Máscaras? Por quê? (parte 2) (Denise Alves – pedagoga)

ImagemA barbárie voltou. Depois de quase cinco meses, vândalos destroem instalações dentro de um canteiro da usina Belo Monte. Ativistas, ambientalistas e índios invadiram em junho o sítio Belo Monte e promoveram quebra-quebra. Agora, mascarados vestidos de operários (ou é o inverso?) destroem instalações, queimam veículos e furtam objetos. Até quando? A frase que usei em junho foi “A violência destrói o que ela pretende defender a dignidade da vida, a liberdade do ser humano”. Insatisfeito com o trabalho? Procura outro. Tá difícil? Corre atrás, qualifique-se, aja. Mas agir com banditismo – tem outra palavra pra isso? -, para conseguir melhorias é como o ladrão que rouba porque tem filhos com fome. Não! Não justifica. O diálogo é sempre mais prudente e sábio. De novo, atos insanos, dessa vez, nada “espiritual”. Se impedir o crescimento energético e, consequentemente, econômico do país com a alegação que essas obram sobrepujam questões sociais, é o estopim para o vandalismo, o que dizer de um povo que aguarda a copa do mundo caso os estádios não fiquem prontos em tempo hábil? Apagão energético e esportivo!

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Máscaras? Por quê? (Denise Alves – pedagoga)

MascaradoComo disse João Paulo II: “A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano”. Já Carlos Drummond de Andrade disse: “A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadora”. Duas citações, dois grandes nomes, um mundial e outro brasileiro. Ambas cabem perfeitamente ao que o Brasil viu estarrecido em Vitória do Xingu, dentro de um canteiro de obras da UHE Belo Monte. Manifestantes e indígenas, alguns usando máscaras, no intuito de ocultar a própria identidade. Vergonha? Medo? Covardia? Não nos cabe buscar respostas a esses questionamentos. Quem quer o rio vivo alega não compactuar com o vandalismo. Um dos slogans de um evento realizado na comunidade em frente ao principal canteiro do projeto dizia: “ocupe”. Ok, eles têm razão. Nada foi incitado. Cobrar respeito à vida e à natureza através de banditismo é nobre? É justo? É legal? De quem é a culpa? A culpa é da tecnologia que registrou em imagens cenas de depredação, queima de arquivos e destruição de móveis. Os culpados somos nós, moradores que precisam de energia e que vivem em constante blecaute. Cobrar a ausência de políticas sociais para um povo esquecido por décadas, isso sim é justo. Mas sem atos insanos. Ou “espiritual”. O filósofo chinês Confúcio disse: “Quando uma flecha não atinge seu alvo, o arqueiro deve culpar a si mesmo e não a outra pessoa. Assim também se comporta o homem sábio”. Alguém viu esse homem?

Concordo. Quem quer protestar ou cobrar melhorias ou outra coisa do tipo, que mostre o rosto. Como diz o editorial de O Liberal de hoje: “Essas condutas são criminosas. Logo, não são criminalizáveis. Simples assim”.