Viva a nova MPB! #sqn

maxresdefault.jpg“Fiz essa letra pra te incentivar
Mas se você mudar vai fazer falta
Se teu hobby é sentar, não vou te criticar, tá de parabéns (parabéns…)
Mas preciso de você pro role valer, então senta bem (senta bem…)
Oah!
Então sarra, então sarra a bunda no chão
Então sarra, então sarra o popozão
Meu Deus
Me fala quem colocou essa coisa no mundo
Foi planejada de um jeito que para com tudo
A circunferência perfeita que tem o poder
Na medida certa pra te enlouquecer
Ela encaixa
Com esse grave do beat
Ela encaixa
Com o cavaco e o pandeiro
Ela encaixa
Quando essa bunda
Começa a jogar
Perfeitamente
Ela encaixa
Óbvio, cada letra em rap é um código sórdido
Psicografado som sólido, súbito
Sou problemático, um pouco ciumento
Mas você sabe que eu sou foda na cama
Por isso que me ama
Vai com o bumbum, tam tam
Vem com o bumbum, tam tam tam”

Trecho de letras de músicas listadas como as 20 mais tocadas no Brasil segundo aplicativo de streaming.
O que dizer?

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Unhas

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Fonte: Santta Tendência

As duas vinham tranquilamente conversando dentro do ônibus. As demais pessoas tentavam dormir. A longa viagem de quase 18 horas ainda estava pela metade, mas o bate-papo não teve como não chamar a atenção.
_ Então, menina, nem tinha reparado no tamanho das tuas unhas. Como tu consegue isso? – perguntou a morena.
_ Simples. Não faço nada em casa. Não lavo louças, não enxugo, não varro, não passo. Nem minhas calcinhas mesmo eu cuido. Quem cuida de tudo é minha mãe, claro. – disse, orgulhosamente, a loira platinada.
_ E como tu faz pra conseguir manter elas? São tão lindas. – indagou a outra.
_ Ah, quando eu quero dinheiro rápido vou na casa da minha avó. Faço qualquer coisa por lá e ela me dá. A mãe nem pode saber disso.
Ambas começaram a rir alto, acordando os que ainda tentavam dormir.
_ E o que tu faz da vida?
_ Sou dançarina de uma banda de melody. Os cantores vão de avião, mas eu e a equipe de produção temos que vir de busão mesmo. O pessoal não gostam, mas…
A conversa foi interrompida. A garota colocou o fone de ouvido e continuou a ouvir o seu batidão.

 

Sabe de nada, inocente.

Ser “ordinária” é palavrão? É o quê?
Tanta coisa desrespeitando as mulheres. As músicas que milhares de jovens cantam diariamente, então, nem se fale. “Sobe o vestidinho”, “tá doida, é?”, “arrocha que ela gosta” e por aí vai, são exemplos, mas a palavra “ordinária”, não pode.
Exploração dos corpos femininos em programas de auditório ou reality show… ah, isso pode!
Enquanto a criatividade e o comércio online forem podadas desse jeito (afinal, são quatro produtos vendidos por minuto), tem gente que realmente não sabe de nada. Tudo inocente. Ordinários!
625_315_1401314903conar_tira_ar_comercial_compadre_washigtonMotivo do texto? Conar considerou o anúncio “desrespeitoso” para as mulheres, após a reclamação de cerca de 50 pessoas que se sentiram ofendidas com o bordão.
Para constar, o Houaiss possui as seguintes acepções:
 adjetivo
1 conforme ao costume, à ordem normal; comum
Ex.: fatos o.
2 que se repete regularmente, ou se faz presente a todo instante
Exs.: o médico fazia visitas o. aos pacientes
respondeu-me com seu o. mau humor
3 sem brilho, sem destaque; medíocre
Ex.: espírito o.
4 de pouca ou má qualidade; inferior
Ex.: tecido o.
5 Derivação: por metáfora.
de fraco valor moral ou intelectual; mesquinho, reles
Ex.: sentimentos o.
6 Derivação: por metáfora.
que tem ou denota má educação ou falta de caráter
Exs.: atitudes o.
aquele sujeito o. enganou-me anos a fio
7 Derivação: por metáfora.
indecente, obsceno

 substantivo masculino
8 o que é comum, frequente
9 indivíduo grosseiro, indecente, ou de má índole, mau-caráter
Ex.: aquele o. não ousará comparecer à festa
10 Rubrica: termo eclesiástico.
qualquer superior eclesiástico
11 Rubrica: música.
composição, em compasso binário simples, destinada à marcha regular das tropas

Ordinária
 substantivo feminino
1 tença, gratificação, esp. prestação ou pensão alimentícia, a que se compromete certa pessoa ou instituição com alguém, fornecida regularmente a cada mês, trimestre, semestre ou ano, podendo constar de certa importância ou determinada porção de gêneros
2 despesa, gasto periódico, diário, mensal ou anual

Realmente, o que é comum é ouvir trechos de músicas indecentes ou medíocres, como certos políticos ou artistas ordinários.

Como nossos pais?

Foto: ‏Reprodução/Twitter
Foto: ‏Reprodução/Twitter

A imprudência de um irresponsável em segurar uma criança (próprio filho?) do lado de fora em uma praia paraense demonstra o nível de educação que temos e que está sendo difundido pela mídia, inclusive, pelos “novos cantores”.
Uma prova? “Quando ela bebe, ela fica louca (…) a gata endoidou e deu uma empinadinha em mim (…) arrocha nela, arrocha (…) 10% de ‘energético’, 10% de água de coco, 80% de whisky (…)”, são exemplos de o quanto está se valorizando educar com consciência. Os clipes musicais são de igual qualidade. Mulheres vestidas com roupas curtas, como biquínis; carros importados e bebidas alcoólicas. É a valorização da ostentação, que passa longe de milhares de jovens que repetem os refrãos que acabam grudando, como chiclete. Mais do que isso. Ninguém percebe a desvalorização da mulher, do homem e seu lepo-lepo. É rir de si próprio, do ser humano e de ser humano.
A violência que assola e adentra em escolas e residências é fruto de quê?

Fonte: www.fetems.org.br
Foto: http://www.fetems.org.br

Recentemente, eu vi um antigo aluno ser preso acusado de tráfico. Como é difícil a educação no nosso país. Aluno preso, escolas arrombadas, professores acuados, pais desesperados. Hoje, um garoto simplesmente pegou a lata de refrigerante que tomava e jogou no meio da rua. Sem cerimônia, sem preocupação com nada.
A imprensa televisiva ou impressa ou “virtual” nos ajuda a entender essa banalização da vida. Aquelas conversas de que “fulano matou por causa de R$ 0,10” já não nos assusta. O jovem universitário que foi morto ao reagir por causa do celular não nos assusta. Nos revolta, é bem verdade. Mas não nos mete mais nenhum tipo de pudor ou mudança de postura. Se bem que o “gigante” que acordou ano passado… Bem, deixa pra lá.
Mas não é só a banalização da vida. A vontade de algumas dezenas em cheirar, tocar ou ver a morte de perto é grande também. No caso da jovem que foi atropelada e que ganhou uma ghost bike foi deprimente ouvir e ver gente pedindo para que se levantasse o pano que cobria o imóvel e gélido corpo que aguardava remoção. Aprendemos a nos acostumar com tanta desgraça que não nos damos conta que isso ajuda a audiência e a publicidade venderem mais. É a banalização da morte.
Se a popozuda virou pensadora, me aproprio de outro pensador: “O que é a vida? É o princípio da morte. O que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue. O que é o sangue? É a razão da existência”.
Além da vida promíscua e repetida em letras de caráter e qualidade duvidosos, vemos os próprios pais “lavarem as mãos” em muitas situações, vide o monstro (me recuso a chamá-lo de cidadão) lá na praia. Capaz de estar ouvindo uma dessas músicas-chicletes que ajudam a (des)valorizar as pessoas.
A mesma que ouvíamos como nossos pais, quando os chamávamos de caretas? Eu sou careta.