A “linha vermelha”

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Uol Imagens

Na lápide lia-se “morto por passarela ao passar sob ou sobre ela”. Sabemos que não será esse o epitáfio, mas a inimaginável situação aconteceu, como praticamente todas as emissoras, jornais e sites passaram o dia de ontem comentando. A imprudência de um motorista de caçamba – que falava ao celular -, causou dor, espanto e revolta. A dor na vida dos familiares das cinco vítimas fatais não vai passar. O espanto como o do pai que viu o filho cair e de outros motoristas, que viram a trágica cena, vai ser lembrado por muito tempo. A revolta, ah, essa revolta não é de hoje e, temos certeza que ainda nos revoltaremos muitas outras vezes. Como tantos outros casos, uma sequência de erros culmina em fatídicas manchetes.
Somos o país em que a falta de fiscalização matou 242 pessoas dentro de boate; vitimou outras dezenas em acidentes aéreos, rodoviários e fluviais; levou centenas ao óbito, em descasos com a saúde pública; marginaliza adolescentes com falta de investimentos educacionais; tirou a vida de pais, mães, filhos; coloca criminosos para responder em liberdade.
No dia de anteontem (28/01), a “Linha Amarela”, no Rio de Janeiro, ficou tingida com o nome de outra via expressa carioca. Vermelha.

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Virgem de Nazaré, proteja nossas crianças

http://ministeriodeevangelismoinfantil.blogspot.com.br/Em Altamira, no sudoeste paraense, mataram mais um adolescente, mas velho conhecido na cidade e das autoridades policiais. O “sombra do demônio”, apelido que ganhou por praticar furtos e roubos à noite, foi alvejado com três tiros. Vingança de alguém que ele furtou? Rixa entre bandidos? Falta de oportunidades na vida? Família desestruturada? Ausência do Poder Judiciário? Omissão do conselho tutelar? A droga o consumiu e, por causa dela, morreu? São várias perguntas para o início e meio, porém, uma verdade prevalece: outros “sombras” já existem e hão de existir, emergindo das sombras de dia ou de noite. Nas redes sociais, alguns vibravam. Muitos falaram que é “menos um” para assustar mulheres e crianças na cidade. Outros questionavam o que cada um tem feito para mudar a triste realidade das crianças e adolescentes que vivem à margem dos bons valores sociais. Enquanto isso, a mídia continua a expor a fragilidade do “sistema”. Dias atrás, adolescentes fizeram reféns doze pessoas na capital do Estado. Em outro assalto, um com 14 anos e outro de 16 tentaram roubar uma loja de calçados, em Marituba. Seja na região metropolitana de Belém ou no interior, questionamos: até quando? A proximidade de três datas comemorativas parece cada vez mais ter ligação entre elas: Dia das Crianças (infância), Dia do Professor (educação) e, para os paraenses católicos, o Círio de Nazaré (religião). Assuntos exaustivamente discutidos em fóruns, artigos e veículos de comunicação. O ECA, a LDB e a Bíblia possuem algumas respostas, mas nem sempre são consultados. Alunos vivendo em clima de guerra e professores sendo desrespeitados. Cadê a figura do “mestre querido”? Com os dias 12, 13 e 15 se aproximando, o que nós temos feito? O que podemos esperar? Ó, Virgem, olhai por nós e atendei nossas preces. Que Nossa Senhora de Nazaré abençoe todos os professores e proteja nossas crianças. Amém.

Trânsito caótico em Altamira

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http://expresso-da-noticia.blogspot.com.br

Já é notório. O fluxo de veículos em Altamira, no sudoeste do Pará, cresceu. Motocicletas rasgam o silêncio da madrugada (e do dia também) com suas descargas barulhentas. Sons automotivos vêm logo atrás. O grande número de ônibus que transportam trabalhadores parece levar gado para corte. Pedestre atravessa correndo, moto circulando na contramão: um verdadeiro Deus nos acuda. É um zum-zum e tuntz-tuntz sem fim.
Todos os dias, esse é o trânsito que vira notícia com pessoas acidentadas e desrespeito à legislação. Conversando com um amigo, ele disse que não aguenta mais ficar em alguns cruzamentos por longos CINCO ou DEZ minutos. Mesmo tempo que ele perde em São Paulo ou Belém?
Temos que lembrar ainda dos agentes do departamento estadual de trânsito que atuam junto aos do departamento municipal. Blitz na cidade ocorrem todos os dias. Não! Ou sim? Vamos começar de novo.
A polícia militar, civil, Detran, Demutran, Guarda Municipal e (pasmem) até um helicóptero são vistos em “patrulhões”. Esporádicos, verdade, mas que ajudam a coibir algumas dessas infrações como: veículo sem documentação ou condutor sem habilitação. Som automotivo – nada contra – continua por aí. Motos com as descargas do tipo “não vou citar a marca” também.
Falar na sinalização horizontal ou vertical, bem, aí é outra história. Em grandes centros não recordo de no mesmo cruzamento ter quatro placas com o nome do logradouro (nome bonito para rua, travessa etc). Tudo “bem orçado” pela gestão passada. Enquanto sobram placas (de ontem), faltam agentes de trânsito (pra hoje). Sim, boa parte preferiu mudar de área/função.
A culpa não é do novo prefeito. Nem do departamento ou de quem o dirige. Se cada condutor não fizer sua parte, nada adianta recursos ou fiscalizações.
Alguém tem que fazer algo sobre o assunto. Chega de zum-zum, tuntz-tuntz ou outras onomatopeias como “crash” e “bum”.

UFPa + Enem = ?

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http://www.portal.ufpa.br/

A Universidade Federal do Pará mudou o processo seletivo para este. Vai usar só a nota do Enem. Ótimo. Para os alunos de grandes centros, com certeza. Ou não? Sem me preocupar com o enredo/eu-lírico/gênero – pra quê, se não são mais obrigatórias -, lembrei de algumas obras recomendadas no último vestibular.
Somos uma região de grandes distâncias, com um sistema educacional que… não precisamos entrar nesse mérito. A alegação que o aluno é que faz a escola e não o inverso é “ chover no molhado”. A disparidade entre a educação ofertada no ensino médio, principalmente nos grandes centros com suas tradicionais escolas particulares, nos faz pensar: que chance tem o pequeno I-Juca-Pirama de uma unidade escolar “lá longe, sumano”?
Logo, conceda, ó Virgem Maria, que mudanças como essa somem e não sumam com nossa rica literatura e o prazer imensurável que nossos jovens têm em ler nossos autores. Se atingida tal graça, pagarei promessa junto ao Carro dos Milagres.
Apesar de não vivermos mais em Navio Negreiro, não podemos esperar A queda dum anjo para auxiliar milhares de estudantes que sonham ingressar no ensino superior. Que o esforço de horas de lições em sala e fora dela não se transforme em Desilusão. O último Recenseamento tem o percentual da população que está em uma sala de aula “federal”.
Dizem que a universidade não terá gastos com a “artilharia de provas, deslocamentos etc”. Quem sabe, assim, sobre recursos para algumas reformas físicas/estruturais nos campi espalhados pelo Estado ou se consiga melhor remuneração aos professores e funcionários. Ou é “chover no molhado” (de novo).
Na Próxima Manhã, espero ouvir os versos da marchinha “alô, papai, alô, mamãe, põe a vitrola pra tocar, podem soltar foguetes, que eu passei no vestibular”. Caso contrário, só nos restará chorar O Pranto de Maria Parda…
Ainda bem que alguns livros continuam obrigatórios. Quais?

O amor e o ódio que movem os torcedores

http://www.soupapao.com

Nunca fui a um estádio de futebol assistir partida do meu Paysandu. Medo? Falta de oportunidade? Nem sei. Agora é mais difícil, morando longe de Belém.
Por que então torcer pelo time bicolor? Influência do pai, amigos ou simplesmente uma paixão ao ver, ainda em 91, o bicho-papão ser campeão brasileiro? Por que não ser fã do clube azulino? Não recordo e nem quero justificar aqui.
O que me deixa intrigado é o fanatismo que esses dois times provocam em seus torcedores. Grandes nomes ou ídolos da “redondinha” são poucos. Investimentos nas categorias de base, idem. Reforço na infraestrutura de seus estádios, nem se fala. Continue Lendo “O amor e o ódio que movem os torcedores”

O ano só está começando…

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http://www.imagens.usp.br

Vai ano, entra ano e parece que temos um calendário “oficial” de alguns acontecimentos. Começa com o réveillon e a queima de dinheiro fogos. Depois, no RJ e em outros Estados, chuva, desmoronamento e mortes. As autoridades correm como barata tonta, mas não podem xingar como naquele velho aplicativo. Quem ousa, acaba no Youtube.
Fevereiro e o carnaval. Em Belém, como a gente diz “toma-lhe” água e ruas e avenidas alagadas. Mudaram de águas de março para águas do bimestre, trimestre. Bom, chuva em Belém é todo dia mesmo. De novo, autoridades ficam mais “avoadas” que mosquito em nuvem de inseticida.
No Nordeste, a seca. Ponto.
Na política, todo mundo reclama de fulano, ciclano e beltrano. Ano passado, na eleição, o povo votou nas mesmas pessoas.
Mais próximo de mim, a chuva atrapalha a vida de quem precisa passar pela Transamazônica.
A lista prossegue. Celebridade “A” trocou “B” pra ficar com “C”, ex-mulher de “D”.
A vênus platinada insiste em mais um BBB. Continue Lendo “O ano só está começando…”

Carnaval exemplar

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Foto: Mágno Rabelo

Recentemente escrevi sobre o carnaval e seus exageros. Agora, volto ao tema para parabenizar o ineditismo do projeto para a folia em Altamira, este ano.
Sou Relações Públicas por formação, mas já trabalhei como repórter de TV. Apesar de poucos profissionais graduados na área da comunicação social, o esforço que repórteres, editores, cinegrafistas e todos que fazem o noticiário local – com contratempos, corre corre, chuva e sol, dia e noite, – foi reconhecido pela administração municipal.
A instalação de um camarote para a imprensa dentro do corredor da folia é algo louvável. Oferecer conforto a essas pessoas pode garantir que toda reportagem seja com segurança.
Por falar em segurança, a estrutura terceirizada também se destina a promover uma festa sem atropelos ou cenas como mostradas ano passado. Cabe a nós termos a consciência de não exceder o permitido e denunciar quem faz o proibido. Quem sabe, assim, a Folia realmente seja bastante Alta e ecoe pelo Pará como uma das melhores do Estado.

O carnaval do Carnaval e o excesso do prazer

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Lembro-me do primeiro período do curso de Direito. Durante uma das aulas de… de… (ô memória!) Sociologia, tivemos contato com o livro O que faz o brasil, Brasil?, do antropólogo Roberto DaMatta. Perdoem-me os eruditos, mas não conhecia o livro nem o autor.
Nada mais adequado para comentar os próximos dias que um dos capítulos desse livro. DaMatta diz, em um dos trechos que, “o carnaval é definido como “liberdade” e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecado e deveres. Numa palavra, trata-se de um momento onde se pode deixar de viver a vida como fardo e castigo”.
Pronto. Simples e direto, apesar de discordar com a premissa de a vida ser um fardo e castigo.
Mas é nessa festividade momesca e momentânea que milhões de brasileiros (e turistas) caem na farra solta. Opa, é uma festa popular, conclamam os que apoiam o consumismo desenfreado de álcool e dos abadás. Está bem, pode ser exagero meu. “É, no fundo, a oportunidade de fazer tudo ao contrário”, afirma o antropólogo. Continue Lendo “O carnaval do Carnaval e o excesso do prazer”

Tragédia anunciada choca o Brasil

Imagem“Pai, posso sair?” perguntou o jovem ao Sr. Eduardo (nome fictício). “Não meu filho, fique em casa hoje”, respondeu o pai.
Esse pode ter sido um diálogo travado na noite deste sábado. Ou não, mas que em algum lugar do Brasil, em algum dia, já foi ouvido. Ninguém sabe o futuro ou espera o pior. Lembro que sempre me disseram que a ordem natural da vida é o filho enterrar os pais, não o contrário.
A morte de crianças por causa de um covarde nos EUA, recentemente, trouxe à tona, novamente, a discussão sobre o uso de armas em território americano. Estavam todas estudando, brincando. Ontem, em um dia que será lembrado por décadas e décadas não só no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil, jovens estavam brincando na cidade em que escolheram estudar. Continue Lendo “Tragédia anunciada choca o Brasil”

Máscaras? Por quê? (parte 2) (Denise Alves – pedagoga)

ImagemA barbárie voltou. Depois de quase cinco meses, vândalos destroem instalações dentro de um canteiro da usina Belo Monte. Ativistas, ambientalistas e índios invadiram em junho o sítio Belo Monte e promoveram quebra-quebra. Agora, mascarados vestidos de operários (ou é o inverso?) destroem instalações, queimam veículos e furtam objetos. Até quando? A frase que usei em junho foi “A violência destrói o que ela pretende defender a dignidade da vida, a liberdade do ser humano”. Insatisfeito com o trabalho? Procura outro. Tá difícil? Corre atrás, qualifique-se, aja. Mas agir com banditismo – tem outra palavra pra isso? -, para conseguir melhorias é como o ladrão que rouba porque tem filhos com fome. Não! Não justifica. O diálogo é sempre mais prudente e sábio. De novo, atos insanos, dessa vez, nada “espiritual”. Se impedir o crescimento energético e, consequentemente, econômico do país com a alegação que essas obram sobrepujam questões sociais, é o estopim para o vandalismo, o que dizer de um povo que aguarda a copa do mundo caso os estádios não fiquem prontos em tempo hábil? Apagão energético e esportivo!