Meia-noite em Paris

4uah4p92u3ihnptzxsuqndumjHá um filme chamado Meia Noite em Paris em que o personagem principal admira e assume ser apaixonado pela década de 20. Lá, no passado, uma jovem de prenome Amanda e que seria uma das amantes de Picasso e outros pintores, afirma que admira e assume ser apaixonada pela virada do século, no período da Belle Époque. Ambos consideram cada uma dessas fases parisienses como a Era de Ouro do mundo.
A cidade-luz, que abriga romances, confusões, uma seleção de futebol que ficou engasgada para alguns brasileiros, Edith Piaf e tantos outros nomes, amanheceu em estado de emergência, choque, estática e extática.
O brilho da famosa torre que no Champ de Mars, na capital francesa, foi ofuscado pelos holofotes da mídia mundial sobre os atentados terroristas na noite da sexta-feira, 13.
A liberdade, igualdade e fraternidade foram perfuradas, explodidas, silenciadas e manchadas.
Por todo o globo, em várias cidades, monumentos foram iluminados como num gesto de apelo à paz, com as cores azul, branco e vermelho.
Como não se sensibilizar com a futilidade, covardia, “ultraje”, mesquinharia e sanguinária ação de oito frios assassinos em nome de um grupo maior?
Ernest Hemingway, que inclusive é retratado no filme de Woody Allen, escreveu em 1940, um romance chamado For whom the Bells tolls (Por quem os sinos dobram).
Em um trecho, que parece ter sido plagiado ainda ontem pelo presidente norte-americano Barack Obama, Hemingway diz que “quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade”.
Li reportagens e vi as cenas terríveis de tanta violência antes de ir ao encontro de um grupo de professores que iriam homenagear uma diretora escolar. Ao chegar, vi todos rindo, conversando. Católicos, evangélicos, partidos políticos diferentes, ideologias diferentes. Todos juntos. A intolerância, por mais que existisse ali, foi deixada de lado por um bem comum: a valorização da educação.
Que os valores ensinados nas escolas sejam diferentes das receitas ou instruções de como se armar ou atirar em alguém. Que sejam os mesmos dos ideais franceses e representados naquelas três cores.
Piaf, cantora francesa que ficou imortalizada com teu talento e voz inconfundível, e que, segundo um site cantava “claramente sua trágica história de vida”, gravou a música Ne me quitte pas (Não me deixes mais). Seria uma canção de separação escrita por um belga.
A letra, em uma das traduções, diz “Não me deixes mais. É necessário esquecer (…) Esquecer o tempo dos maus entendidos (…)”. E continua: “(…) Farei um reino onde o amor será rei, onde o amor será lei”.
Outra canção afirma que “mas é claro que o sol vai voltar amanhã”. Verdade. Afinal, passar a meia-noite em Paris, independente do ano, década ou período histórico, deve continuar tendo magia. Como no filme.

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Professor educa ou apanha?

0357Há pouco menos de um mês, um cenário de confronto revoltou a sociedade brasileira. Professores de um lado e policiais, do outro. O choque entre duas categorias tão discriminadas deixou dezenas de educadores machucados, sendo pelo menos 15 em estado grave. As imagens da repreensão violenta correram o mundo.
Hoje, 14, outra imagem causa indignação. Uma professora que participava de manifestação em Medicilândia, no sudoeste do Pará, foi covardemente agredida por um vereador.
Em Parauapebas, outro nobre membro de uma câmara legislativa debocha de toda a população dizendo que o salário de pouco mais de 10 mil reais quase não dá para sobreviver.
Dois políticos eleitos pelo e para o povo. Uma vez, durante um protesto aqui em Altamira, alguém do meu lado falou que a cidade estava sem governo. Outra pessoa respondeu na hora que era mentira, afinal, o povo tinha o governo que escolheu.
O vídeo feito, no caso de Medicilândia, já começou a circular nas mídias sociais e, lógico, causa indignação. De um lado, uma mulher que educa e do outro, um político eleito e pago pelos munícipes.
A “cultura de agressão”, termo que encontrei na internet, parece banalizar cada vez mais a violência, seja contra professores, mulheres, crianças, jovens, idosos etc.
Ano passado, uma pesquisa mundial colocou o Brasil na primeira posição do ranking de violência em escolas, com um percentual de 12,5 dos professores entrevistados afirmarem que são vítimas de agressões verbais ou físicas. Na Coreia do Sul, na Malásia e na Romênia, o índice é zero.
Será que esse é uma estatística irreversível?
Enquanto se procura uma ou várias respostas, alunos jogam carteiras ou esfaqueiam e políticos e órgãos da segurança pública avançam contra professores.
Nota zero, expulsão e reprovação nas urnas seria uma solução. Ou não?

Mais um ano…

Soa ridícula uma velha recomendação dos pais. “Meu filho, não beba”, pedem muitos. “Pai, o senhor sabe que não gosto disso”, respondem os jovens. Pura mentira e hipocrisia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool mata anualmente cerca de 320 mil jovens e é uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil.
Dados recentes demonstram que é por volta dos 12 anos de idade que se inicia o consumo de álcool e, muitas das vezes, dentro de casa. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que quase 35% dos consumidores tiveram o primeiro contato com a bebida alcoólica entre os 15 e os 17 anos.
Em uma festa que estive recentemente, pude constatar o que os índices apontaram: o jovem bebe. O que surpreendeu foi ver rapazes oferecendo copos com uísque ou cerveja para meninas de 14, 15 ou 16 anos. Mais espantoso ainda é que muitas é que pediam. “Não quero parecer a careta”, ouvi de uma. Modismo entre a turminha da escola? Os pais não recomendaram? Esses amigos são “os certos”?
Não pretendo discutir se do copo para cigarros ou pedras é um passo ou uma longa estrada. Por falar em estrada, quem nunca viu um rapaz ou moça sair de uma loja de conveniência com a latinha na mão e dirigir? A mesma pesquisa quantificou que 24,3% dos que consomem álcool já dirigiram sob o efeito dele. Preocupante? Alarmante!
Em agosto de 2014, após um show realizado em Belém (PA), uma motorista perdeu o controle do veículo, capotou várias vezes e bateu em outro automóvel estacionado. Três pessoas morreram. A cena se repete por tantas outras capitais e cidades do interior.
Se não é o condutor que morre, ele atropela e mata. Muitas das vezes, o irresponsável (homicida?) foge do local alegando “medo de ser linchado”. Seria isso ou a sensação de impunidade que tanto paira sobre o Brasil em todos os setores?
Infelizmente, em nosso país, tão rico em belezas naturais, a feiura se sobressai com o comportamento egoísta de jovens e adultos que parecem se esconder no manto do sobrenome familiar ou do cargo que exerce. É o famoso “sabe com quem está falando?”.
Basta vermos os escândalos que aparecem nos noticiários por aí e, como se comenta nas rodas de bar, “não vão dar em nada”.
O mais recente, a máfia das próteses, se mostra a cara do Brasil.
Parece que fomos um país que tentou se levantar, mas por ter ficado engessado tempo demais, se acamou novamente.
E assim se inicia mais um ano.

Muitos cometem o mesmo crime com resultado bem diferente: uns carregam uma cruz pelo crime; outros, uma coroa.
Décimo Júnio Juvenal, poeta romano

A triste realidade do racismo

“Dizei-me vós, Senhor Deus, se eu deliro ou se é verdade tanto horror perante os céus?!”.
O trecho do poema Navio Negreiro, um marco na história do romantismo brasileiro e escrito por Castro Alves, o “poeta dos escravos”, parece se encaixar perfeitamente ao que temos diariamente estampado em jornais e noticiários televisivos.
Não me refiro às monstruosidades cometidas contra quem foi assassinado ou torturado por motivos fúteis ou torpes, mas sim ao preconceito estampado em ações cotidianas que passaram a ser rotineiras: o racismo, em todas as formas.
Um caso que se tornou emblemático envolve o esporte preferido por milhares de brasileiros e, trazido por um branco inglês, sempre teve na categoria étnico-racial negra seus principais expoentes.
Uma jovem, branca e torcedora gremista, foi flagrada por câmeras de TV gritando a palavra macaco ao goleiro do time adversário. Anteriormente, um jogador brasileiro teve que comer, literalmente, uma banana jogada pela torcida rival.
Em 2012, uma atleta grega fez uma piada considerada racista e acabou expulsa da Olímpiada daquele ano. Agora, um dos clubes mais tradicionais do país foi eliminado de uma competição nacional e a moça branca perdeu o emprego e teve a casa atacada.
Se tirarmos o foco esportivo e voltarmos para o dia-a-dia em escolas ou ruas, a situação também é a mesma. Talvez a própria mídia seja culpada, pois um estudo recente comprovou que páginas de revistas voltadas ao público infanto-juvenil quase não tem foto de negras. Vale ressaltar que somos um país em que mais de 50% das meninas de 10 a 19 se declaram pretas ou pardas, é coragem alguém ainda insistir em tamanha babaquice e xingar o outro de macaco ou outras palavras com cunho ofensivo.
negro1Aqui em Altamira, no sudoeste paraense, uma acadêmica é a vítima da vez e, graças às mídias sociais, vem recebendo o apoio e carinho de amigos e desconhecidos.
Para completar a discussão, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmar que o racismo aqui é “estrutural e institucionalizado” e que parte dos brasileiros “negam a existência do racismo”. Talvez a pessoa que fez o comentário agressivo sobre a estudante da UFPa concorde e diga que foi só liberdade de expressão e não acredita que somos um país miscigenado racialmente.
A educação, nesse contexto, poderia ser a propulsora de mudanças, entretanto, ela mesma é fonte para discriminadores surgirem e outros saírem em defesa étnica.
Enquanto se fala mal dos outros e pelo que temos visto por aí, talvez já possamos responder ao clamor de Castro Alves há 145 anos. Não é fantasia e sim, realidade.

Trânsito mata inocentes e culpados

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Foto: Reprodução (G1)

Morte no trânsito. O título já foi usado inúmeras vezes por telejornais, jornais impressos e sites pela internet. Nunca escrito, mas quase sempre embutido nas entrelinhas, a imprudência é a responsável. Desta vez, três rapazes morreram após a capotagem de um veículo, em uma avenida bastante conhecida em Belém (PA). Uns disseram que teria sido após um “racha”, uma disputa tão babaca quanto praticar “roleta-russa”.
O trânsito brasileiro, a irresponsabilidade de condutores sem a mínima condição de dirigir, somado a uma legislação arcaica, contribui para que todos os dias e a qualquer hora, filhos e pais chorem a perda de seus filhos e pais.
Interessante ver que, mesmo sem conhecer as vítimas, outras pessoas se remoem, lamentam e se revoltam. É repugnante por sabermos que, muitas das vezes e como em tantos outros homicídios, os criminosos e assassinos responderão em liberdade e, quando muito, serão condenados e presos.
No caso em pauta, a jovem que já confessou, segundo a delegada, estar dirigindo sob o efeito de álcool. Ela não pensou nas consequências. Três mortos e uma foragida. Daria até nome de filme do Tarantino. O ruim é que não foi obra de ficção para três famílias arruinadas. Ou quatro, caso a jovem tenha a dela também.
Ainda de acordo com o que se viu e se leu, a delegada disse que ela poderá responder por homicídio culposo, aquele em que não há intenção de matar.
Seria uma comparação precisa se eu disser que, ao colocar latas em cima do muro de uma escola para treinar tiro ao alvo e, por um motivo qualquer, acertar uma criança, também irei responder por homicídio culposo?

Não acabou em pizza

wallpaper-pizza-de-qualidade-2342Imaginem: você sai do trabalho, cansado, e não vê a hora de chegar em casa. Lá, combina com o cônjuge de buscar a sogra que está chegando de viagem para passar dois dias trabalhando aqui e depois sair para jantar. Pede para os filhos se arrumarem e saem todos para o aeroporto. A sogra chega de viagem de trabalho a Santarém. Ela vem junto com uma amiga do trabalho. No caminho, decidem comer pizza. Procuram uma famosa franquia que se instalou em Altamira. Dia de quarta, promoção: pedido em dobro (de pizza). A sogra pede um frango à catupiry. Os filhos querem pizza de frango com catupiry e você escolhe uma de camarão com jambu. A filha mais nova, de um ano e meio, irá comer o mesmo frango com a avó. O tempo passa. Você pede um refrigerante, o garçom diz que só tem de 600 ml. Ao olhar para a mesa ao lado, você descobre que tinha de um litro. Enquanto isso, a sogra pede cerveja. Vem para a mesa, duas. Quentes! O tempo passa.  Continue Lendo “Não acabou em pizza”