O vestido de festa

A professora chega à sala de aula. Na escola, festinha (atrasada) em homenagem às mães.
Triste, uma aluna fica encolhida e toda desconfiada no canto da sala, numa cadeirinha velha e a mesa não muito diferente.
_ O que você tem, meu anjo? – questiona a “tia”.
Nada. Nenhuma resposta. Só um fio de lágrima que começa a escorrer pelo rostinho da menina.
_ Meu Deus, Sofia*, que foi?
_ Todo mundo veio com roupa de festa e eu vim de uniforme – soluça a criança – Papai esqueceu de me arrumar com roupa de festa.
Nisso, ela observa as outras pequeninhas todas de vestidinhos.
_ Não ligue pra isso – pede a educadora.
_ É que eu não tenho nenhum vestido pra festa – lamenta.
_ Mas sua mãe vem, não vem? Ela vai ficar triste se ver você assim – lembra a encorajadora professora.
_ Ela não vem. Ela ‘tá’ trabalhando. Por isso que o papai me traz.
E o fio de lágrima daquele anjo vira uma cachoeira.

crianca-triste-fobia-escolar-59773Educação sem conforto, mãe ausente porque trabalha, pai esquecido ou a falta do vestido.
Não sei o que me dói mais. A soma de tudo isso ou o esforço de uma professora que ama sua profissão e ficou sensível à história.
Não fosse o abraço carinhoso e o colo aquecido para silenciar o choro de outras Sofias, eu também teria chorado.

* Nome fictício. O relato? Não.

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A precoce erotização de nossas crianças

xmenina-salto-300x200.png.pagespeed.ic.TOW-OBakaaO Ministério Público quer abrir inquérito porque uma linda menininha de oito anos canta letras de duplo sentido e dança com apelo sexual. Mais ainda, o pai da jovem prodígio, afirmou que “não obriga sua filha a fazer nada”. Uns dizem que as letras não são pornográficas, mas sim, adultas. Ponto.
Outros dizem que é implicância com funk, afinal, se fosse rock ou sertanejo, nada demais criança gritar (sim, tem umas que gritam) que nem uma dupla sertaneja ou tocar uma música do Metallica na guitarra. Se fosse pagode, que mal em ir “só no sapatinho”?
De todo jeito, parece ser dinheiro fácil para quem encontrou um nicho de mercado aberto e que, pelo teor do conteúdo, agrada e muito a milhares de pessoas pelo Brasil.
No mesmo dia, zapeando em sites de notícias, leio que uma mãe entregou o próprio filho à polícia, após saber que ele violentou e roubou uma mulher de 41 anos. Diz o texto que “embora seja menor de idade, DeShawn irá responder pelo caso como adulto. Ele confessou a autoria dos crimes”.
Em outro jornal, agora impresso, fico sabendo que um menino foi vítima de bala perdida. Em outro texto, criança foi encontrada enforcada e com indícios de violência sexual no interior do Pará. Até aí, sem sair de casa, rodei várias cidades do Brasil e até do exterior.
A discussão sobre a violência e sexualização infantil de um lado e, do outro, se é futilidade indagar se os pais estão errados em deixar os filhos fazerem o que bem entenderem me deixou preocupado.
Muito “fofo” ver a menina rebolar até o chão ou cantar “eu vou, eu vou…”. Como li por aí, “quem vê maldade nisso é que tem problemas” e não o pai dela ou de qualquer outra personalidade mirim. Ah, tá.
Vale lembrar que tempos atrás, nada demais em “descer até a boca da garrafa”. Quem não se lembra das roupas das loiras da TV ou suas assistentes?
A própria “rainha dos baixinhos” levava cada atração em seu “xou”.
Também é preciso dizer que não é só a menina da melodia erotizada. Tem alguns ‘MCs’ que cantam com palavras mais pesadas e, nem por isso, parecem ofender os ouvidos.
Aquele que se batizou com o nome de personagem de desenho canta “Estava na rua, fumando um baseado, chegou a novinha e pediu para dar um trago (…) Dá a b***** para mim, (dá) o c* e fuma”. Meninos podem e meninas, não? Galvão diria: “pode isso, Arnaldo?”.
Enfim, creio que há limites., mas como a César o que é de César…
Parece que se perdeu toda a preservação da moral e da infância em nossa nação.
Minha filha chega a nossa casa, direto da escola, cantando “tem uma casinha bem fechadinha (…)”. No dia que ouvi-la com essa palhaçada nada engraçada, podem me chamar de retrógrado ou careta ou qualquer outro adjetivo nesse contexto. É “peia”!

Leia também: Desde quando criança é criança?

Dia das Mães (II)

maternidadeMother, madre, mutter, الأم, mère, אמא, moeder, 母, mater, мать, mor. Reia, na mitologia grega e Cibele, na romana. Virgem Maria, para os cristãos. Não importa o idioma ou história, essa é a mesma mulher que adota, carrega, carregou ou criou um ou mais filhos.
A data celebrada no segundo domingo de maio no Brasil, parece ter ficado mais interessante que o próprio Natal. Isso para o empresariado que vê, na comemoração, aumento significativo nas vendas.
Há mães de todos os tipos: a que adotou, a que criou, a mãe-avó (essa é a melhor), a que cuida sem ser mãe.
Os filhos, só são filhos, por causa delas. E elas só são mães por causa deles. É óbvio, mas cabe uma reflexão: somos mais filhos por tê-las ou elas são mais mães por ter-nos? Os filhos, esses, parecem querer muito mais o bem da mãe nesse dia que nos demais 364 do ano. Ou é impressão?
Quantas vezes durante o dia você pensa nela?
No final da tarde, você já se encontrou ligando para ela só para saber como foi seu dia?
Quando ela chega em casa, agradece a Deus por tê-la protegido?
Quando ela sai para o trabalho, pede a benção para o seu dia de trabalho?
Quando ela esquece alguma coisa, você se aborrece por ter que lembrá-la mais uma vez?
Quando você esquece algo, ela te aborrece por ter que lembrá-lo?
Quando, ao dormir, você diz “boa noite”, lembra dela te acalentando ou dando de mamar?
Quando, ao acordar, você diz “bom dia”, sabe que você foi o melhor que aconteceu para ela?
Isso se você pede benção, se diz “bom dia” ou “boa noite”.
Uma ligação sua, se ela mora longe, te coloca no colo dela. Uma ligação dela, se você não teve tempo, te faz bem?
Uma amiga diz que mãe é que nem CPF. Só podemos ter uma.
Mas existe, como disse antes, a avó, mãe pela segunda vez. Tem a madrinha e a comadre, mãe no batismo para os afilhados pelo fato de ser amiga da mãe.
Se olharmos a primeira linha do texto, quase todas tem a sílaba inicial com som de “ma”. Daí viriam “mamar” ou “mama”? Falar em mama, lembrei da ama-de-leite, mãe na alimentação.
Tantas mães e tantos tontos que a ignoram, batem e, inclusive, matam. Covardes e fracos.
A vontade era homenagear a mãe de meus filhos pelos maiores presentes que me deram. Era uma homenagem também a minha mãe, que está longe.
Era para lembrar de minhas tias e comadres, longe também. Relembrar minha avó, que deu o apelido para o primeiro neto e, felizmente, conheceu meu filho, seu primeiro bisneto. Lembrar da culinária, dos puxões de orelhas.
Ah, mães, madres, mothers, mères… Não existe motivo maior ou presente que supere o que vocês nos deram. A oportunidade de chamá-las assim: meu amor. Verdadeiro e incondicional.
Com acertos e erros.
As ideias e as palavras fugiram, mas as recordações estão escondidas e trancadas eternamente em meu coração. Feliz dia das mães.

Mais um ano…

Soa ridícula uma velha recomendação dos pais. “Meu filho, não beba”, pedem muitos. “Pai, o senhor sabe que não gosto disso”, respondem os jovens. Pura mentira e hipocrisia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool mata anualmente cerca de 320 mil jovens e é uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil.
Dados recentes demonstram que é por volta dos 12 anos de idade que se inicia o consumo de álcool e, muitas das vezes, dentro de casa. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que quase 35% dos consumidores tiveram o primeiro contato com a bebida alcoólica entre os 15 e os 17 anos.
Em uma festa que estive recentemente, pude constatar o que os índices apontaram: o jovem bebe. O que surpreendeu foi ver rapazes oferecendo copos com uísque ou cerveja para meninas de 14, 15 ou 16 anos. Mais espantoso ainda é que muitas é que pediam. “Não quero parecer a careta”, ouvi de uma. Modismo entre a turminha da escola? Os pais não recomendaram? Esses amigos são “os certos”?
Não pretendo discutir se do copo para cigarros ou pedras é um passo ou uma longa estrada. Por falar em estrada, quem nunca viu um rapaz ou moça sair de uma loja de conveniência com a latinha na mão e dirigir? A mesma pesquisa quantificou que 24,3% dos que consomem álcool já dirigiram sob o efeito dele. Preocupante? Alarmante!
Em agosto de 2014, após um show realizado em Belém (PA), uma motorista perdeu o controle do veículo, capotou várias vezes e bateu em outro automóvel estacionado. Três pessoas morreram. A cena se repete por tantas outras capitais e cidades do interior.
Se não é o condutor que morre, ele atropela e mata. Muitas das vezes, o irresponsável (homicida?) foge do local alegando “medo de ser linchado”. Seria isso ou a sensação de impunidade que tanto paira sobre o Brasil em todos os setores?
Infelizmente, em nosso país, tão rico em belezas naturais, a feiura se sobressai com o comportamento egoísta de jovens e adultos que parecem se esconder no manto do sobrenome familiar ou do cargo que exerce. É o famoso “sabe com quem está falando?”.
Basta vermos os escândalos que aparecem nos noticiários por aí e, como se comenta nas rodas de bar, “não vão dar em nada”.
O mais recente, a máfia das próteses, se mostra a cara do Brasil.
Parece que fomos um país que tentou se levantar, mas por ter ficado engessado tempo demais, se acamou novamente.
E assim se inicia mais um ano.

Muitos cometem o mesmo crime com resultado bem diferente: uns carregam uma cruz pelo crime; outros, uma coroa.
Décimo Júnio Juvenal, poeta romano

Pais e filhos… (I)

Em Altamira, diferentemente de Belém (ou do que me lembro), se tem o costume de realizar a formatura do Ensino Médio em escolas particulares. Sempre achei que fosse obrigação do aluno concluir, mas vou deixar isso para outro momento.
Fui para a do meu filho de 17 anos. Ao chegar à quadra do colégio, a decoração condizia com o ambiente de uma grande festa. O que eu não esperava era a cerimonialista me perguntar se eu não gostaria de representar os pais. Segundo ela, ninguém havia se colocado à disposição. Prontamente, aceitei. Só que precisava discursar e não havia pensado em nada. Procurei um lugar mais tranquilo e deixei várias frases que já havia lido juntarem-se com o que meu coração queria dizer naquele momento. Não recordo agora perfeitamente de tudo que falei, mas segue abaixo o que me recordo.

“Boa noite a todos. Primeiramente quero deixar claro que fui indicado a pouco para representar a nós, pais, mães e responsáveis por esses meninos e meninas.
Além da honra, espero não decepcioná-los e fazer valer a escolha pelo meu nome. Não vou me alongar, salvo engano, serão mais de 300 palavras.
Pra começar, vou usar um trecho bíblico bastante famoso: “filhos são herança do Senhor”.
Ser pai, mãe e, no meu caso aqui, ‘pãe’, é uma das dádivas divinas mais preciosas. E o próprio Deus nos deu exemplo de como educar aos filhos. Ele é justo, misericordioso e paciente, mas sabe agir com firmeza quando percebe que estamos desviando o caminho.
Agora vocês estão com as portas do mundo aí perto. E a educação foi a base de tudo. Ela é a propulsora de estarem aqui. Temos que agradecer ao colégio também.
Mas, que caminhos são esses? Vou falar sobre o futuro, porém, vou comentar um pouco do passado que sei que será relembrado por quase todos aqui.
Ao olhar os rostos dessas crianças – sim, nossas eternas crianças -, lembro-me das longas noites de choro e insônia, das fraldas cheias, do primeiro dente, do ‘papa’ ou ‘mama’ e por aí vai.
Lembro-me dos sonhos que tive ao imaginá-lo graduado como médico, engenheiro, professor, filósofo ou o que você quisesse ser.
Também lembro quando via meus pais como meus heróis e esperava que você me encarasse como seu herói. Pronto para encarar o mundo. Um mundo tão cheio de adversidades e atrativos que precisamos estar sempre de olho.
Agora vocês vivem em uma idade em que se preocupam com namoro, amizades, baladas, celular, namoro, provas, celular.
Daqui a pouco serão os trabalhos, responsabilidades, celular, a conclusão de um curso superior, traições, celular, desejos, decepções, celular.
Não importa a idade de cada um deles ou se já entraram na maioridade. Nossas casas, as casas dos pais sempre serão o porto seguro de vocês.
Dizem que nossos filhos não são nossos e que somente os preparamos para o mundo. Porém, nós, pais, estaremos sempre pertos, pois somos os únicos que os amam verdadeiramente. E é com esse amor incondicional que pedimos que vocês aproveitem esse momento único: a formatura de vocês e a presença das pessoas que os amam.
Parabéns para nós, pais, que sempre buscamos o melhor para nossos filhos.
Parabéns para vocês, formandos, que já buscam o melhor para vocês.
E me perdoem se fui prolixo.
Boa noite”.

Com algumas engasgadas e com um nó na garganta, me despedi do microfone e voltei a sentar no meu cantinho. Sozinho. Olhando meu filho se divertindo com os colegas de classe. Talvez uma das últimas vezes que estarão juntos. Ou não?
Aí, imaginei como o mundo pode estar aguardando por ele, entretanto, que o mundo saiba que sou eu que o guardo ontem, hoje e sempre. Perto ou longe, mas dentro do meu coração.

Lágrimas para quem?

Foto: Reprodução (Internet)
Foto: Reprodução (Internet)

Ontem, independente de há quanto tempo, chorei.
Foi quando vi que não teria mais a presença de alguém especial da minha família. Chorei ao me despedir de minha avó.
Também chorei quando soube que uma grande amiga, estava doente e com o tempo de sua missão terrena diminuindo por causa de uma doença. Chorei por não poder me despedir, mas ainda a vi pouco antes do derradeiro momento.
Outros choros aconteceram quando fui traído e quando fui o traidor.
Como o trecho de um poema que diz “o amaríssimo travor do seu dulçor”, todos foram lamentos por pessoas que conheci e que, de alguma forma, me tornaram o que sou.
Adolescentes e muitos adultos choram quando perdem um ente queridos. Tantos casais caem em pranto após uma separação. Doenças terminais ainda nos afogam em rios salgados.
É a ordem natural da vida a gente enterrar alguém mais velho, seja pai, mãe ou avó. Um rompimento amoroso dói até quando a gente queira que machuque. Um leito de hospital não precisa ser só de angústia.
Como explicar então esse lacrimejar por alguém que nunca vi e nem sabia da existência e que me comprimiu a garganta com o atar de um nó imaginário?
Os recentes vídeos em que o menino Bernardo, caso que abalou – como tantos outros – o país, aparece em uma discussão com o pai e a madrasta, nem se compara ao roteiro de filme de terror. Entretanto, foi tudo real.
Como uma psicóloga buscou explicar, o garoto não morreu só quando foi assassinado, mas morria lentamente todos os dias, com as atitudes desumanas de quem deveria somente amá-lo e cuidar de sua frágil saúde.
No caso Bernardo, o pior foi saber que os responsáveis envolvidos e acusados são da família. Alguns acusam também a justiça que não atendeu o pedido desesperado da criança.
As palavras fortes sempre valem muito mais do que imagens.
Assim, ontem, como em tantos outros dias, meses e anos atrás, eu chorei.

Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme.
Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido um promontório, ou perdido o solar de um teu amigo, ou o teu próprio.
A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido;
por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.

(John Donne, 1624)

Virgem de Nazaré, proteja nossas crianças

http://ministeriodeevangelismoinfantil.blogspot.com.br/Em Altamira, no sudoeste paraense, mataram mais um adolescente, mas velho conhecido na cidade e das autoridades policiais. O “sombra do demônio”, apelido que ganhou por praticar furtos e roubos à noite, foi alvejado com três tiros. Vingança de alguém que ele furtou? Rixa entre bandidos? Falta de oportunidades na vida? Família desestruturada? Ausência do Poder Judiciário? Omissão do conselho tutelar? A droga o consumiu e, por causa dela, morreu? São várias perguntas para o início e meio, porém, uma verdade prevalece: outros “sombras” já existem e hão de existir, emergindo das sombras de dia ou de noite. Nas redes sociais, alguns vibravam. Muitos falaram que é “menos um” para assustar mulheres e crianças na cidade. Outros questionavam o que cada um tem feito para mudar a triste realidade das crianças e adolescentes que vivem à margem dos bons valores sociais. Enquanto isso, a mídia continua a expor a fragilidade do “sistema”. Dias atrás, adolescentes fizeram reféns doze pessoas na capital do Estado. Em outro assalto, um com 14 anos e outro de 16 tentaram roubar uma loja de calçados, em Marituba. Seja na região metropolitana de Belém ou no interior, questionamos: até quando? A proximidade de três datas comemorativas parece cada vez mais ter ligação entre elas: Dia das Crianças (infância), Dia do Professor (educação) e, para os paraenses católicos, o Círio de Nazaré (religião). Assuntos exaustivamente discutidos em fóruns, artigos e veículos de comunicação. O ECA, a LDB e a Bíblia possuem algumas respostas, mas nem sempre são consultados. Alunos vivendo em clima de guerra e professores sendo desrespeitados. Cadê a figura do “mestre querido”? Com os dias 12, 13 e 15 se aproximando, o que nós temos feito? O que podemos esperar? Ó, Virgem, olhai por nós e atendei nossas preces. Que Nossa Senhora de Nazaré abençoe todos os professores e proteja nossas crianças. Amém.

12 de outubro: o que celebrar? (parte I)

http://www.politicanarede.com.br/solta-o-verbo/dia-das-criancas-procon-baiano-e-ibametro-vao-as-ruas-2/Não estamos longe da celebração de mais um dia das crianças, a data dedicada aos pequeninos (e de muita felicidade para lojistas). Dias atrás, um relatório da ONU revelou que a taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu 75% em pouco mais de 20 anos. Ponto pra nós. No Pará, mesmo com a redução de 54,8%, ficou aquém do objetivo traçado pelas Nações Unidas. Porém, se consideramos as notícias recentes, o que temos a comemorar?
Histórias macabras que parecem mais roteiro hollywoodiano estão se tornando comum. São casos como o dos meninos ingleses, ambos com dez anos, responsáveis pelo assassinato de uma criança de dois anos de idade, em fevereiro de 1993, na Inglaterra. Continue Lendo “12 de outubro: o que celebrar? (parte I)”

A escalada da violência escolar

Imagem
altamirahoje.blogspot.com

A violência na escola parece não ter limites. Todos os dias são noticiados casos e mais casos. Em São Paulo, uma pesquisa revelou que 44% dos docentes já sofreram com essa violência. Recentemente, em Belém, um aluno quebrou uma pá ao agredir uma professora que o havia repreendido.
Algumas discussões apontam que isso é reflexo do aumento da criminalidade nas ruas. É indiferente se ocorre na escola municipal ou estadual, pública ou particular. O objetivo da educação parece ter se perdido. A educação que havia antes deu lugar ao medo, incerteza e frustração entre os profissionais que já não podem repreender ou dar notas baixas. Foi-se o tempo da palmatória – fosse hoje muitos professores já teriam morrido.
Talvez esteja certa a psicóloga que disse, em um telejornal, que essas agressões sejam fruto da má conduta dos pais em educar, dentro de casa, os filhos. Esses acreditam que quanto mais se tem, mais se pode. Esses abusos estão quase sempre vinculados à classe D e E. Não podemos esquecer que no meio da pirâmide social (ou no topo), existem os mais abastados que acham que podem tudo por causa de um sobrenome familiar ou o dinheiro guardado no banco. Quando um “menor” é filho de gente importante, se tem a impressão de que a poeira vai parar debaixo do tapete. O jovem não vai pagar pelo crime, debalde acusar os pais.
Seja qual for o objetivo da educação, parte-se da premissa que os filhos devem aprender com os pais como lidar com a frustração. Caso contrário, teremos professores e outros alunos que sofrerão com essa brutalidade absurda e idiota.
Coitado de mais um professor que quase paga com a própria vida a bestialidade de um aluno mimado. Ou não?

Matéria exibida em telejornal do Estado.

Tragédia anunciada choca o Brasil

Imagem“Pai, posso sair?” perguntou o jovem ao Sr. Eduardo (nome fictício). “Não meu filho, fique em casa hoje”, respondeu o pai.
Esse pode ter sido um diálogo travado na noite deste sábado. Ou não, mas que em algum lugar do Brasil, em algum dia, já foi ouvido. Ninguém sabe o futuro ou espera o pior. Lembro que sempre me disseram que a ordem natural da vida é o filho enterrar os pais, não o contrário.
A morte de crianças por causa de um covarde nos EUA, recentemente, trouxe à tona, novamente, a discussão sobre o uso de armas em território americano. Estavam todas estudando, brincando. Ontem, em um dia que será lembrado por décadas e décadas não só no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil, jovens estavam brincando na cidade em que escolheram estudar. Continue Lendo “Tragédia anunciada choca o Brasil”