Mais um ano…

Soa ridícula uma velha recomendação dos pais. “Meu filho, não beba”, pedem muitos. “Pai, o senhor sabe que não gosto disso”, respondem os jovens. Pura mentira e hipocrisia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool mata anualmente cerca de 320 mil jovens e é uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil.
Dados recentes demonstram que é por volta dos 12 anos de idade que se inicia o consumo de álcool e, muitas das vezes, dentro de casa. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que quase 35% dos consumidores tiveram o primeiro contato com a bebida alcoólica entre os 15 e os 17 anos.
Em uma festa que estive recentemente, pude constatar o que os índices apontaram: o jovem bebe. O que surpreendeu foi ver rapazes oferecendo copos com uísque ou cerveja para meninas de 14, 15 ou 16 anos. Mais espantoso ainda é que muitas é que pediam. “Não quero parecer a careta”, ouvi de uma. Modismo entre a turminha da escola? Os pais não recomendaram? Esses amigos são “os certos”?
Não pretendo discutir se do copo para cigarros ou pedras é um passo ou uma longa estrada. Por falar em estrada, quem nunca viu um rapaz ou moça sair de uma loja de conveniência com a latinha na mão e dirigir? A mesma pesquisa quantificou que 24,3% dos que consomem álcool já dirigiram sob o efeito dele. Preocupante? Alarmante!
Em agosto de 2014, após um show realizado em Belém (PA), uma motorista perdeu o controle do veículo, capotou várias vezes e bateu em outro automóvel estacionado. Três pessoas morreram. A cena se repete por tantas outras capitais e cidades do interior.
Se não é o condutor que morre, ele atropela e mata. Muitas das vezes, o irresponsável (homicida?) foge do local alegando “medo de ser linchado”. Seria isso ou a sensação de impunidade que tanto paira sobre o Brasil em todos os setores?
Infelizmente, em nosso país, tão rico em belezas naturais, a feiura se sobressai com o comportamento egoísta de jovens e adultos que parecem se esconder no manto do sobrenome familiar ou do cargo que exerce. É o famoso “sabe com quem está falando?”.
Basta vermos os escândalos que aparecem nos noticiários por aí e, como se comenta nas rodas de bar, “não vão dar em nada”.
O mais recente, a máfia das próteses, se mostra a cara do Brasil.
Parece que fomos um país que tentou se levantar, mas por ter ficado engessado tempo demais, se acamou novamente.
E assim se inicia mais um ano.

Muitos cometem o mesmo crime com resultado bem diferente: uns carregam uma cruz pelo crime; outros, uma coroa.
Décimo Júnio Juvenal, poeta romano

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Trânsito mata inocentes e culpados

acidente
Foto: Reprodução (G1)

Morte no trânsito. O título já foi usado inúmeras vezes por telejornais, jornais impressos e sites pela internet. Nunca escrito, mas quase sempre embutido nas entrelinhas, a imprudência é a responsável. Desta vez, três rapazes morreram após a capotagem de um veículo, em uma avenida bastante conhecida em Belém (PA). Uns disseram que teria sido após um “racha”, uma disputa tão babaca quanto praticar “roleta-russa”.
O trânsito brasileiro, a irresponsabilidade de condutores sem a mínima condição de dirigir, somado a uma legislação arcaica, contribui para que todos os dias e a qualquer hora, filhos e pais chorem a perda de seus filhos e pais.
Interessante ver que, mesmo sem conhecer as vítimas, outras pessoas se remoem, lamentam e se revoltam. É repugnante por sabermos que, muitas das vezes e como em tantos outros homicídios, os criminosos e assassinos responderão em liberdade e, quando muito, serão condenados e presos.
No caso em pauta, a jovem que já confessou, segundo a delegada, estar dirigindo sob o efeito de álcool. Ela não pensou nas consequências. Três mortos e uma foragida. Daria até nome de filme do Tarantino. O ruim é que não foi obra de ficção para três famílias arruinadas. Ou quatro, caso a jovem tenha a dela também.
Ainda de acordo com o que se viu e se leu, a delegada disse que ela poderá responder por homicídio culposo, aquele em que não há intenção de matar.
Seria uma comparação precisa se eu disser que, ao colocar latas em cima do muro de uma escola para treinar tiro ao alvo e, por um motivo qualquer, acertar uma criança, também irei responder por homicídio culposo?

Panem et circenses.

pao_e_circoA famosa expressão em latim reflete muito bem o que temos visto na música, esporte e política. Originalmente, era uma crítica a falta de informação do povo romano, que só queria comida e diversão. Vamos então aos fatos recentes: um famoso jogador de futebol (coincidência ser conhecido como Imperador) não treina, bebe bastante e depois pede desculpas; um cantor, filho de saudoso cantor de choros e sambas, afirmou em entrevista que todo mundo já fumou maconha uma vez na vida; uma mulher-fruta, candidata à Câmara de São Paulo, posta foto com o número de candidatura pintado na região glútea. Continue Lendo “Panem et circenses.”