Chocolate “quase” amargo

Willy Wonka morreu. Na verdade, o ator que o imortalizou (melhor que Johnny Deep), Gene Wilder, sofria e ninguém sabia, de Alzheimer.

Com um jeito de tio querido, Wilder encantou milhares de crianças, jovens e adultos no clássico A Fantástica Fábrica de Chocolates, em que o pequeno Charlie e outras quatro pequeninhos (nem tanto) vão conhecer a fábrica que dá nome ao livro.

“O que você ganha vendo muita TV? Uma dor de cabeça e um Q. I. de três anos. Por que você não tenta simplesmente ler um livro? E olhe só o que vai acontecer: Você não terá, você não terá, você não terá, você não terá, você não terá comerciais!”, é cantado pelos pequenos Woompa Loompas, ajudantes do excêntrico dono da fábrica.

Nada mais atual. Na tevê, no mesmo dia, o país inteiro presencia outro momento histórico (na verdade, poucas pessoas assistem).

O julgamento de uma presidente acusada de “pedaladas” fiscais e, depois de democraticamente eleita, sairá como o primeiro chefe do executivo federal a perder o cargo num processo de impeachment.

Discursos longos, frases de efeito, acusações de conspirata, palavras em defesa e, finalmente, o gran finale parece chegar. Dificilmente haverá um plot twist (reviravolta característica em roteiros cinematográficos ou não).

Por último, o famoso casal de apresentadores globais anunciou a separação depois de 26 anos de união. Em tempos em que a informação está célere, um tuíte foi o estopim para memes e comentários em praticamente todas as rodas de conversa.

Como dito pela primeira mulher no comando do Planalto em seu discurso no penúltimo capítulo desse seriado político da vida real, “se alguns rasgam o seu passado e negociam as benesses do presente, que respondam perante a sua consciência e perante a história pelos atos que praticam”.

De tantos sabores amargos vividos num dia 29 de agosto (cinema, política, televisão) para fãs, partidários e cinéfilos, só um me acalenta: a certeza que a fábrica de chocolates seria o local perfeito para reencontrar a amiga que se foi fisicamente.

Há 11 anos comemorou seu aniversário sem saber que o futuro lhe aguardava um desfecho muito rápido, mas o suficiente para fazer valer cada dia vivido ao lado de amigos e parentes.

Com a partida dela, a vida perdeu um pouco do doce aroma e sabor do chocolate.

O resto é história. E fofoca. Ou alguém tem um bilhete dourado por aí?

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Meia-noite em Paris

4uah4p92u3ihnptzxsuqndumjHá um filme chamado Meia Noite em Paris em que o personagem principal admira e assume ser apaixonado pela década de 20. Lá, no passado, uma jovem de prenome Amanda e que seria uma das amantes de Picasso e outros pintores, afirma que admira e assume ser apaixonada pela virada do século, no período da Belle Époque. Ambos consideram cada uma dessas fases parisienses como a Era de Ouro do mundo.
A cidade-luz, que abriga romances, confusões, uma seleção de futebol que ficou engasgada para alguns brasileiros, Edith Piaf e tantos outros nomes, amanheceu em estado de emergência, choque, estática e extática.
O brilho da famosa torre que no Champ de Mars, na capital francesa, foi ofuscado pelos holofotes da mídia mundial sobre os atentados terroristas na noite da sexta-feira, 13.
A liberdade, igualdade e fraternidade foram perfuradas, explodidas, silenciadas e manchadas.
Por todo o globo, em várias cidades, monumentos foram iluminados como num gesto de apelo à paz, com as cores azul, branco e vermelho.
Como não se sensibilizar com a futilidade, covardia, “ultraje”, mesquinharia e sanguinária ação de oito frios assassinos em nome de um grupo maior?
Ernest Hemingway, que inclusive é retratado no filme de Woody Allen, escreveu em 1940, um romance chamado For whom the Bells tolls (Por quem os sinos dobram).
Em um trecho, que parece ter sido plagiado ainda ontem pelo presidente norte-americano Barack Obama, Hemingway diz que “quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade”.
Li reportagens e vi as cenas terríveis de tanta violência antes de ir ao encontro de um grupo de professores que iriam homenagear uma diretora escolar. Ao chegar, vi todos rindo, conversando. Católicos, evangélicos, partidos políticos diferentes, ideologias diferentes. Todos juntos. A intolerância, por mais que existisse ali, foi deixada de lado por um bem comum: a valorização da educação.
Que os valores ensinados nas escolas sejam diferentes das receitas ou instruções de como se armar ou atirar em alguém. Que sejam os mesmos dos ideais franceses e representados naquelas três cores.
Piaf, cantora francesa que ficou imortalizada com teu talento e voz inconfundível, e que, segundo um site cantava “claramente sua trágica história de vida”, gravou a música Ne me quitte pas (Não me deixes mais). Seria uma canção de separação escrita por um belga.
A letra, em uma das traduções, diz “Não me deixes mais. É necessário esquecer (…) Esquecer o tempo dos maus entendidos (…)”. E continua: “(…) Farei um reino onde o amor será rei, onde o amor será lei”.
Outra canção afirma que “mas é claro que o sol vai voltar amanhã”. Verdade. Afinal, passar a meia-noite em Paris, independente do ano, década ou período histórico, deve continuar tendo magia. Como no filme.

Lágrimas para todos os lados

(Foto: Facebook/Jean Rodrigues)
(Foto: Facebook/Jean Rodrigues)

De um lado, agricultores. Do outro, um médico.
Lá, latrocínio. Aqui, tudo aponta para homicídios dolosos.
Na mídia nacional, só se fala na redução da maioridade penal, pois o suposto autor do assassinato de Jaime Gold tem 16 anos e 15 passagens pela polícia, a primeira com 12 anos de idade.
Na local, busca-se o motorista que atropelou e matou Leidilene Machado e Daniel Dias, além de deixar um adolescente, de 13 anos, machucado.
A repercussão e mobilização no Rio de Janeiro não tem menos importância que a dos manifestantes aqui no Pará, mais precisamente na região transamazônica.
Se um foi morto em um lindo cartão-postal, aqui o que se pode falar da rodovia BR-230?
A estrada, construída há décadas, ainda padece na região Norte de infraestrutura para o fluxo de veículos que transitam diariamente com cargas e pessoas.
O governo carioca culpa a justiça por soltar menores depois da apreensão deles.
E aqui? Quem é o responsável que será indiciado ou que assuma a culpa pelo descaso com que se trata agricultores, pescadores, índios, enfim, toda a população que vive no Xingu e ao longo da estrada, mais conhecida como “Transamargura”?
No Brasil inteiro, chora-se pelos médicos, agricultores, menores, trabalhadores etc.
Mas a lágrima, salgada, que sempre irá rolar e não é absorvida pelos que fazem as leis, somente lava o sangue que mancha o chão onde caem os corpos. Seja no ponto turístico ou em um longínquo ponto dos grandes centros?
Até quando?

Fontes: Carro fura bloqueio, atropela pessoas e deixa vítimas na TransamazônicaAdolescente suspeito de esfaquear e matar ciclista na Lagoa é apreendido

Para os amigos da imprensa regional

Para tirar zero em redação, muitos nem chegaram a escrever.
Tirar zero em redação não é algo que se consiga de um ano para outro. Isso é resultado de muitos anos de falta de leitura e falta curiosidade que aprimoram a ferramenta da comunicação, que é a língua, e o conteúdo dela, que é o conhecimento. Sem conteúdo, é o vazio. E com vazio não se faz um cidadão nem um país e muito menos uma redação. Quase 10% de nota zero e apenas 0,004% de nota máxima não são boas notícias.
Os empregadores no Brasil têm uma grande queixa: as pessoas não entendem as instruções e não conseguem se expressar com clareza. E a língua, que é uma das bases da nação tanto quanto o território, está virando um dialeto confuso em que dá bom dia a todos e todas. Chama a presidente de presidenta, com modismos horríveis como ‘vou estar fazendo’, ‘o governador ele disse’ e outras esquisitices.
Com falta de leitura, o vocabulário é limitado, e aí se usam palavras mais compridas para ter tempo de achar a palavra seguinte. Avião virou aeronave, fim de semana virou final de semana, vender é comercializar, oferecer virou disponibilizar, ver virou visualizar, crime é criminalidade, arma virou armamento.
E ainda se apoiam em muletas da língua: não se veste a camisa e não se calça o sapato, apenas se coloca. Passageiro, hóspede, paciente, frequentador, virou usuário. A nossa língua já é muito pouco conhecida no mundo, mas ser pouco conhecida no nosso próprio país isso nos emudece um pouco.
(Alexandre Garcia, jornalista)

Fonte: ‘Língua está virando um dialeto confuso’, comenta Alexandre Garcia

O céu continua em festa

idolosAnos 70, 80 e 90. Michael Jackson, Roberto Bolaños (Chaves), Ayrton Senna. Não necessariamente nessa ordem. Três estilos, três ídolos, várias gerações.
Michael revolucionou o videoclipe. Bolaños fez humor sem apelação. Senna encantou uma geração.
O legado de Thriller está perpetuado na música pop e seu estilo inovador. O sucesso do criador de Chaves estará para sempre nas lembranças de muitos adultos que riram das situações do menino que morava no barril (ou do herói atrapalhado). Ayrton continua, através da fundação que leva seu nome, fazendo campeões e resgatando a cidadania de crianças, jovens e adultos.
A música de Jackson chamada Man in the mirror tem um trecho que diz “Eu vejo as crianças nas ruas sem o suficiente para comer, quem sou eu para estar cego fingindo não perceber suas necessidades”. Essa criança poderia ser o “Chaves do oito”.
Uma tradução da música do seriado Chaves poderia ser trocada para “Lá vem o Senna, Senna, Senna. Todos atentos olhando pra TV”.
Michael foi o rei do pop. Senna, um ás das pistas. O primeiro foi querido no mundo inteiro. Senna, reconhecido mundo afora.
Bolaños, esse velho menino, talvez não tivesse a noção do que representou. Foi o rei do riso e o ás de várias sessões reprisadas.
Vi os três partirem. A mídia mostrou. O que ela não conseguirá jamais é mostrar que o céu continua em festa.
E em minha mente, a famosa trilha das vitórias de Senna toca agora por receber os personagens de Bolaños.

O amor e o ódio que movem os torcedores

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Nunca fui a um estádio de futebol assistir partida do meu Paysandu. Medo? Falta de oportunidade? Nem sei. Agora é mais difícil, morando longe de Belém.
Por que então torcer pelo time bicolor? Influência do pai, amigos ou simplesmente uma paixão ao ver, ainda em 91, o bicho-papão ser campeão brasileiro? Por que não ser fã do clube azulino? Não recordo e nem quero justificar aqui.
O que me deixa intrigado é o fanatismo que esses dois times provocam em seus torcedores. Grandes nomes ou ídolos da “redondinha” são poucos. Investimentos nas categorias de base, idem. Reforço na infraestrutura de seus estádios, nem se fala. Continue Lendo “O amor e o ódio que movem os torcedores”

O ano só está começando…

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http://www.imagens.usp.br

Vai ano, entra ano e parece que temos um calendário “oficial” de alguns acontecimentos. Começa com o réveillon e a queima de dinheiro fogos. Depois, no RJ e em outros Estados, chuva, desmoronamento e mortes. As autoridades correm como barata tonta, mas não podem xingar como naquele velho aplicativo. Quem ousa, acaba no Youtube.
Fevereiro e o carnaval. Em Belém, como a gente diz “toma-lhe” água e ruas e avenidas alagadas. Mudaram de águas de março para águas do bimestre, trimestre. Bom, chuva em Belém é todo dia mesmo. De novo, autoridades ficam mais “avoadas” que mosquito em nuvem de inseticida.
No Nordeste, a seca. Ponto.
Na política, todo mundo reclama de fulano, ciclano e beltrano. Ano passado, na eleição, o povo votou nas mesmas pessoas.
Mais próximo de mim, a chuva atrapalha a vida de quem precisa passar pela Transamazônica.
A lista prossegue. Celebridade “A” trocou “B” pra ficar com “C”, ex-mulher de “D”.
A vênus platinada insiste em mais um BBB. Continue Lendo “O ano só está começando…”

Pão e circo de novo?

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jovemnota10sp.wordpress.com

Há algum tempo, assisti ao seriado Roma, produzido por um famoso canal americano. A série, como o nome mostra, mostrava as (arti)manhas dos políticos da época, intercaladas no dia-a-dia de dois amigos militares que andavam entre anônimos e ilustres personagens históricos. Opa… Roma? Políticos? Ilustres personagens históricos? Muito longe e cinematográfico. Vamos falar de algo mais concreto.
Há algum tempo, assistíamos nas emissoras brasileiras, as arti(manhas) de ilustres políticos, intercaladas com a violência exacerbada contra idosos, crianças, mulheres, trabalhadores. Anônimos ou também ilustres. A diferença entre a série e o nosso país é justamente essa. Uma foi feita para entreter. A outra? Bem, essa todo dia nós tentamos descobrir onde está o erro.
Em novela da emissora que quer ser global, o tráfico de mulheres é discutido ao mesmo tempo em que são exibidos os atributos de belas atrizes. Relembrando a série, são duas mulheres as grandes personagens que destilam intrigas. Lá vamos nós fazer a aproximação da ficção com a realidade. Duas mulheres despontaram nos últimos anos. Uma, amante e peladona de revista disse tudo. Outra, amiga e mais discreta. Nada diz, mesmo sabendo de tudo. Ou não?
Roma de lá, como o Brasil de cá, não difere muito. Políticos, mulheres, poder, intrigas, corrupção. E o povão sem se dá conta, vivendo de pão. De circo, aqui, as arenas (oficiais) são proibidas. Mas temos o carnaval, depois a copa das Confederações…

Mais um BBB…

Ao ler postagem de uma amiga, lembrei desse texto que estava “quase” esquecido. Foi feito ano passado (2012), na estreia da 12ª edição do programa. Acho que não precisa de atualização.

bbb
Fonte: sabetudo.net

“Salve, salve…” Mais um BBB. O décimo segundo. 2012 começou bem… Pra eles? Pra quem?
Enquanto os noticiários mostram as enchentes no sudeste, com famílias perdendo tudo, mas principalmente o direito a um lar; enquanto pais e filhos enterram pais e filhos; enquanto políticos discutem quais critérios usar para investir na prevenção de acidentes que não são a primeira vez que acontece… O Brasil para pra ver mais um BBB.
São 12, melhor, 16 brasileiros que sonham com o prêmio máximo do programa, do reality show acompanhado por milhões de outros sonhadores. O apresentador, jornalista veterano da TV brasileira, os chama de corajosos. Quem perde tudo e (sobre)vive com um salário mínimo, enfrentando a violência que assola todas as cidades… Esses são o quê?
Continue Lendo “Mais um BBB…”

Tragédia anunciada choca o Brasil

Imagem“Pai, posso sair?” perguntou o jovem ao Sr. Eduardo (nome fictício). “Não meu filho, fique em casa hoje”, respondeu o pai.
Esse pode ter sido um diálogo travado na noite deste sábado. Ou não, mas que em algum lugar do Brasil, em algum dia, já foi ouvido. Ninguém sabe o futuro ou espera o pior. Lembro que sempre me disseram que a ordem natural da vida é o filho enterrar os pais, não o contrário.
A morte de crianças por causa de um covarde nos EUA, recentemente, trouxe à tona, novamente, a discussão sobre o uso de armas em território americano. Estavam todas estudando, brincando. Ontem, em um dia que será lembrado por décadas e décadas não só no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil, jovens estavam brincando na cidade em que escolheram estudar. Continue Lendo “Tragédia anunciada choca o Brasil”