Dia do Nordestino, do Carteiro, do Poeta, da Economia e…da Poupança! Divirta-se no da Criança, e reze para Nossa Senhora proteger os professores”.

ARTIGO – Todo dia é dia do dia de ser dia de algo, por Marli Gonçalves.

Tem dia oficial, dia extraoficial, dia nacional e internacional, dias das categorias profissionais e de incentivar que muita gente faça alguma coisa pró, tipo Dia Internacional pela Prevenção das Catástrofes Naturais (7) ou Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra (27). Ah, também há semanas comemorativas! Só aqui no Brasil, pelo que vi, são 11 a cada ano. O engraçado é que poucos assuntos têm a ver mesmo com a data em si. Sabia que isso tudo tem muito a ver com política? Na verdade com a inoperância e fisiologismo que existe especialmente nas câmaras municipais. Mas também existem as datas forjadas na indústria das assembleias estaduais e esferas federais.
Mais perto de nós estão – ou deveriam estar, já que a maior parte prefere se atarracar no saco do mandante prefeito da ocasião – os legisladores municipais, os vereadores. Confesso que até já passou pela minha cabeça a ideia de me candidatar a vereadora, uma vez que tenho especial apreço aqui por essa cidade de São Paulo, onde nasci e vivo. Vivo inclusive vendo um monte de coisas que deveriam ser consertadas.
Desisto cada vez que vejo o agrupamento dos eleitos, a grande maioria fisiológica e sem qualquer compromisso com a cidade ou com ética ou com qualquer coisa levemente parecida com isso. Acho que ser vereador deveria ser um dos cargos políticos mais importantes e funcionar em prol dos cidadãos. Mas nessa Casa do Povo as conversas sempre são mais embaixo.
Lembrei deles porque é ali naquele plenário que, quando aparecem, votam: as tais datas, nomes de ruas e estapafurdices, como uma que expeliram essa semana, proibindo a venda de patês foie gras(fígado gordo de aves) na cidade de São Paulo. Tá bom:faço uma pausa para você aí que ficou boquiaberto e depois teve uma crise de riso – a minha reação, nervosa, porque dá vontade de fazer isso mesmo, e dizer umas poucas e boas palavras impublicáveis.
São esses mesmos os que passam o dia decidindo em seus gabinetes qual graça vão inventar, para aparecer, sumir, ou digamos, como diria o vesgulho Jânio, se locupletar. Tem um que inventou um projeto para dar dinheiro, 70 mil, para criação de algum veículo de imprensa “livre”, mas que será escolhido por uma comissão de representantes dos movimentos sociais. Libérrimo, livríssimo, probabilíssimo, singularíssimo e vaníssimo, para esgotar meus superlativos. Claro que o “gênio” do bilboquet é do PT, o partido que mais reúne essas ideias com o meu, o seu, o nosso dinheiro.
Mas eles não param por aí. E agora, além de inventar essas sandices, pretendem aumentar ainda mais o que não entregam em serviços. O IPTU do pedaço pode subir até 30%.
Fomos às ruas pelos malditos 20 centavos, o álibi que agora esses caras pálidas usam para justificar outros aumentos que, em escala, tornarão nossa vida cada dia mais difícil e árdua. Nada mais tem lógica? É uma estupidez atrás de outra. Dia após dia.
E aí, vai encarar? Vai calar? Porque a gente não cria logo um Dia do Protesto? Não é para fazer protestos todo dia, entenda bem, que esses que vêm ocorrendo já estão virando perigosa chacota.
Se todo dia é dia de reclamar de tanta coisa errada acontecendo, ainda piora porque aqui nesta cidade grande ainda tem mais essa: não dá mais para sair e voltar para casa sem se aborrecer. Todo dia é dia de rosnar com alguém ou alguma coisa.
Durma-se nuns feriados desses!

Carnaval exemplar

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Foto: Mágno Rabelo

Recentemente escrevi sobre o carnaval e seus exageros. Agora, volto ao tema para parabenizar o ineditismo do projeto para a folia em Altamira, este ano.
Sou Relações Públicas por formação, mas já trabalhei como repórter de TV. Apesar de poucos profissionais graduados na área da comunicação social, o esforço que repórteres, editores, cinegrafistas e todos que fazem o noticiário local – com contratempos, corre corre, chuva e sol, dia e noite, – foi reconhecido pela administração municipal.
A instalação de um camarote para a imprensa dentro do corredor da folia é algo louvável. Oferecer conforto a essas pessoas pode garantir que toda reportagem seja com segurança.
Por falar em segurança, a estrutura terceirizada também se destina a promover uma festa sem atropelos ou cenas como mostradas ano passado. Cabe a nós termos a consciência de não exceder o permitido e denunciar quem faz o proibido. Quem sabe, assim, a Folia realmente seja bastante Alta e ecoe pelo Pará como uma das melhores do Estado.

O carnaval do Carnaval e o excesso do prazer

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Lembro-me do primeiro período do curso de Direito. Durante uma das aulas de… de… (ô memória!) Sociologia, tivemos contato com o livro O que faz o brasil, Brasil?, do antropólogo Roberto DaMatta. Perdoem-me os eruditos, mas não conhecia o livro nem o autor.
Nada mais adequado para comentar os próximos dias que um dos capítulos desse livro. DaMatta diz, em um dos trechos que, “o carnaval é definido como “liberdade” e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecado e deveres. Numa palavra, trata-se de um momento onde se pode deixar de viver a vida como fardo e castigo”.
Pronto. Simples e direto, apesar de discordar com a premissa de a vida ser um fardo e castigo.
Mas é nessa festividade momesca e momentânea que milhões de brasileiros (e turistas) caem na farra solta. Opa, é uma festa popular, conclamam os que apoiam o consumismo desenfreado de álcool e dos abadás. Está bem, pode ser exagero meu. “É, no fundo, a oportunidade de fazer tudo ao contrário”, afirma o antropólogo. Continue Lendo “O carnaval do Carnaval e o excesso do prazer”