n°GargalO: Prostituição, por Gabriel Novis Neves

Lástima que apenas os poetas e uns poucos privilegiados entendam, por exemplo, a mensagem  do  inesquecível Vinicius de Moraes, que através de um belo verso simboliza todo o imenso vazio da humanidade: “Você que só ganha pra juntar, o que é que há, diz pra mim, o que é que há?

n°GargalO: Prostituição, por Gabriel Novis Neves.

Essa palavra nos lembra do comércio de corpos e da profissão mais antiga do mundo.
Esquecemo-nos, entretanto, que a prostituição é muito mais que isso.
Ela abrange toda e qualquer atividade a que nos entregamos apenas por dinheiro.
Não seria, por exemplo, prostituta, aquela mulher que há muitos anos mantém uma relação marital com alguém que não mais ama, apenas por segurança econômica e preservação de seu patrimônio?
E aquele indivíduo que apenas por amor às cifras  vultosas recebidas vende a própria consciência em transações escusas?
E aquela pessoa que passa a vida odiando a profissão que exerce apenas em função dos lucros daí auferidos?
Normalmente, não paramos para pensar nos grandes malefícios que advém dessas condutas doentias.
O processo da educação não costuma passar pela cultura do prazer, e sim, pela cultura do sucesso.
Não nos habituamos a estimular os nossos descendentes a se entregarem na vida ao que mais lhes agradam, mas ao que lhes trará maiores sucessos econômicos.
A nossa preocupação não está vinculada à satisfação pessoal, ao contrário, isso é o que menos conta.
Daí, tantos adultos frustrados e doentes ao perceberem suas vidas pautadas apenas por sucessos financeiros, que se mostram precários como fontes de realização e felicidade.
Isso é evidente em casos de jovens encantados  com música, dança ou pintura e que desde cedo foram desestimulados por seus progenitores, por não considerarem atividades artísticas rendosas.
Realmente, a distorção provocada pelo sistema começa muito cedo.
Parece que lentamente estamos trilhando caminhos melhores, uma vez que já começamos a ver em várias partes do mundo a utilização de testes vocacionais, fundamentais na busca de reais talentos.
Sem prazer, não existe possibilidade de trabalho produtivo enriquecedor para o indivíduo e, muito menos, para a sociedade como um todo.
Vemos com frequência, entre os  amealhadores de grandes fortunas, muita depressão. O sucesso estabelecido, normalmente, é inversamente proporcional ao bem estar e ao equilíbrio emocional.
Lástima que apenas os poetas e uns poucos privilegiados entendam, por exemplo, a mensagem  do  inesquecível Vinicius de Moraes, que através de um belo verso simboliza todo o imenso vazio da humanidade: “Você que só ganha pra juntar, o que é que há, diz pra mim, o que é que há?”.
Talvez, por essa percepção subliminar, as prostitutas sejam tão descriminadas, uma vez que elas ostentam abertamente a conduta que toda uma sociedade costuma praticar sem assumir.
Pensemos nisso.
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O perigo de uma única história

Profissão? Repórter! Sim, repórter mesmo. O charme da profissão ainda existe? Sim, existe mesmo. Mas não é o mesmo de anos atrás. Ou é?
Vocês já viram a palestra, em vídeo, da escritora nigeriana Chimamanda Adichie? Ela trata de poder e estereótipos e, como o nome indica, sobre o perigo de uma única história. Não que seja mentira, mas elas se tornam incompletas.
Insistir somente em histórias negativas é superficializar e negligenciar outras. Aprendi que o jornalista tem que ouvir os dois lados, mas acredito em mais. Devemos tentar ouvir todos os lados.
O que vimos esta semana, naquela emissora que se acha dona da expertise em comunicação, foi o reflexo de não se atentar a duas premissas: repórter e os lados da matéria. Mostrar a linda Altamira – sim, linda! -, do jeito que foi exibido não foi totalmente correto e, principalmente, aceito por nós, moradores nascidos ou não aqui na cidade. Pontuar aspectos que causaram pânico (sim!) nos parentes de trabalhadores daqui não foi mostrar a realidade. Falar de coisas que existem, não só aqui, como se fosse “típico” dessa região, foi deprimente, triste. Continue Lendo “O perigo de uma única história”

E quando se está do lado negro da força? (Cayo Vinicius)

super_rpMuitos profissionais de Relações Públicas são contratados para assessorar uma empresa na construção de uma reputação sólida. Horas e horas de trabalho árduo estão envolvidas neste processo. Quase sempre é necessário fazer uma grande reforma na empresa: criar ou melhorar o canal de relacionamento com os públicos de interesse, estar sempre de olho na qualidade dos produtos ou serviços, buscar inovação e muitas outras características. E nada disso é garantia de sucesso, o mercado é extremamente competitivo e nem sempre é possível saber os passos do concorrente. Continue Lendo “E quando se está do lado negro da força? (Cayo Vinicius)”