Que Pará é esse?

Prezado Sr. Nicias Ribeiro,
Li seus artigos publicados, no jornal que mostra os “avanços” que o BRT trouxe e as grandes obras do governo estadual, tanto de quarta-feira passada (19) como o de hoje (26). Realmente, com tanta riqueza em detalhes, fico maravilhado em conhecer nosso Estado-continente e toda sua belezura. Sem esquecer do quanto foi feito pelo (sud)oeste paraense, onde tudo está “bem”. Parado?

Belém
Belém

Sou de Belém, a terra que muitos chamam de “já teve”, mas para mim é a do “lá tem”. Tem o cheiro do patchouli e do tucupi e o travor do jambu e bacuri.

Batista Campos/Centro
Batista Campos/Centro

Também tem a formosura das lindas morenas enquanto dançam o carimbo e o “melody”. Pena que poucos falem disso.

Orla de Altamira
Orla de Altamira

Há sete anos, saí da capital e vim, de avião, para Altamira. De cara, me apaixonei pela cidade e pelo rio Xingu. Em 2008, depois de tanto ouvir falar mal da BR-230, a “Transamargura”, a encarei, com minha família, numa longa viagem de 14 horas até Belém. No verão. Na poeira. Sabia que se fosse na época do inverno, a viagem seria mais longa. E é nesse ponto que gostaria de tocar.
Para muitos, a rodovia possibilita, hoje, a esperança de melhoria na qualidade de vida, a chegada de empreendimentos comerciais e o rápido escoamento da produção agropecuária e rural. Mas como dizem nas redes sociais: “só que não”. Pelo menos durante o inverno.

Placa em Breu Branco-PA
Placa em Breu Branco-PA

A abertura da rodovia na década de 70 trouxe expectativas e famílias para a região transamazônica. Não se sabia que demoraria tanto e tanto tempo para se ver o asfalto em um trecho de pouco mais de 300 quilômetros. Não vou nem falar na outra BR, a 422 (70 quilômetros), que, com certeza, não verá asfalto nessa década. Quiçá na próxima. Mas voltando ao trecho Novo Repartimento/Altamira, que o senhor definiu como “estradas relativamente boas e em grande parte pavimentadas”. O senhor transitou por elas esses dias?

Trecho N. Repartimento/Maracajá (35 km)
Trecho N. Repartimento/Maracajá (35 km)
Ladeira da "velha"
Ladeira da “velha”

Da cidade de Novo Repartimento até Pacajá, temos sim, asfalto novo e, aparentemente de qualidade. E o restante, como na ladeira da velha? A mesma situação entre Pacajá e Anapu, com asfalto, mas… em trechos. De Anapu até a “princesinha do Xingu”, como é conhecida Altamira, aí sim, temos asfalto. Graças à Belo Monte ou viria de qualquer jeito, pois já estava na hora?
Voltando ao roteiro com a precisão parecida de um GPS, o senhor lembra como era o trecho Moju/Tailândia? O senhor sempre viajou de carro nesse trecho ou, ainda, até Altamira? Faço a pergunta, pois recentemente, foi exibido as condições da estrada que liga Medicilândia até Uruará, em pouco mais de 90 quilômetros. O senhor viu?

Atoleiro na BR-230 (Foto: Cristiane Prado)

A longa fila que se faz lá não é diferente da que se faz aqui pertinho, próximo a Anapu. Passageiros descendo de ônibus, motoqueiros caindo na lama, caminhões com mercadorias se estragando. Isso é o que nós vemos no período de chuvas. No verão, é uma maravilha, com a poeira e visibilidade quase zero. Mas isso está acabando, não? Graças ao nosso governador. “Só que não”.

Rio Xingu
Rio Xingu

O senhor falou também de locais que eu gostei de conhecer algum tempo atrás. Vitória do Xingu, Senador José Porfírio e Porto de Moz. A sinuosidade da estrada até Vitória já vitimou dezenas de pessoas, bem como a própria BR-230. O asfalto feito na gestão da ex-governadora não aguentou e precisou ser refeito.
Senador é lindo e mais bonito ainda, com o milagre dos quelônios no Tabuleiro do Embaubal. Tem uma estrada estadual (PA-167), mas só com “pá” e outros itens para se conseguir chegar. Porto de Moz? Lindas praias e povo acolhedor. Como todo o povo paraense, sabe bem o senhor.
Não estou criticando os textos. Poxa, quem não conhecer a cachoeira e a caverna aqui pertinho, no Brasil Novo, está perdendo um cenário lindíssimo. Quem não gostar de comer um tucunaré aqui em Altamira não sabe o que é saborear um peixe delicioso, como o caratinga, a “cara” de Souzel e Porto de Moz.
Medicilândia tem a fábrica de chocolate, mas o jornal em que o senhor escreve colocou uma nota dizendo que a primeira fábrica de chocolate do Norte será na bucólica ilha de Mosqueiro, em Belém. Chamamos isso de “barrigada”.
Voltando para nossa região transamazônica, queria ver o senhor, nosso governador e os assessores, fazendo o roteiro que o senhor tão bem descreveu. Com fotos e vídeos, por favor, pois em tempo de internet, muita imagem fraudulenta anda rolando na teia mundial.

Travessia do Rio Xingu (Belo Monte)
Travessia do Rio Xingu (Belo Monte)

Aproveite e coma um peixinho frito lá na comunidade Belo Monte, que nunca acerto se é do Pontal ou não.
Faça isso enquanto espera a balsa que demora incríveis 10 a 15 minutos de travessia, pois ponte não existe ali.
Fica o convite.

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O ano só está começando…

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http://www.imagens.usp.br

Vai ano, entra ano e parece que temos um calendário “oficial” de alguns acontecimentos. Começa com o réveillon e a queima de dinheiro fogos. Depois, no RJ e em outros Estados, chuva, desmoronamento e mortes. As autoridades correm como barata tonta, mas não podem xingar como naquele velho aplicativo. Quem ousa, acaba no Youtube.
Fevereiro e o carnaval. Em Belém, como a gente diz “toma-lhe” água e ruas e avenidas alagadas. Mudaram de águas de março para águas do bimestre, trimestre. Bom, chuva em Belém é todo dia mesmo. De novo, autoridades ficam mais “avoadas” que mosquito em nuvem de inseticida.
No Nordeste, a seca. Ponto.
Na política, todo mundo reclama de fulano, ciclano e beltrano. Ano passado, na eleição, o povo votou nas mesmas pessoas.
Mais próximo de mim, a chuva atrapalha a vida de quem precisa passar pela Transamazônica.
A lista prossegue. Celebridade “A” trocou “B” pra ficar com “C”, ex-mulher de “D”.
A vênus platinada insiste em mais um BBB. Continue Lendo “O ano só está começando…”