Violência em todos os cantos

 

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Onde se lê “ultrapasse”, leia-se “passe”. (Foto encontrada na internet)

“Eu quero presentear
A minha linda donzela
Não é prata nem é ouro
É uma coisa bem singela
Vou comprar uma faixa amarela
Bordada com o nome dela
E vou mandar pendurar
Na entrada da favela”*

 

Não teve faixa amarela.
Teve a linha vermelha. Lavada com sangue. Mais uma vez. Perto de favelas.
A linda donzela, médica por paixão, andaria numa carruagem blindada. Não deu tempo.
Bordada com o nome do marido, amigos e parentes, a faixa, que virou coroa de flores, ficou na lápide.
Não muito longe, um segurança do prefeito do RJ morreu pela falta de segurança na mesma via. Via que vai e vem trazendo todos os dias milhares que buscam praias.
E na Olimpíada? Só os deuses do Olimpo para proteger os visitantes e, principalmente, os moradores cariocas?
Enquanto isso, em pouco menos de 30 dias, três mortos em ações policiais nas ruas paulistas. As vítimas? Duas crianças, sendo que uma estaria supostamente armada, e um trabalhador que temia blitz por conta de multas que não foram pagas.
Em Altamira, diferente do RJ e sua linha vermelha, no bairro Laranjeiras duas mulheres encontradas despidas e covardemente assassinadas. Como disse um militante altamirense, duas anônimas e sem “posses”. Poucos choram suas mortes.
A violência está por todo lado.
Em Belém, justiceiro mata bandido e fere outro, adolescente, na Cidade Velha.
Em Minas, um adolescente de 14 anos, que assaltou uma farmácia, foi cercado por populares e apedrejado. Está internado com traumatismo craniano.
Não é de hoje que chegamos ao fundo do poço da bárbarie e, mesmo assim, as notícias ainda espantam.
Como diz um dos trechos da música, vou comprar uma faixa amarela…
Melhor comprarmos uma caixa de lenços brancos para chorar nossos mortos e à fragilidade de nossas leis.

*Faixa Amarela (Zeca Pagodinho/Jessé Pai/Luiz Carlos/Beto Gago)

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Infância roubada…

infancia roubada.jpgHá quase dois anos e meio postei o texto Virgem de Nazaré, projeta nossas crianças. Travava, entre outras coisas, sobre a morte do adolescente conhecido como “sombra do demônio”, que já passava a ser personagem de vários casos de furto e roubos em Altamira, no sudoeste do Pará.
Agora, em São Paulo, outro caso me surpreende – apesar de que muitos outros já aconteceram -, novamente envolvendo um garoto, mas de apenas dez anos de idade.
Segundo a Polícia Militar, o menino teria trocado tiros com os policiais durante uma fuga. A mãe reconheceu que o filho não estudava e vivia na rua. Ele já teria dois boletins de ocorrência registrando furtos anteriores, coisa que a genitora nega, mas por quê?
Ela também afirmou que o pai da criança estaria viajando, mas ele cumpriria pena por tráfico de drogas e, ela mesma, já foi presa por roubo e furto. Família desestruturada?
A criança morta estava acompanhada por um colega, de 11 anos. Crianças!
Entretanto, casos como esses só vêm à tona quando a mídia massifica a notícia em todos os meios possíveis, enquanto outros casos não ocorrem diariamente e ficam sob o prisma da regionalidade ou municipalidade em que foram consumados.
Não muito longe dali, uma menina, também de dez anos de idade, foi estuprada, morta e, com requinte de crueldade, teve o coração arrancado. Monstruosidade?
Novamente, o espetáculo midiático em explorar a crueldade humana se sobressai. É prato cheio para jornais sensacionalistas. Basta nos lembramos dos quase 40 segundos do vídeo do estupro coletivo no Rio de Janeiro.
Com a celeridade (nem tanto, na verdade) em que as postagens atravessam fronteiras e que tudo é compartilhado, li em um artigo que só quando o crime choca parece que nos importamos. Só quando o crime é exposto à exaustão é que algo pode ser mudado.
Pode? DEVE! PRECISA!
Para as famílias ou pessoas que vivem sob a redoma de uma falsa proteção e preceitos ditos morais/corretos, é o coração de cada um que é arrancado com tamanha violência.
É um tiro na testa de cada um de nós cada vez que crianças sofrem com a postura letárgica de um Estado e seu sistema socioeconômico em colapso?
O torpor do gigante que bradou recentemente precisa parar e, todos nós, sairmos às ruas não com camisas da seleção ou cor rubra, mas fazer valer o que prediz nossa chamada Carta Magna.
Ou, então, só nos resta, mais uma vez, pedir à nossa padroeira: Virgem de Nazaré, proteja nossas crianças. Orai por nós.

#EstuproNãoÉCulpaDaVítima

a_atriz_giselle_batista_em_seu_perfil_no_instagram.jpgPiauí. 2015. Quatro jovens abusadas sexualmente e jogadas de um penhasco de 10 metros de altura. Uma morreu.
Piauí. 2016. Adolescente de 17 anos é violentada por cinco covardes (me recuso a chama-los de homens), sendo quatro menores.
Rio de Janeiro. Vinte de maio de 2016. Trinta e três monstros e uma garota de 16 anos.
_ Fala, Zezão.
_ E aí, Martelo?
_ Cara, viu o vídeo do caso da menina ‘estrupada’?
_ Vi, meu. Doido, né? Os caras abusaram da mina na ‘maió’ cara de pau.
_ Ela vacilou, deve ‘tê’ dado mole.
Não importa. Índia, Brasil, Japão, Estados Unidos. Pará, Piauí, Rio de Janeiro.
Não existe local. Não existe fronteira. Não existe explicação. Não importa.
Não existe, no estupro, base para a vitimologia.
Trinta monstros de várias idades. Filhos da violência? Criaturas nascidas de chocadeiras porque não parecem gerados por uma mulher. Não devem ter mãe. Nunca tiveram.
Parecem ver a mulher como depósito e objeto de sua lascívia imoral e animalesca.
Em tempos de rápida divulgação, um colocou o vídeo e debochou da vítima. Outros seguem o mesmo comportamento idiota.
_ Caramba, Jão. Você viu o vídeo?
_ Da adolescente abusada sexualmente? Não e nem quero ver.
_ É. Poderia ter sido uma das nossas irmãs, mãe ou parente. Uma amiga que fosse.
_ A canalhice desses bandidos parece não ter limite. Filmaram, fizeram piadinha.
_ É. Cadeia neles. Pena que não, né? Nossa legislação…
Não importa. Um vídeo chocante de 40 segundos. Michel, que postou o vídeo, é só a ponta do iceberg. Muitos outros não enxergam o sexo oposto como seres que nem eles, com direitos e deveres.
_ Menina, tu vai sair com essa roupa?
_ Vou, prima. Tá legal?
_ Hum… Tá ‘provocativa’ demais. Tu vai arrasar.
_ E eu não sei?
Não importa a roupa. Não justifica. Elas não estão vestidas portando um cartaz: “abuse”.
Em Altamira, Evelyn só tinha nove anos e, mesmo assim, foi violentada e jogada em um terreno baldio.
Muitas outras não entram na estatística da segurança pública.
Segundo dados de 2014, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no país.
“Não foram 30 contra uma. Foram 30 contra todas”.
#EstuproNãoÉCulpaDaVítima

Só nos restam canções de despedida

luta oficialUm universitário e uma criança.
No ônibus que o levaria para uma excursão, amigos o viram sucumbir diante de bandidos covardes que atiraram sem motivo aparente. O fisioterapeuta de amanhã, Lucas, teve a vida interrompida na madrugada.
Na festa de aniversário, coleguinhas viram criminosos trocarem tiros com um policial e a pequena Ana, de oito anos, sem culpa alguma, foi atingida e não resistiu. A incerteza profissional de uma menina ceifada durante uma comemoração.
Duas mortes e várias famílias abaladas.
O policiamento quando quer parece ser ostensivo, mas a segurança pública em Belém e no Estado parece viver de ostentação.
Já prenderam dois suspeitos do latrocínio do rapaz. Policiais ainda buscam os monstros que adentraram na comemoração infantil.
Esse é o futuro do país? Para quem cantamos parabéns?
O retrocesso animalesco do ser humano e o descaso das autoridades só nos permitem entoar canções de despedida e orar bastante à proteção divina. Só Ele para nos salvar e proteger.

Fonte: Vídeo teria flagrado invasão de bandidos a festa infantil no ParáEstudante de fisioterapia é morto durante assalto, em Belém

Caminhada de protesto contra violência a crianças e adolescentes em Altamira

caminhada3Professores, servidores, pais, alunos, grupo de desbravadores e membros da sociedade civil organizada realizaram na última quarta-feira (4), uma caminhada pelas ruas ao redor da escola municipal José Edson Burlamaqui de Miranda, em Altamira, no sudoeste paraense.
O movimento é parte da campanha que cobra das autoridades locais a diminuição dos índices de violência. Em parceria com o Conselho Tutelar da cidade, mais de 200 pessoas saíram às ruas. “Nós pedimos das autoridades e da sociedade uma resposta. A violência aumentou após o empreendimento da usina de Belo Monte. Estamos de mãos atadas sem saber por onde começar”, desabafou a conselheira tutelar, Maria Socorro.
A titular do Conselho, Francinete Malcher, citou outros crimes na região de Altamira. O município ficou bastante conhecido no início da década de 90. “Não é o primeiro caso de desaparecimento. Vale lembrar os episódios dos emasculados”, explicou.
Para a professora de língua portuguesa, Alice Pinheiro, a escola tem que trabalhar o assunto em sala de aula. “Nós sabemos que a violência aumentou na cidade. A escola, ao longo do ano, desenvolve em todas as disciplinas, um diálogo contra essa violência que se instalou em nossa cidade”, assegurou.
“Os nossos pais tem medo de irmos para a escola e acontecer alguma coisa”, comentou a estudante do nono ano, Israelly Ingrid. “A gente fala para eles terem esse cuidado”, completou a professora Alice.
Com o misterioso desaparecimento de Natan Moreira da Costa, no dia 25 de setembro do ano passado, Luzimar Moreira, mãe do garoto, participou da mobilização. “Não vamos descansar enquanto não tivermos notícias. A gente não pode se calar diante de tanta injustiça”, afirmou.
Fonte: EMEF José Edson Burlamaqui de Miranda

Herrar é umano! Zerar também!

Mais de meio milhão de nota zero no Enem 2014
Mais de meio milhão de nota zero no Enem 2014

“Gezuis, derrepente mim deu vontade de fala sobre augo que já mi encomoda faiz tempo mais não sei se é só com migo estariao ozoutros errados?”.
Sim, amigo leitor, isso é possível, principalmente se você tiver um pouquinho de paciência para procurar em comentários pelas mídias sociais. Daí buscar a origem de erros como esse ou “homenage”, “almentar” ou da troca constante de “mas” por “mais” e vice-versa é mais complicado. Ainda se escreve “fala” no lugar do infinitivo “falar”.
Ortografia à parte, o início de mais um ano letivo pode transformar essa realidade para pior ou não. Com o alto índice de nota zero na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a perspectiva para os jovens conseguirem se expressar não é nada boa.
O reflexo para isso se resume na afirmação de um ilustre professor: “não se lê mais”. Tudo agora são abreviações ou modismos/muletas da língua. O verbo colocar, por exemplo, ganhou fama e ninguém mais veste, calça ou larga as coisas.
Sem leitura, sem escrita. Assim, de que forma então incentivar quem há anos perdeu esse hábito e vai encarar o ensino médio com sua literatura, filosofia ou sociologia? Mais ainda, em que condições esse jovem chegará ao mercado de trabalho se ele escreve como fala. “Nós vai” ficar perdidos.
Se a educação é a base para tudo, o berço para um amanhã promissor, ela teria que possuir investimentos não só dos governos, mas dentro de casa. Não que os pais tenham que sair comprando gramáticas por aí, mas até mesmo os de livros de ficção, desses que se dividem em três ou quatro edições, ajudariam na produção textual.
A língua materna, aquele primeiro idioma que se aprende, padece cada vez mais. Quando menos de 1% dos candidatos conseguem tirar a nota máxima em uma avaliação nacional, algo comprovadamente está torto. Fica “difício” acreditar.
Da mesma maneira não dá para aceitar a figura – não a língua – materna justificar o ingresso de uma filha no ensino superior por descobrir um erro no processo seletivo e, após ser questionada, disparar para todos os lados que outros pais já pediram documentos fraudulentos ou com essa “brecha”, assim, com “ch”.
É a validação da incompetência de alguns somada ao despreparo de anos de ensino de má qualidade ou do que era lido.
Como avaliou o jornalista Alexandre Garcia, a língua portuguesa pode virar um dialeto confuso. “Infelismente”, só podemos aguardar um futuro tenebroso se não mudarem os costumes.
Que os bons livros e professores nos ajudem!

Mais um ano…

Soa ridícula uma velha recomendação dos pais. “Meu filho, não beba”, pedem muitos. “Pai, o senhor sabe que não gosto disso”, respondem os jovens. Pura mentira e hipocrisia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool mata anualmente cerca de 320 mil jovens e é uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil.
Dados recentes demonstram que é por volta dos 12 anos de idade que se inicia o consumo de álcool e, muitas das vezes, dentro de casa. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que quase 35% dos consumidores tiveram o primeiro contato com a bebida alcoólica entre os 15 e os 17 anos.
Em uma festa que estive recentemente, pude constatar o que os índices apontaram: o jovem bebe. O que surpreendeu foi ver rapazes oferecendo copos com uísque ou cerveja para meninas de 14, 15 ou 16 anos. Mais espantoso ainda é que muitas é que pediam. “Não quero parecer a careta”, ouvi de uma. Modismo entre a turminha da escola? Os pais não recomendaram? Esses amigos são “os certos”?
Não pretendo discutir se do copo para cigarros ou pedras é um passo ou uma longa estrada. Por falar em estrada, quem nunca viu um rapaz ou moça sair de uma loja de conveniência com a latinha na mão e dirigir? A mesma pesquisa quantificou que 24,3% dos que consomem álcool já dirigiram sob o efeito dele. Preocupante? Alarmante!
Em agosto de 2014, após um show realizado em Belém (PA), uma motorista perdeu o controle do veículo, capotou várias vezes e bateu em outro automóvel estacionado. Três pessoas morreram. A cena se repete por tantas outras capitais e cidades do interior.
Se não é o condutor que morre, ele atropela e mata. Muitas das vezes, o irresponsável (homicida?) foge do local alegando “medo de ser linchado”. Seria isso ou a sensação de impunidade que tanto paira sobre o Brasil em todos os setores?
Infelizmente, em nosso país, tão rico em belezas naturais, a feiura se sobressai com o comportamento egoísta de jovens e adultos que parecem se esconder no manto do sobrenome familiar ou do cargo que exerce. É o famoso “sabe com quem está falando?”.
Basta vermos os escândalos que aparecem nos noticiários por aí e, como se comenta nas rodas de bar, “não vão dar em nada”.
O mais recente, a máfia das próteses, se mostra a cara do Brasil.
Parece que fomos um país que tentou se levantar, mas por ter ficado engessado tempo demais, se acamou novamente.
E assim se inicia mais um ano.

Muitos cometem o mesmo crime com resultado bem diferente: uns carregam uma cruz pelo crime; outros, uma coroa.
Décimo Júnio Juvenal, poeta romano

Pais e filhos… (I)

Em Altamira, diferentemente de Belém (ou do que me lembro), se tem o costume de realizar a formatura do Ensino Médio em escolas particulares. Sempre achei que fosse obrigação do aluno concluir, mas vou deixar isso para outro momento.
Fui para a do meu filho de 17 anos. Ao chegar à quadra do colégio, a decoração condizia com o ambiente de uma grande festa. O que eu não esperava era a cerimonialista me perguntar se eu não gostaria de representar os pais. Segundo ela, ninguém havia se colocado à disposição. Prontamente, aceitei. Só que precisava discursar e não havia pensado em nada. Procurei um lugar mais tranquilo e deixei várias frases que já havia lido juntarem-se com o que meu coração queria dizer naquele momento. Não recordo agora perfeitamente de tudo que falei, mas segue abaixo o que me recordo.

“Boa noite a todos. Primeiramente quero deixar claro que fui indicado a pouco para representar a nós, pais, mães e responsáveis por esses meninos e meninas.
Além da honra, espero não decepcioná-los e fazer valer a escolha pelo meu nome. Não vou me alongar, salvo engano, serão mais de 300 palavras.
Pra começar, vou usar um trecho bíblico bastante famoso: “filhos são herança do Senhor”.
Ser pai, mãe e, no meu caso aqui, ‘pãe’, é uma das dádivas divinas mais preciosas. E o próprio Deus nos deu exemplo de como educar aos filhos. Ele é justo, misericordioso e paciente, mas sabe agir com firmeza quando percebe que estamos desviando o caminho.
Agora vocês estão com as portas do mundo aí perto. E a educação foi a base de tudo. Ela é a propulsora de estarem aqui. Temos que agradecer ao colégio também.
Mas, que caminhos são esses? Vou falar sobre o futuro, porém, vou comentar um pouco do passado que sei que será relembrado por quase todos aqui.
Ao olhar os rostos dessas crianças – sim, nossas eternas crianças -, lembro-me das longas noites de choro e insônia, das fraldas cheias, do primeiro dente, do ‘papa’ ou ‘mama’ e por aí vai.
Lembro-me dos sonhos que tive ao imaginá-lo graduado como médico, engenheiro, professor, filósofo ou o que você quisesse ser.
Também lembro quando via meus pais como meus heróis e esperava que você me encarasse como seu herói. Pronto para encarar o mundo. Um mundo tão cheio de adversidades e atrativos que precisamos estar sempre de olho.
Agora vocês vivem em uma idade em que se preocupam com namoro, amizades, baladas, celular, namoro, provas, celular.
Daqui a pouco serão os trabalhos, responsabilidades, celular, a conclusão de um curso superior, traições, celular, desejos, decepções, celular.
Não importa a idade de cada um deles ou se já entraram na maioridade. Nossas casas, as casas dos pais sempre serão o porto seguro de vocês.
Dizem que nossos filhos não são nossos e que somente os preparamos para o mundo. Porém, nós, pais, estaremos sempre pertos, pois somos os únicos que os amam verdadeiramente. E é com esse amor incondicional que pedimos que vocês aproveitem esse momento único: a formatura de vocês e a presença das pessoas que os amam.
Parabéns para nós, pais, que sempre buscamos o melhor para nossos filhos.
Parabéns para vocês, formandos, que já buscam o melhor para vocês.
E me perdoem se fui prolixo.
Boa noite”.

Com algumas engasgadas e com um nó na garganta, me despedi do microfone e voltei a sentar no meu cantinho. Sozinho. Olhando meu filho se divertindo com os colegas de classe. Talvez uma das últimas vezes que estarão juntos. Ou não?
Aí, imaginei como o mundo pode estar aguardando por ele, entretanto, que o mundo saiba que sou eu que o guardo ontem, hoje e sempre. Perto ou longe, mas dentro do meu coração.

O céu continua em festa

idolosAnos 70, 80 e 90. Michael Jackson, Roberto Bolaños (Chaves), Ayrton Senna. Não necessariamente nessa ordem. Três estilos, três ídolos, várias gerações.
Michael revolucionou o videoclipe. Bolaños fez humor sem apelação. Senna encantou uma geração.
O legado de Thriller está perpetuado na música pop e seu estilo inovador. O sucesso do criador de Chaves estará para sempre nas lembranças de muitos adultos que riram das situações do menino que morava no barril (ou do herói atrapalhado). Ayrton continua, através da fundação que leva seu nome, fazendo campeões e resgatando a cidadania de crianças, jovens e adultos.
A música de Jackson chamada Man in the mirror tem um trecho que diz “Eu vejo as crianças nas ruas sem o suficiente para comer, quem sou eu para estar cego fingindo não perceber suas necessidades”. Essa criança poderia ser o “Chaves do oito”.
Uma tradução da música do seriado Chaves poderia ser trocada para “Lá vem o Senna, Senna, Senna. Todos atentos olhando pra TV”.
Michael foi o rei do pop. Senna, um ás das pistas. O primeiro foi querido no mundo inteiro. Senna, reconhecido mundo afora.
Bolaños, esse velho menino, talvez não tivesse a noção do que representou. Foi o rei do riso e o ás de várias sessões reprisadas.
Vi os três partirem. A mídia mostrou. O que ela não conseguirá jamais é mostrar que o céu continua em festa.
E em minha mente, a famosa trilha das vitórias de Senna toca agora por receber os personagens de Bolaños.

Prosa com quem leio

prosaÀs vezes eu paro e fico a pensar… Bom, esse trecho de uma canção muito entoada na maior festa religiosa do Pará e, com certeza, do mundo nos remete ao Círio de Nazaré, realizado no segundo domingo de outubro e considerado o Natal dos paraenses. Só que isso é assunto para outro texto.
Em relação à oração do parágrafo anterior, o motivo escolhido foi por ter vivido uma experiência diferente, onde eu realmente parei e fiquei pensando a razão de receber um convite tão inesperado.
A paixão pela escrita e leitura vem desde muito cedo, da época em que íamos com nossos à banca de revista instalada na famosa Praça da República, em Belém.
Eram, inicialmente, revistas em quadrinhos de vários gêneros, como o infantil (Turma da Mônica, Pato Donald etc.) e de super-heróis, principalmente Homem-Aranha.
De lá e com o passar do tempo e das séries escolares, líamos, por exemplo, clássicos da coleção Vaga-lume ou, então, nos aventurávamos em textos da série Escolha a Sua Aventura – que descobri estar à venda novamente – que pegávamos na biblioteca. Sim, usávamos a mesma biblioteca para pesquisas, pois o “ctrl+c ctrl+v” não existia, nem a Wikipédia ou Google.
Depois, vieram os livros de autores como Machado de Assis. Até julgamos a Capitu durante uma aula. Em seguida, as obras técnicas no ensino superior e as resenhas e resumos.
Os fascinantes mundos que nossa mente adentrava e, até hoje, mergulha em linhas e páginas de contos e romances são encantadores. Daí para a contínua vontade de escrever pode ser explicada por uma frase já batida: “só escreve bem, quem lê bem”.
Voltando ao convite, um professor de língua portuguesa desenvolveu junto aos alunos de uma escola municipal (EMEF Gondim Lins) e a coordenação pedagógica, o projeto Prosa com quem leio. E, pasmo, vim saber que artigos, crônicas e poemas que publico em um blog eram temas de discussão em sala de aula.
A surpresa não foi pela lembrança do meu nome, mas a expectativa que, acredito, consegui despertar nos meninos e meninas das turmas do nono ano.
A honra de fazer parte do projeto não veio pela participação em uma manhã diferente para todos, mas em ouvir perguntas de crianças e jovens que podem seguir um rumo distante, muitas das vezes, da realidade em que estão inseridos.
A iniciativa dos professores é louvável. A curiosidade em conhecer autores que leio ou dicas de português veio ao encontro da minha perspectiva de mudanças para dias melhores e diferentes, sobretudo nas mídias sociais, com seus erros de concordância e ortografia.
“O senhor acredita que o Brasil é um país preconceituoso?” e outras perguntas combinadas com outros temas, demonstravam o anseio por escrever e mudar de vida com a boa leitura.
Isso me fez parar e pensar: “ainda existe esperança”.
Salve a leitura!