A precoce erotização de nossas crianças

xmenina-salto-300x200.png.pagespeed.ic.TOW-OBakaaO Ministério Público quer abrir inquérito porque uma linda menininha de oito anos canta letras de duplo sentido e dança com apelo sexual. Mais ainda, o pai da jovem prodígio, afirmou que “não obriga sua filha a fazer nada”. Uns dizem que as letras não são pornográficas, mas sim, adultas. Ponto.
Outros dizem que é implicância com funk, afinal, se fosse rock ou sertanejo, nada demais criança gritar (sim, tem umas que gritam) que nem uma dupla sertaneja ou tocar uma música do Metallica na guitarra. Se fosse pagode, que mal em ir “só no sapatinho”?
De todo jeito, parece ser dinheiro fácil para quem encontrou um nicho de mercado aberto e que, pelo teor do conteúdo, agrada e muito a milhares de pessoas pelo Brasil.
No mesmo dia, zapeando em sites de notícias, leio que uma mãe entregou o próprio filho à polícia, após saber que ele violentou e roubou uma mulher de 41 anos. Diz o texto que “embora seja menor de idade, DeShawn irá responder pelo caso como adulto. Ele confessou a autoria dos crimes”.
Em outro jornal, agora impresso, fico sabendo que um menino foi vítima de bala perdida. Em outro texto, criança foi encontrada enforcada e com indícios de violência sexual no interior do Pará. Até aí, sem sair de casa, rodei várias cidades do Brasil e até do exterior.
A discussão sobre a violência e sexualização infantil de um lado e, do outro, se é futilidade indagar se os pais estão errados em deixar os filhos fazerem o que bem entenderem me deixou preocupado.
Muito “fofo” ver a menina rebolar até o chão ou cantar “eu vou, eu vou…”. Como li por aí, “quem vê maldade nisso é que tem problemas” e não o pai dela ou de qualquer outra personalidade mirim. Ah, tá.
Vale lembrar que tempos atrás, nada demais em “descer até a boca da garrafa”. Quem não se lembra das roupas das loiras da TV ou suas assistentes?
A própria “rainha dos baixinhos” levava cada atração em seu “xou”.
Também é preciso dizer que não é só a menina da melodia erotizada. Tem alguns ‘MCs’ que cantam com palavras mais pesadas e, nem por isso, parecem ofender os ouvidos.
Aquele que se batizou com o nome de personagem de desenho canta “Estava na rua, fumando um baseado, chegou a novinha e pediu para dar um trago (…) Dá a b***** para mim, (dá) o c* e fuma”. Meninos podem e meninas, não? Galvão diria: “pode isso, Arnaldo?”.
Enfim, creio que há limites., mas como a César o que é de César…
Parece que se perdeu toda a preservação da moral e da infância em nossa nação.
Minha filha chega a nossa casa, direto da escola, cantando “tem uma casinha bem fechadinha (…)”. No dia que ouvi-la com essa palhaçada nada engraçada, podem me chamar de retrógrado ou careta ou qualquer outro adjetivo nesse contexto. É “peia”!

Leia também: Desde quando criança é criança?

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Santa inocência perdida, Batman!

ImagemMenores presos em postes. Adolescentes envolvidos em crimes. Crianças sendo jogadas de veículos em movimentos. Isso foi ontem.
Agora, prefeito, cargo máximo na administração pública municipal, acusado de pedofilia. E mais recentemente, professora flagrada fazendo sexo oral em jovem de 13 anos. Como diria o Robin (personagem de HQ), “santa perda da inocência”.
No Amazonas, o político já está preso desde o último sábado (8), após se entregar. Contra ele, acusações de abusar sexualmente de meninas, fora outros – pelo menos 70 – processos. Pra variar, morosidade judicial ou benefícios pelo cargo?
Atravessando o país no sentido longitudinal, uma docente aparece em vídeo publicado na internet com um menor. O garoto e o pai já prestaram depoimento. O que pode ser negado se ela foi pega com a “boca no trombone”? Agora ela está preocupada com a repercussão do caso e também já se apresentou à polícia.
Duas situações em que crianças aparecem como vítimas.
A espetacularização da mídia em torno do sexo parece contribuir com um cenário que, pra mim, parece ser cada vez mais agravante. Menores iniciando na vida sexual muito mais cedo. Músicas com duplo sentido incentivando meninas e meninos à prática sexual. Programas em que o que conta é mostrar os seios, fazer sexo sob o edredom e bebida alcoólica à vontade.
Não se tem mais pudor ao se falar sobre um assunto que já foi tabu e, hoje, está escancarado nas conversas escolares, televisivas e publicado em jornais.
Podem até me chamar de “careta”, mas com o passar do tempo, parece que realmente, a “santa inocência” está com os dias contados.

O carnaval do Carnaval e o excesso do prazer

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Lembro-me do primeiro período do curso de Direito. Durante uma das aulas de… de… (ô memória!) Sociologia, tivemos contato com o livro O que faz o brasil, Brasil?, do antropólogo Roberto DaMatta. Perdoem-me os eruditos, mas não conhecia o livro nem o autor.
Nada mais adequado para comentar os próximos dias que um dos capítulos desse livro. DaMatta diz, em um dos trechos que, “o carnaval é definido como “liberdade” e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecado e deveres. Numa palavra, trata-se de um momento onde se pode deixar de viver a vida como fardo e castigo”.
Pronto. Simples e direto, apesar de discordar com a premissa de a vida ser um fardo e castigo.
Mas é nessa festividade momesca e momentânea que milhões de brasileiros (e turistas) caem na farra solta. Opa, é uma festa popular, conclamam os que apoiam o consumismo desenfreado de álcool e dos abadás. Está bem, pode ser exagero meu. “É, no fundo, a oportunidade de fazer tudo ao contrário”, afirma o antropólogo. Continue Lendo “O carnaval do Carnaval e o excesso do prazer”

Panem et circenses.

pao_e_circoA famosa expressão em latim reflete muito bem o que temos visto na música, esporte e política. Originalmente, era uma crítica a falta de informação do povo romano, que só queria comida e diversão. Vamos então aos fatos recentes: um famoso jogador de futebol (coincidência ser conhecido como Imperador) não treina, bebe bastante e depois pede desculpas; um cantor, filho de saudoso cantor de choros e sambas, afirmou em entrevista que todo mundo já fumou maconha uma vez na vida; uma mulher-fruta, candidata à Câmara de São Paulo, posta foto com o número de candidatura pintado na região glútea. Continue Lendo “Panem et circenses.”

“Joãozinho, leia mais!”

Vanessa-de-OliveiraEscrevo esse texto somente agora porque Agora é Tarde. Se pudesse, teria escrito antes. Quero falar sobre alguém que se propõe a protestar tirando a roupa pedindo que as pessoas leiam mais é coisa que não esperava ver “ao vivo” na TV, talvez em fotos. Sem pirataria e sem roupa. Já pensou se a moda pega? Alunos ávidos por uma professora ficar pelada ao questionar se eles leram a atividade. E se você fosse dentro de uma farmácia: “você leu a bula?”; na academia: “você leu aquele artigo sobre o spin?”; na loja de eletrodomésticos: “você leu o manual de instruções”; na igreja: “vocês leram o salmo?”. Convenhamos que essa é uma desculpa para se autopromover. Ou não? Continue Lendo ““Joãozinho, leia mais!””

A nudez e a opinião pública

extaseUma bela mulher sai nua de um lago. É mais uma cena do filme Êxtase, uma coprodução Tchecoslováquia/Áustria, do diretor Gustav Machatý, onde ocorre o primeiro nu frontal do cinema, há quase 80 anos. Mas do voluptuoso corpo da atriz Hedy Lamarr para o midiático mundo em que vivemos já se vão quase oito décadas. Mesmo assim, o nu não perdeu o impacto que ainda causa em muitas pessoas.
O naturismo é tratado com, óbvio, naturalidade pelos adeptos. Revistas ditas masculinas vendem milhares de exemplares e arrecadam outros tantos milhares em reais. Aquela imagem do filme preto-e-branco fosse veiculada hoje, não seria nada. Uma imagem veiculada recentemente, já é o contrário. Uma não, várias. Foram destaques na TV, rádio, jornal impresso. E principalmente na internet, que derruba fronteiras geográficas e onde sonhos de muitos homens e mulheres se tornam realidade. Continue Lendo “A nudez e a opinião pública”